Corrupção foi o desastre que levou à Operação Lava-Jato

Pedro do Coutto

O senador Waldemir Moka (PMDB-MS), da ala independente do partido, foi quem colocou, de acordo com reportagem de Júnia Gama e Maria Lima, O Globo edição de quarta-feira, de forma clara e objetiva a questão desencadeada no país com a sequência de assaltos à Petrobrás. Afirmou ele: a Operação Lava-Jato foi a consequência legal e lógica da corrupção desenfreada que, digo eu, reuniu ladrões de casaca e intermediários num processo sem limites de assalto contra a estatal.

O tema foi suscitado em decorrência de declaração feita na véspera pela presidente Dilma Rousseff de que a Lava-Jato causou o recuo de um ponto no volume do PIB do país. Pode até ter sido. Mas como consequência, não como causa, de um processo gigantesco de corrupção, cuja escala alcança bilhões de reais e até de dólares. Aliás Júnia Gama e Maria Lima incluíram também na matéria declarações do ministro Nelson Barbosa, em sentido contrário a da presidente da República, sustentando que a Lava-Jato pode ter um impacto de curto prazo, mas os efeitos do combate à corrupção são benéficos a longo prazo.

Claro. Imaginem os leitores se o processo de assalto se alongasse ainda por mais tempo. Se ao longo de onze anos, de 2003 a 2014, causou as consequências que foram e continuam sendo reveladas, projete-se essa conduta por mais tempo. Os efeitos teriam de surgir inevitavelmente porque o que existe aparece. Uma parte dos autores dos assaltos, inclusive, deixou transparecer o roubo praticado com uma evolução patrimonial incompatível com sua renda mensal. Basta cotejar o antes com o depois. As nuvens de quaisquer dúvidas desapareceram. Dinheiro não cai do céu, diz o velho ditado. Patrimônio não pode se acumular em rápidos espaços de tempo.

APENAS REVELOU

Os ladrões roubaram quantias imensas. A Lava-Jato apenas revelou.
A explosão da corrupção foi efetivamente a causa da retração da economia. Deixou a população temerosa e perplexa temendo pelo futuro e, com isso, retraindo o consumo. Efeito psicológico natural. Sob o ângulo material, verifica-se que a elevação dos preços funcionou como fator restritivo pela impossibilidade de os salários acompanharem, os preços. A única saída da sociedade é a de se defender como for possível. Dentro da lei, é claro, no caso a oferta incessante pela publicidade, e a procura contida pela impossibilidade de adquirir e pelo temor – lógico – de assumir ainda mais dívidas. Prova disso é a escala de prestações em atraso com as pessoas tendo que optar quais pagamentos podem ser postergados.

O pagamento de compromissos, assim, transformou-se numa ciranda da escolha, refletindo-se com forte intensidade na cobrança de juros. E como as taxas de juros superam por larga margem, as taxas oficiais de inflação, os atrasos de pagamento tornam-se até um bom negócio para os credores. Daí as renegociações que oferecem. Até porque sem tais acertos, as dívidas tornar-se-iam incobráveis. Portanto o endividamento criou um nítido mercado paralelo especialmente para as empresas comerciais. Uma maneira de multiplicar o capital no sistema de comércio sem a necessidade de investir na aquisição de novos produtos junto a indústria e também sem a necessidade de conseguir espaço para estica-los, uma vez que os clientes são escassos.

Tal processo projeta-se nitidamente no cenário econômico. A causa original, da qual surgiram tantos efeitos negativos, foi a velocidade da atuação que reunia corruptores e corruptos. Sobretudo porque o preço da corrupção, por sinal, estava embutido no sobrepreço dos contratos da Petrobrás. A Lava-Jato foi um freio, não um acelerador.

6 thoughts on “Corrupção foi o desastre que levou à Operação Lava-Jato

  1. Ótima análise, Sr. Pedro, o país parou pela corrupção que destruiu a capacidade de investimentos, sobretudo da Petrobras que era responsável por 2% do PIB em investimento. Mas, o país parou, também, pela inépcia, pela inconsequência de uma presidente e sua equipe econômica de prever os resultados do relaxamento da política fiscal e de conduzir o aparelho estatal de modo tão perdulário.

