Dilma e Levy em rota de colisão; quem se desviará?

Pedro do Coutto

A questão do incentivo ao crédito e ao consumo de modo geral colocou flagrantemente em rota de colisão a presidente Dilma Rousseff e o ministro Joaquim Levy, a primeira defendendo tal rumo e o segundo o condenando publicamente. Basta ler a reportagem de Lino Rodrigues, Luciane Carneiro e Marta Beck, O Globo de sábado, para se chegar a essa conclusão política inevitável. Como se trata de um choque entre ambos, cabe a pergunta: quem se desviará para evitar a contradição?

A presidente Dilma Rousseff havia determinado à Caixa Econômica Federal para reduzir os juros destinados ao financiamento de automóveis novos, ocasião em que pediu a sociedade mais consumo de bens no mercado. Isso de um lado. De outro, o ministro da Fazenda ao falar sexta-feira em São Paulo para uma plateia de empresários, mostrou-se contrariado com o que classificou de “alguns segmentos do próprio governo que estão fazendo política de expansão de crédito em momento de aperto da economia brasileira.

“O ajuste, acrescentou, é para todos os setores. Não se pode no momento em que estamos apertando a concessão de crédito, defender a sua expansão. Não adianta subir os juros se vem alguém e expande o crédito.”

A PRÓPRIA DILMA

O ministro da Fazenda não citou nomes, tão pouco poderia, seria demais. Pois o alvo de sua reação, sem sombra de dúvida foi a própria presidente da República, a quem se encontra subordinado e deve, portanto, seguir as diretrizes que ela traça. Entretanto os fatos estão demonstrando que isso não se verifica, uma vez que o ministro tornou pública uma divergência tão frontal. É possível que Joaquim Levy não tenha lido as declarações de Dilma Rousseff, inclusive seu discurso, largamente publicado na imprensa feita em Salvador, na abertura do encontro nacional do PT.

Mas neste caso, pouco provável seu erro político torna-se maior, uma vez que se revela desinformado sobre o que os jornais principais do país publicaram, como é o caso de O Globo, da Folha de São Paulo e de O Estado de São Paulo. Será que o Ministério da Fazenda não possui um serviço de clipagem das matérias que saem? Incrível.

MAIS DIVERGÊNCIAS

Essa divergência entre os pilares do governo não foi a única nos últimos dias. Ós repórteres Catia Seabra, Marina Dias e João Paulo Pitombo, Folha de São Paulo, também no sábado, revelam outro choque, este entre Joaquim Levy e o ministro da Saúde Arthur Chioro, em torno da recriação da CPMF, o imposto do cheque. Chioro a favor, Levy frontalmente contra a reedição do tributo. Assim, o balanço das horas não acrescenta possibilidade de o governo avançar num rumo integrado.

O PT revelou-se favorável a volta do imposto sobre o cheque como era chamada a CPMF. Mas o titular da Fazenda se opõe. Este novo impasse também fica na lista dos problemas que a presidente Dilma Rousseff terá que resolver. E resolver de forma rápida, a mim parecendo não existir a possibilidade de qualquer solução intermediária. Trata-se de matéria concretamente financeira e, como se sabe em dinheiro não existe a saída de mais ou menos, tem que se optar por um dos caminhos.

TEMER E MERCADANTE

Solução contemporizadora pode ser adotada, vamos admitir no caso da divergência entre o vice Michel Temer e o ministro Aloizio Mercadante a respeito do comando da coordenação política. O choque, aliás, foi objeto de magnífica charge de Chico Caruso, na primeira página do Globo de sábado, na qual Mercadante surge puxando o tapete no qual Temer havia colocado os dois pés. Dois pés, dois rumos, várias situações antagônicas dentro do governo.

O antagonismo, como definiu Bárbara Heliodora em um dos últimos artigos de sua vida sobre Shakespeare, é uma face essencial da existência humana. Mas há antagonismos e antagonismos. Os relativos a política são limitados a partidos opostos, nunca entre os integrantes da mesma legenda e do mesmo governo. A tarefa de superá-los exige esforço e, sobretudo, poder de decisão. O poder de decisão é essencial a todos os governantes. Assim, o desafio está lançado sobre a mesa da presidente da República. Ou ela acolhe a teoria de Joaquim Levy, ou fica com sua própria diretriz.

6 thoughts on “Dilma e Levy em rota de colisão; quem se desviará?

  1. Licença: Desculpem a citação, mas são palavras do senador, conforme está no blog 247: Requião lança “Movimento Nos Fodemos” no PR.

    Haja criatividade… o povão (que procura hospitais públicos, transportes coletivos e Ensino Estatal) já sabe disso há muito tempo…

  2. Além de imbecil, boçal, desonesta, mentirosa, incompetente , essa mulher agora ficou totalmente esquizofrênica e portanto contraditória.
    Como é que pode defender ao mesmo tempo 2 coisas tão antagônicas?
    Ou se fazem os difíceis ajustes, cuja consequência óbvia é aumento do desemprego e diminuição do consumo ou se faz uma política expansionista com aumento do consumo, coisa praticamente impossível dado o aumento do desemprego e da insegurança que isso gera.
    Não é por outras razões que todos esses ajustes se mostram totalmente infrutíferos. Como é que se pode ter confiança num governo comandado por uma débil mental que não tem noção de nada.É todo um esforço inútil.
    COMO EU DIGO E REPITO: NÃO HÁ A MÍNIMA POSSIBILIDADE DE QUALQUER RECUPERAÇÃO DO PAÍS ENQUANTO ESTIVER NAS MÃOS DESSA DESQUALIFICADA.!
    Já que falta gente de coragem nas oposições para promover o impeachment é o caso de cobrar então da ANTA PRESIDANTA a única medida mais coerente com o que ela está recomeçando a falar:
    DEMITA O LEVY, MOSTRE QUE VOCE É A MACHONA, A MANDONA, A GERENTONA! VAMOS, BOTE PRÁ QUEBRAR! POR QUÊ É QUE LHE FALTA CORAGEM?

