“Hay gobierno?”, perguntaram a Francelino. “Não, e a presidenta sumiu”, respondeu o sábio político mineiro. Na verdade, o Planalto está em transe e a Dama de Ferro não existe, era só uma ilusão eleitoral.

Carlos Newton

Depois de ter ameaçado a Câmara dos Deputados e levado uma sova na votação do Código Florestal, a presidente Dilma Rousseff teve de se submeter à pressão da bancada evangélica e  suspendeu a produção e distribuição do kit anti-homofobia desenvolvido pelo Ministério da Educação, determinando que todo material do governo que se refira a “costumes” passe por uma consulta aos setores interessados da sociedade antes de ser publicado ou divulgado.

Antes tarde do que nunca, porque a bancada evangélica (74 deputados em 513) é suprapartidária, integrada por parlamentares da situação e da oposição. Além disso, o tal kit anti-homofobia é repudiado também pela bancada católica e por todos os políticos que enxergam um palmo à frente do nariz.

Acuada, a presidente resolveu sumir com o kit, porque a bancada evangélica chegou a ameaçar o governo não só com a obstrução da pauta no Congresso, mas esse parlamentares se mostraram dispostos também a colaborar com assinaturas para convocar o ministro Antonio Palocci (Casa Civil) a se explicar sobre sua evolução patrimonial, e chegaram a aventar até a formação de uma CPI para investigar o MEC.

Na verdade, o tal kit gay (destinado a crianças e adolescentes) é patético e inoportuno. As ilustrações sexuais parecem ter saído do livro do Kama-Sutra, não é exagero, não. E o pior é clara tentativa de demonstrar que o sexo homossexual é mais prazeroso do que o heterossexual. Nas ilustrações a bico de pena, por exemplo, não se vê o rosto dos casais heterossexuais transando na posição papai-mamãe. Mas são impressionantes a alegria e o prazer estampados nos rostos dos homossexuais, em pleno sexo anal. Para que tanto exagero? Por que essa defesa intransigente de que é bom ser homossexual? Se você não acredita, é só procurar na internet, as ilustrações estão disponíveis, são facilmente acessáveis.

Uma coisa é lutar contra a homofobia e os preconceitos contra os gays. Nada contra. Outra coisa, muito diferente, é fazer a apologia do homossexualismo, como se fosse a melhor opção sexual. E é isso que transparece no kit gay, que nitidamente tenta educar as crianças rumo ao terceiro sexo. No MEC, já não bastava a compra dos 450 mil exemplares do livro baseado no antigo linguajar de Lula? Ou será tudo “menas verdade”, como o ex-presidente gostava de dizer, antes de ser instruído por seus perceptores, que tão bem o prepararam para vôos mais altos na política.

O descontrole do governo nos mais diversos setores mostra que a Dama de Ferro era uma balela. Dilma Rousseff foi colocada no Planalto por Lula, mas não conseguiu se libertar. Mostra não ter voz própria, obedece a ele em tudo. Em Brasília sabia-se que Lula jamais desencarnou da Presidência, telefonava toda hora para ela, que ainda não aprendeu a dizer não. Permanece como uma marionete nas mãos dele.

Agora, Lula arranca a máscara da face e mostra a realidade. Assume o governo de fato, reúne-se com os presidentes dos partidos e líderes da base aliada, na casa de José Sarney, pede que todos apresentem as queixas contra o governo, que ele, Lula, vai resolver tudo. “Apertem os cintos, a presidenta sumiu”, diria o político mineiro Francelino Pereira, com seu sotaque do Piauí.

O único fato positivo da suspensão do kit gay é que, aparentemente, representava a primeira atitude que Dilma Rousseff tomava por si própria. Com isso, ela parecia desferir um grande golpe no ministro Fernando Haddad, o escolhido de Lula para a sucessão da prefeitura de São Paulo.

Mas isso só não basta. Era preciso que a presidente se libertasse de Lula por completo e enfim demonstrasse que a presidente agora é ela. O momento é crucial. O ainda ministro Antonio Palocci circula no Palácio do Planalto como uma espécie de zumbi, um cadáver insepulto e putrefato, a infectar todo o ambiente, com o mau cheiro se espalhando por todo o país. Se a presidente não se livrar logo dele, vai ser vampirizada. Não conseguirá governar nem a cozinha do Palácio Alvorada.

Ou Dilma Rousseff assume logo o governo e volta a usar a velha armadura da Dama de Ferro, ou é melhor abandonar tudo e retornar a Campinas, para dar seguimento àquele curso de Mestrado que abandonou e hoje lhe faz tanta falta. Como disse o Almirante Barroso, na guerra do Paraguai, “o Brasil espera que cada um cumpra o seu dever”. A presidente chama-se Dilma Rousseff, e não Luiz Inacio Lula da Silva. Mas quem governa é ele. Mas que país é esse, Francelino???

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