    O que fica cada vez mais claro é a irresponsabilidade com a condução do país, visto por esta gangue que nos governo como mero instrumento de tomada de poder pelo poder.

    Neste sentido, observando o continuísmo dos métodos e meios pelos quais se servem, o impeachment é o único meio democrático, plausível e mais rápido de retomar o Estado Democrático de Direito das mãos desses bandidos.

    Cada minuto conta contra o Brasil.

  2. SINAL DESASTROSO NA ECONOMIA

    A semana foi encerrada com uma sinalização desastrosa do governo de Dilma Rousseff sobre o futuro imediato da Nação, ao revisar as metas de arrecadação e de superávit primário. De novo, temos que a presidente reafirmou sua crença no desenvolvimentismo e não deu bolas para a racionalidade. A reação do mercado foi imediata, com seguidas quedas na bolsa de valores e desvalorização do real. O Brasil pode perde o famoso grau de investimento.

    Surpresa ainda maior que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tenha endossado essa insanidade, quando, dois dias antes, foi peremptório ao dizer que a meta de superávit primário não seria revista. A imprensa registrou que ele foi derrotado pela linha “desenvolvimentista”, nomeadamente o ministro Aloizio Mercadante e pelo ministro Nelson Barbosa. Na verdade, foi derrotado mesmo pelas crenças da presidente, que nisso ela tem sido muito consistente ao longo do tempo. Joaquim Levy virou um morto-vivo dentro do governo, soterrado pelo poderio daqueles que seguem a ideologia nociva oriunda da CEPAL, o desenvolvimentismo.

    Ao aceitar o número de 0,15% do PIB como meta, o governo confessou sua impotência diante dos gastos, mesmo diante da queda brusca nas receitas, verificada no primeiro semestre. Foi o mesmo que confirmar para a sociedade que o governo fechará 2015 deficitário fiscal em larga escala, podendo haver expansão da dívida pública, piorando a sua relação com o PIB. Só a conta da elevação dos juros da dívida pública vai devorar um bom pedaço do produto. É bem verdade que um corte maior de gastos envolveria cortar as despesas correntes, de onde o PT retira seus recursos, emprega seu pessoal e tenta obter legitimidade. Mas esta legitimidade é também derivada da estabilidade, que foi perdida. De agora em diante veremos o esfacelamento da economia, via inflação e via desvalorização cambial. Ninguém sabe onde acabará, onde é o fundo do poço. Os índices de popularidade da presidente, já indigentes, cairão ainda mais.

    A crise política em curso será agravada pela divulgação paulatina dos indicadores econômicos ao longo dos próximos meses. Fato que a inflação chegará aos dois dígitos, barreira psicológica que afetará profundamente o governo diante da opinião pública. Os déficits crescentes a serem registrados jogarão sobre o país a desconfiança dos investidores, piorando as coisas. Poderá haver fuga de capitais.

    Só caberia ao ministro Joaquim Levy demitir-se imediatamente, sinalizando de vez a opção estratégica de política econômica feita pelo governo. Sua permanência no governo é uma imoralidade, pois endossa a irresponsabilidade fiscal assumida. Esse certamente é o melhor momento para a sua saída, pois a decisão foi sacramentada contra sua vontade e ele não tem mais em que contribuir para contornar a crise econômica. A menos que queira se manter no governo até que ele afunde, o que seria ainda mais indecoroso.

    Dilma Rousseff jogou todas as suas fichas ao optar pela irresponsabilidade fiscal, mas quem pagará a conta são os brasileiros. As condições materiais para que ela continue a governar estão desaparecendo rapidamente.

    Quem viver verá.

    http://www.nivaldocordeiro.net

    • A inflação no grupo de despesas com preços administrados pelo governo JÁ ESTÁ EM DOIS DÍGITOS: 15,10%.

      Tabela de variação agrupada da inflação anualizada, isto é, acumulada em doze meses:

      Grupo de despesa………….Variação Individual x Peso…………Variação Agrupada
      ——————————————————————————————————————————–
      Itens de preços livres………………………6,95% x 76,23%………….5,30%
      Itens de preços monitorados………….15,10% x 23,77%………….3,59%
      ——————————————————————————————————————————–
      Variação total……………………………………………………………………..8,89% (inflação acumulada)

      Fonte: IBGE e BACEN.

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