1º de janeiro de 2010, hoje. Festas, festejos, homenagens, bajulação, o protocolo e a rotina de uma posse presidencial. A partir de agora, acontecerá?

Helio Fernandes

Dona Dilma já é presidente, Lula jamais admitirá que é ex. É bem possível que esteja onde estiver, amanhã, impensadamente se dirija para o Planalto. É a praxe de 8 anos, que ele, só obrigado, teve que aceitar. (Tudo que eu precisava dizer sobre Lula está na abertura).

Quanto a Dilma, é a realidade, mas rigorosamente incompreensível para muita gente, nem se pode duvidar, até para ela mesma. E não apenas para ela. Qualquer presidente, ao chegar ao Palácio presidencial, se não estiver surpreendido, deverá ser no mínimo presumido.

O dia de hoje passará rapidamente, apesar de altamente cansativo. Amanhã é domingo, então, segunda-feira, todos começarão a ocupar seus cargos, muitos estarão desconfiados da duração e do tempo. Na certa, alguns até admitirão que ficarão até 2014, ou quem sabe, ganharão uma promoção?

Nesse zigue-zague, no tumulto, barafunda e balbúrdia da posse, Lula sentirá pela primeira vez, pelo menos nos últimos 8 anos, que é coadjuvante, deixou de ser participante. E até perguntará para ele mesmo, bem baixinho: “Eu tinha que estar aqui? Não é humilhante para quem sai com 87 por cento de popularidade, escolheu, elegeu e empossou quem desejou?”

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PS – Só que o mais emocionante ou notável na solenidade, não é a frustração de Lula e sim a emoção e a lembrança de Dilma, convidando e recepcionando as 11 companheiras de cela do passado.

PS2 – Foi uma ideia extraordinária. Nesse Planalto imenso e consagrador, mesmo sem palavras, podem sussurrar ou murmurar: “Depois daquela cela minúscula e apertada, quem poderia admitir que terminaríamos aqui? A irrealidade é do passado ou será de hoje?”

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