“Injustiça” com Franklin Martins. De mais importante ministro de Lula, a renegado, abandonado e esquecido no novo ministério Lula, perdão, de Dona Dilma. Dizem, lógico, não oficialmente, haverá compensação.

Helio Fernandes

No segundo mandato de Lula, foi levado e elevado à condição de Ministro da Comunicação Social. Surpresa geral no Planalto-Alvorada e até mesmo fora desse circuito. Demitido pela Organização, ficou sem ter o que fazer. Meses depois, foi chamado por Lula, conversa rápida, saiu de lá Ministro da Comunicação Social.

Mesmo no poderoso círculo palaciano, quando Lula oficializou o fato, perplexidade total, ninguém entendeu. Mas não falaram, comentaram ou estranharam. A palavra PODEROSO está condicionada à exigência da SUBSERVIÊNCIA, implícita e explícita. A melhor prova disso é o próprio quase ex-Ministro. (Mas não nos adiantemos, chegaremos lá).

Como é um trator e sabe muito bem como manejá-lo, dominou logo o Planalto-Alvorada, controlou tudo e a todos. Com menos de um ano no cargo, agia com total desenvoltura, desembaraço, “desconstrangimento”. A ponto de informantes deste repórter, me dizerem: “Helio, toma nota. Hoje no Planalto, tudo passa por Franklin Martins”. Era verdade e meus informantes sabiam das coisas.

Como Franklin sempre soube que a importância vinha da arrogância e da não-concessão a ninguém, a “não ser aos que plácida e gostosamente tomam a forma do vaso que os contém”, era consultado por todos.

Mas a arrogância PARA BAIXO e a subserviência PARA CIMA, precisam ser muito bem “administradas”, ou a vítima será o próprio personagem. Foi o que aconteceu com o Doutor Ministro da Comunicação Social.

Quando Lula e, lógico, a caudatária Dona Dilma começaram a AMEAÇAR, INTIMIDAR e CHANTAGEAR a GRANDE IMPRENSA, Franklin cometeu o maior erro dos analistas-executores: acreditar nos fatos que não existiam, por ele mesmo manipulados.

Na cúpula palaciana, a intriga, o boato, a “fofoca”, desculpem, têm grande trânsito. E atingem principalmente os mais confiantes. Surgiu logo a “explicação”: Franklin Martins era indicação de Dona Dilma e Lula. O que na época tinha grande importância, por causa do que lembravam do estranho, misterioso e jamais desvendado passado.

Apoiado e agregado ao “time” da já escolhida sucessora, Franklin mandou mesmo, esqueceu ou nunca soube que a lembrança é um trajeto de MÃO DUPLA, pode ajudar, durante um tempo, prejudicar quando esse tempo muda. Mas Franklin foi TRAÍDO, a palavra nada exuberante do ponto de vista vernacular, mas sedutora politicamente.

Dessa forma, na questão do “tiroteio” com a “grande mídia”, Franklin foi mais radical do que Lula e Dilma. Que na verdade não tinham a menor vontade de tumultuar o relacionamento com os órgãos de Comunicação, deixavam que Franklin Martins fizesse tudo. Para isso ganhara um cargo com a denominação: Ministro da Comunicação Social.

Franklin Martins adormeceu durante o dia, não tinha a fazer ou com o que se preocupar. Amigo de Dilma, “conterrâneo” de 64, trafegando abraçados em plena idolatria dos 80 por cento de Lula, o que poderia atingi-lo? Principalmente, porque a sucessora era Dilma, confiavam um no outro, para eles “o céu era de brigadeiro”, embora, digam, tenham conspirado contra os militares.

Como foi dito aqui, pelo menos seis meses antes da eleição, não havia uma possibilidade em um milhão dela ser derrotada, portanto, “nada mudaria”. Eleita, ainda não empossada mas tendo um trabalho enorme para coordenar e aprovar o ministério Lula-Dilma, “esqueceu” do Ministério da Comunicação Social.

Impressionante, o nome dele não surgiu em nenhuma conversa particular, não foi citado em entrevistas públicas. Franklin Martins custou a perceber, mas percebeu: não era esquecimento, e sim VETO.

Revoltado, resolveu resistir. E como o ponto de discórdia, perdão, da preterição com cara de perseguição, era a imprensa ou a Comunicação, organizou um “seminário” com objetivo planejado mas com denominação complicada.

Por que seminário, se ninguém sabia quem convidava e por que convidava? E o nome, que mistério: “Seminário Internacional das Comunicações Eletrônicas e Convergência das Mídias. Puxa, um título com seis palavras, é redundância? Ou então todos os participantes estarão completamente deslocados?

Surpreendentemente, Franklin Martins muda de posição várias vezes. No governo Lula, todos pareciam a favor da CENSURA, incluindo o próprio presidente. Lula se cansou de falar contra o que chamava, numa espécie de redundância, de “LIBERDADE DE IMPRENSA e LIBERDADE DE EXPRESSÃO”.

A grande trincheira desse objetivo era localizada pelo próprio Lula na Comissão de Direitos Humanos, que recebia apoios entusiasmados de Dilma (que já era certamente a futura presidente), e do incansável, múltiplo e misterioso Lula.

***

PS – O que se fala em Brasília: Franklin Martins teria “ouvido vozes” (Joana D’Arc é eterna), no sentido de explicar com uma interrogação: “Eu a favor da CENSURA? Fui e sou jornalista a vida toda, absurdo”.

PS2 – O título do seminário, incompreensível, ininteligível e intraduzível, também agregado às “vozes”. Se ninguém entender, fica ainda melhor. Como ninguém ENTENDEU, um sucesso.

PS3 – O destino de Franklin Martins, não está decidido. AMIGOS garantem: “Dilma não vai querer enfrentar o Ministro da Comunicação Social, com o qual conspirou durante os últimos quatro anos”. Haveria entendimento para que ocupasse alta posição jornalística em empresa dita de primeiro time. (Existem muitas).

PS4 – Os INIMIGOS aproveitam a hipóteses “desenhada”, espalham: “Irá para cargo importante na Veja, cuja situação financeira não é boa há muito tempo”.

PS5 – Há um ano revelei, a Veja recebeu entre 150 e 200 milhões de dólares do exterior. Se Franklin Martins  for para a VEJA, procurem uma cópia do filme “Os Carrascos Também Morrem”. Tudo a ver.

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