“Tropa de Elite 2”, mais importante do que o primeiro. Libelo terrível, revelação da ACOMODAÇÃO entre bandidos e policiais, nenhuma diferença. Todos CRIMINOSOS.

Yuri Sanson:
“Helio, nesses chatíssimos 17 dias, vá ver o filme, aposto que vai gostar. Abraços”.

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado pelo conselho, Yuri, mas fui ver na estréia. Ainda melhor do que o primeiro, mais violento, mais realista, mais verdadeiro. E o José Padilha (roteirista, produtor e diretor) sabia disso, tanto que colocou no início, o que não o preocupou no primeiro: “Apesar das muitas COINCIDÊNCIAS, este é um filme de ficção”. Não é, mas ele precisava se preservar.

Inicialmente, tenho que registrar com a maior satisfação: tecnicamente, os filmes brasileiros estão apresentando categoria internacional. Podem ser exibidos em qualquer lugar, mostrados nos festivais mais pretenciosos. Admirável essa constatação.

Grande filme, terrível e irrespondível libelo. Advertência, alerta, condenação corajosa, vigorosa, apesar de tudo esperançosa. Os subterrâneos da cidade, (que podem ser ampliados para o país) são expostos de forma definitiva, escabrosa, que palavra, assustadora mas imprescindível.

Antes desse “Tropa de Elite 2”, a população soube de alguma coisa pelo primeiro. Agora desvendam tudo, assombram pelo conhecimento e pela revelação do que acontece nas crateras do estado e principalmente da cidade, antiga capital do país.

Antes desses dois filmes esclarecedores, o que se sabia ou admitia, dava  impressão da troca de tiros diária entre bandidos e policiais, parecia que não passava daquilo, o limite era a entrada dos morros. Não é não. “Tropa de Elite 1 e 2”, devassam e torpedeiam a realidade, obrigatoriamente mudam a colocação das palavras, a luta é entre BANDIDOS e BANDIDOS.

Não existe outra forma de referência. As festas dos bandidos e dos policiais, têm os mesmos atrativos, motivações e forma de divertimento. Os traficantes e policiais matam com a mesma satisfação e covardia, geralmente pelas costas.

Quando um oficial incorruptível (existe, claro, em espantosa minoria, mas existe) é convidado pelo governador para ocupar a Secretaria de Segurança, diz para um grupo: “Aceitei porque vou MUDAR tudo, nada será como agora”. Um major, (abaixo dele, que é tenente-coronel) diz: “Não vai mudar nada, que vai mudar é você”. Saem dali, o futuro secretário de Segurança vai embora, o major fica mais um pouco, quando se retira, é fuzilado pelas costas, leva mais de 20 tiros. O chefe da quadrilha policial vai até onde está morto o major que pretendia moralização, chuta seu corpo com raiva, puxa o revólver, dá o chamado “tiro de misericórdia”. E vão festejar, num banquete que parecia impossível naquelas crateras, requinte de luxo e luxúria.

***

PS – Ponto final: o depoimento-acusação do já não secretário de Segurança, na CPI (imaginária?) que investiga o que já era um protesto revoltado da população. Denuncia os policiais-bandidos, que estão presentes. O chefe policial (que atirou no major pelas costas) acusadíssimo, vai saindo obscuramente, mas apavorado.

PS2 – Tudo no filme é denúncia sobre o que se passa nesse duelo de interesses, nos combates de fachada, mas na confraternização dos subterrâneos.

PS3 – E a afirmação, que muitos podem até entender, mas não é de maneira alguma absurda: “Dentro de algum tempo, (que o filme localiza em 2081, mas que será bem antes) 90 por cento da população do Rio será de CARCERÁRIOS”.

PS4 – O filme, José Padilha e seus colaboradores, não querem dizer que essa população de CARCERÁRIOS será de bandidos. Ele vê mais longe, reflete a realidade. Carros blindados, moradores que não saem à noite, casas e apartamentos CERCADOS, no Rio, NINGUÉM TEM MAIS LIBERDADE.

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