Parem, antes que seja tarde

Carlos Chagas

A impressão foi de um bate-boca entre o Joãozinho e o Juquinha. Se quiserem, entre dona Mariquinhas e dona Maricota. Falamos do primeiro debate do segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra. Os mesmos chavões, as mesmas propostas, ainda que em decibéis mais agudos.

Tudo organizado para um show daqueles da década de cinqüenta, tanto faz se “Espetáculos Tonelux” ou “Noites do Ponto Frio”, com direito a orquestra e apresentação dos candidatos como num programa de calouros. Felizmente o mediador, Ricardo Boechat, evitou transformar-se no Chacrinha ou no Flávio Cavalcanti. Manteve-se sóbrio, sem exageros, deixando as baixarias para os convidados.

Dilma agrediu, passando da defesa ao ataque. No começo,  Serra caiu na armadilha, mas,  fora as acusações mútuas  de duas caras ou de mil caras,  acima e além do uso continuado do verbo tergiversar e de pegadinhas sobre os telefones celulares e os “orelhões”, pouco conteúdo sobrou para esclarecer quem se dispôs a ficar acordado até depois da meia-noite.

Pela primeira vez num debate o candidato tucano valeu-se do governo Fernando Henrique, citado nominalmente algumas vezes como  base das realizações do governo Lula. Dilma rebateu  acusando o sociólogo de tentar a mudança de nome da Petrobrás para Petrobrax,  mas viu o Lula ser  atacado por privatizar dois bancos estatais, no Pará e no Maranhão. Serra anunciou que, eleito, irá “estatizar”  a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, os Correios, o BNDES,  a Vale do Rio Doce e outras empresas transformadas pelo governo Lula em cabide de emprego para companheiros.

Registre-se, também, a sutil acusação de Serra contra a adversária que,  no passado,   teria dito  duvidar da existência de Deus, mas hoje apresenta-se como uma beata, segundo o  tucano.  No mais, um amontoado de chavões e falsas promessas.

PARA EVITAR ERROS FUNDAMENTAIS

Vai para os dois candidatos presidenciais,  a título de esclarecimento,  para evitar futuros vexames:

Calúnia é a imputação falsa de um fato definido como crime. Exemplo: “Fulano de Tal é ladrão”. Trata-se de calúnia quando ele não é ladrão,  porque roubar é crime. A acusação exige a exceção  da verdade, ou seja, a prova da verdade, em  juízo, para que alguém não  seja condenado por calúnia.

Difamação é a imputação de um fato que não é crime, mas ofende a reputação de alguém. Exemplo: “Fulano de Tal era pobre mas  ficou rico depois que foi para o Ministério”. Ser pobre não é crime, enriquecer também não, mas do jeito que a acusação foi formulada, acaba com a imagem da pessoa. A exceção da verdade só é admitida em juízo quando a denúncia  se faz contra funcionário público no exercício da função pública.

Injúria é a ofensa à dignidade e ao decoro de alguém. Exemplo: “Fulano de Tal é um merda”. Fica  proibida a prova da verdade, porque nenhum exame  revelará que nas veias do injuriado corre cocô, em vez de sangue…

MILAGRES ACONTECEM

Em   Washington  o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, declarou que o Brasil não colocará   em risco o bom momento de   nossa economia para ajudar os países ricos a saírem de suas dificuldades.  Criticou os Estados Unidos, que querem tirar as castanhas do fogo com  a mão do gato, ou seja, com o sacrifício dos emergentes.

Há quem identifique nessa surpreendente declaração de Meirelles   um movimento à esquerda, visando permanecer no governo,  na hipótese de vitória de Dilma.

ALTERNATIVAS

Luciano Coutinho  na Fazenda, Antônio Palocci na Petrobrás, Paulo Bernardo na Casa Civil, Edison Lobão nas Minas e Energia, Fernando Pimentel no Desenvolvimento Industrial, Franklin Martins nas Comunicações  – esses os nomes objeto de especulação da semana,  para o futuro ministério. Claro, se Dilma Rousseff vier a ser   eleita.

Do lado de José Serra, caso ele ganhe a eleição, alguns nomes são tidos como prováveis: José Gregori, para a Justiça; Sergio Amaral ou Rubens Barbosa, para as Relações   Exteriores; Aloysio Nunes Ferreira, eleito senador, para a Casa Civil;  Aécio Neves, eleito senador, para líder do governo no Senado; Paulo Renato, para a Educação.

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