  3. O PT, PMDB e penduricalhos, colocaram o BRASIL em frangalhos, essa questão da CPMF, fiz um comentário na semana passada, sobre uma reunião no Forte de Copacabana com os Secretários de Saúde dos Municípios e Estado, em 2 dias, tendo no 1º, a Dep. Federal Jandira e o falecido Dr. Jatene, que expôs, os motivos do imposto, provisório, para atender o caos na saúde, que ia se tornando definitivo, e que sua renuncia de Ministro da Saúde, foi em ver, que os bilhões arrecadados, não iam para à SAÚDE.
    No 2º dia, compareceu a Chefe da Casa Civil, Dª Dilma, que nada acrescentou aos debates.
    Participei do “evento” com mais um Conselheiro da Saúde, pois, o Secretário de Saúde, não foi.
    Como Conselheiro da Saúde da Cidade em que sobrevivo, temos denuncias comprovadas de corrupção, e o Ministério da Saúde, nada faz, a não ser “demagogia” e apoiar os Planos de Saúde, conforme os anteriores, se voltar este malfadado imposto, é para ser “roubado”, a História nos mostra isso, a SAÚDE ESTA NO CAOS.

  4. O grande e experiente Sr. PEDRO DO COUTTO observa a rota de colisão entre a Presidenta DILMA e seu Czar da Economia LEVY, e se pergunta? quem se desviará. Ambos se desviarão. Um precisa do outro.
    A Presidenta DILMA governou os primeiros 4 anos sob inspiração KEYNESIANA-INTERVENCIONISTA, onde o principal é manter o PLENO EMPREGO, ou o mínimo possível de DESEMPREGO, não interessando onde vai parar o Deficit Público, a Dívida Pública e o Deficit das Contas Nacionais (Balanço de Pagamentos Internacional). Assim, manteve o DESEMPREGO BAIXO ou menor que antes, e a INFLAÇÃO abaixo do teto da Meta de 6,5%aa, e ganhou a Eleição. Por que não continuou com essa Política? Porque ela é igual a um cordão de borracha, estica, estica, até que arrebenta, e na Eleição já estava arrebentando.
    Teve então que mudar para um Política NEO-CLÁSSICA que os Jornalistas e o PT adoram chamar de NEO-LIBERAL, caracterizada por buscar o equilíbrio Macro_Econômico via TRIPÉ, (Superavit Primário, Metas de Inflação e Câmbio Flutuante), não se importando aonde vai parar o DESEMPREGO.
    Antes o fundamental era o DESEMPREGO BAIXO, dane-se o resto. Agora o Fundamental é a Estabilidade Macro-Econômica, dane-se o DESEMPREGO.
    A Presidenta DILMA deu essa guinada de 180º logo depois da Eleição, para escapar da grande possibilidade de Impeachment. Mas ao constatar o grande preço Político que tem que pagar, pelo menos nos próximos 2 anos, (Recessão Econômica), a Política NEO-CLÁSSICA, antes de fazer as coisas melhorarem, PIORA, que a Eleição Municipal de 2016 está aí, que o PT vai “encolher muito”, sofre tremendas pressões do PT e tem “recaídas”.
    Mas, um precisa do outro, e assim nessa dança e contra-dança seguimos em frente, com a inevitável Política NEO-CLÁSSICA, para arrumar a casa. Abrs.

  5. Está certo o ministro Joaquim Levy – o momento é de contração da economia, de restrição do crédito e do consumo, de reequilíbrio das tarifas e preços públicos, do controle da inflação, da estabilização do câmbio em patamar vantajoso às exportações. E tudo isso para possibilitar a retomada da economia logo mais a frente!

    O que esta imbecil está querendo é novamente tentar esticar a corda do crédito para ver se estica o consumo para tampar o buraco da recessão, para os números no final do ano encobrirem a sua incompetência e irresponsabilidade na condução da economia do país. Na cabeça de Dilma Bucéfalo, ainda há chances de pedalar os números da economia para a sua agremiação continuar surfando em alta popularidade.

    Dilma bucéfalo quer atropelar o momento econômico, como se ainda houvesse a possibilidade disso ser feito. Mas, acabou. A economia enviesou de vez para baixo e não há mais como camuflar o status econômico da recessão potencializado com inflação.

    Não há mais margem de manobra. O lance agora vai ser fazer muita propaganda enganosa.

    Só espero que o Sr. Levy não caia na mesma jogada e tente vender algo que ele, também, não possa entregar depois. Como é este o caso de dizer que a inflação já iniciará baixa em 2016.

    Ninguém monitora a inflação melhor que o Banco Central, para o qual a inflação só poderá ser controlada já no final de 2016, isto é, início de 2017.

    Até lá, madame, vai ter que pedalar só bicicleta. É uma verdadeira “pedalomaníaca”.

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