Uma lição de vida, num poema de Mário de Andrade

Mário de Andrade, por Tarsila do Amaral

Mário Assis

De repente, Mário de Andrade voltou à moda, com uma discussão tola de suas preferências sexuais. Seria muito mais interessante e instigante  reler os múltiplos ensinamentos que ele nos deixou, nos diversos campos da cultura.

Assim, peço licença ao nosso mestre Paulo Peres, do site Poemas & Canções, para lembrar a todos aqui este extraordinário poema de Mário de Andrade, que é uma das melhores lições de vida já escritas.

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O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS

Mário de Andrade

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui
para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas..
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam
poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir
assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar
da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo
de secretário geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência,
minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana,
muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com
triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua
mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

One thought on “Uma lição de vida, num poema de Mário de Andrade

  1. Palavra que eu não entendo e nem me acostumo com essa curiosidade, a meu ver mórbida, no brasil, sobre a vida sexual dos outros. A denominação do assunto já dá uma dica de como o mesmo deveria ser tratado: vida íntima, ‘partes’ íntimas, tudo apontando para intimidade, privacidade, …. Fica um bando de desocupados, alguns até intitulando-se “jornalistas”, “pesquisadores”, que só se interessam por esse assunto: era homossexual? não era? Afff… que coisa chata! o importante é o legado intelectual, a obra deixada para as futuras gerações, esses é que devem ser pesquisados, lidos, analisados, não a orientação sexual do finado. Que os gays se atormentem com isso, procurando expoentes para reforçar a sua causa é uma coisa que até se entende, como por exemplo, quando eles anunciam de forma escandalosa e ‘bombástica’ que Jesus Cristo, Paulo de Tarso, o Rei Davi e seu amigo Jônatas e até o filho de Davi, rei Salomão, que teve 300 mulheres e 700 concubinas, foram gays. Agora, ser ‘bombardeado’ com essas ‘pesquisas’, é ‘dose.’

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