Classe média endividada

José Carlos Werneck

Nunca em período algum de nossa história vivemos uma fase em que a chamada classe média esteja tão endividada. Milhares de automóveis novos circulam por todas as cidades brasileiras, mas a grande maioria não pertence a quem está ao volante. São veículos alienados aos estabelecimentos de crédito, que os financiaram a seus “proprietários”, a juros extorsivos e que as pessoas não conseguem pagar. Os aposentados e pensionistas tem os seus contracheques quase que totalmente comprometidos pelos empréstimos consignados, que apesar de totalmente garantido para os credores, inexplicavelmente e levando-se o risco zero, para esses, tem juros também altos.

Isso tudo sem falar nos juros altíssimos dos empréstimos pessoais, do cheque especial e dos abusivos, irreais e estratosféricos cobrados nos cartões de crédito.

Por outro lado, é sabido que uma economia para ser auto-sustentável e crescer de fato é  preciso que se tenha uma Poupança Interna robusta. Mas as autoridades monetárias não estimulam a Poupança Interna, pois os poupadores recebem por suas aplicações, remuneração ridícula e risível se comparada aos juros que pagam, quando são obrigados a recorrer às instituições financeiras.

Com a inflação controlada são injustificáveis os juros cobrados aos tomadores de empréstimos no Brasil. Não adianta apresentar vistosos índices econômicos à Comunidade Internacional, se a população brasileira não consegue, por absoluta impossibilidade, saldar os compromissos assumidos.

Ofereceram crédito abundante e fácil aos desavisados, que hoje foram levados à falência e ao desespero. Ao conceder os empréstimos, os estabelecimentos bancários e as financeiras, sequer examinaram a capacidade, que os tomadores tinham de honrar seus compromissos. Isso se pode constatar pelo alto número de veículos devolvidos por atraso no pagamento das prestações, nos cartões de crédito cancelados por inadimplência e em grande parte da população ser despertada todas manhãs, pelos telefonemas dos credores, querendo saber quando vão pagar seus compromissos, como se alguém os deixassem de pagar, se tivesse condições para tal.

Muitos devedores lotam os consultórios médicos, com sintomas de hipertensão, isso quando não sofrem enfartes e AVCs, tal o desespero a que são levados.

Por tudo isto, o consumidor ao ser cobrado, deve antes de tudo procurar um advogado e levar os contratos firmados para indagar de seus direitos, Se não puder fazê-lo por falta de dinheiro, são muitos os núcleos de assistência jurídica de diversas faculdades de Direito e a Defensoria Pública em todas as unidades da Federação que prestam gratuitamente e com muita competência este tipo de serviço. E em caso de impossibilidade absoluta de saldar a dívida oriunda, por exemplo, da compra de um veículo devolva o mesmo, pois é melhor perder o carro do que a saúde ou a própria vida.

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