A Poesia no oferece signos nem linguagem especfica, dizia Rachel de Queirz

Resultado de imagem para raquel de queirozPaulo Peres
Site Poemas & Canes

A romancista, contista, tradutora, jornalista e poeta cearense Rachel de Queirz (1910-2003), em Geometria dos Ventos, mostra a poesia livre, sem limites de idioma, espontnea.

GEOMETRIA DOS VENTOS
Rachel de Queirz

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que no oferece signos
nem linguagem especfica, no respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artrias,
to espontnea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo to elaborada –
feito uma flor na sua perfeio minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
j dentro da geometria impecvel
da sua lapidao.
Onde se conta uma histria,
onde se vive um delrio; onde a condio humana exacerba,
at fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassis de fogo,
sombra de Eva Braun, envolta no mistrio ao mesmo tempo
fcil e insolvel da sua tragdia.
Sim, o encontro com a Poesia.

9 thoughts on “A Poesia no oferece signos nem linguagem especfica, dizia Rachel de Queirz

  1. Tribalistas 2017

    “Somos comunistas
    E capitalistas
    Somos anarquistas
    Somos o patro
    Somos a justia
    Somos o ladro
    Somos da quadrilha
    Viva So Joo

    Somos todos eles da ral da realeza
    Somos um s, um s
    123, somos muitos, quando juntos
    Somos um s, um s

    Somos democratas
    Somos os primatas
    Somos vira-latas
    Temos pedigree
    Somos da sucata
    E voc a?
    Somos os piratas
    Guarani-tupis

    Somos todos eles da ral da realeza
    Somos um s, um s
    123, quando juntos, somos muitos
    Somos um s, um s

    Mar me fere
    Mar me fere
    Mar me banha

    Mar, me leve
    Mar, me leve
    Mar me ganha

  2. “Acalmou a tormenta
    Pereceram
    Os que a estes mares ontem se arriscaram
    E vivem os que por um amor tremeram
    E dos cus os destinos esperaram

    Onde est
    Meu irmo
    Sem Irm
    O meu filho sem pai
    Minha me
    Sem av
    Dando a mo pra ningum
    Sem lugar
    Pra ficar
    Os meninos sem paz
    Onde ests
    Meu senhor
    Onde ests?
    Onde ests?

    Deus
    Deus onde ests
    Que no respondes
    Em que mundo
    Em questrela
    Tu tescondes
    Embuado nos cus
    H dois mil anos te mandei meu grito
    Que embalde desde ento corre o infinito
    Onde ests, Senhor Deus

    Atravessamos o mar Egeu
    O barco cheio de fariseus
    Como os cubanos, srios, ciganos
    Como romanos sem Coliseu
    Atravessamos pro outro lado
    No Rio Vermelho do mar sagrado
    Os Center shoppings superlotados
    De retirantes refugiados

    You, where are you?
    Where are you?
    Where are you?
    Where are you?
    Where are you?”

    Dispora – Tribalistas 2017

  3. O Amor da Rosa Branca

    Num certo mundo encantado havia um beija-flor,
    Que vivia muito ocupado a voar de flor em flor.
    Num constante vaivm, em repetidos clamores,
    Jurava sempre querer bem e amar todas as flores.

    Mas elas bem sabiam que o que o atraia era o perfume
    De uma rosa branca que fazia s outras inveja e cime.
    Um dia, porm, surgiu no jardim uma flor muito formosa,
    Pequenina como o jasmin, e perfumada como a rosa.

    A sua graa e encanto logo o beija-flor seduziu,
    E a rosa branca com o pranto de dor as ptalas tingiu.
    Muitos dias passaram, sempre tristes e cinzentos,
    Sem que nela houvesse, ao menos, esperana ou alento.

    Certa manh, porm, muita supresa ela viu
    Enxames de abelhas a voar, e um girassol que se abriu.
    Viu tambm milhares de jasmins, begnias e margaridas
    Radiantes a festejar a primavera bem-vinda.

    Primavera! Primavera! Parecia a natureza clamar,
    E os perfumes, do jardim, misturavam-se no ar…
    De repente a rosa viu, vindo de um canteiro distante,
    Um pequenino beija-flor, falando s flores, galante.
    Um frisson incontido por suas ptalas correu:
    Era ele que voltava, afinal, o seu amado Romeu!

    Z Descalo, carpinteiro e poeta de Timbiricica

  4. Bom Setembro para todos.

    Sol de Primavera
    Beto Guedes

    Quando entrar setembro
    E a boa nova andar nos campos
    Quero ver brotar o perdo
    Onde a gente plantou
    Juntos outra vez

    J sonhamos juntos
    Semeando as canes no vento
    Quero ver crescer nossa voz
    No que falta sonhar

    J choramos muito
    Muitos se perderam no caminho
    Mesmo assim no custa inventar
    Uma nova cano
    Que venha nos trazer
    Sol de primavera
    Abre as janelas do meu peito
    A lio sabemos de cor
    S nos resta aprender

    J choramos muito
    Muitos se perderam no caminho
    Mesmo assim no custa inventar
    Uma nova cano
    Que venha nos trazer
    Sol de primavera
    Abre as janelas do meu peito
    A lio sabemos de cor
    S nos resta aprender

  5. “O povo diz que o cu la em cima e o inferno l embaixo. Mas se a Terra redonda e tem cu em toda a volta, onde fica o inferno?”. Meu pai, meio agnstico, meio crente, me deu uma palmadinha carinhosa e se saiu: “O inferno aqui mesmo. V brincar!” Rachel de Queirz

  6. Telha de Vidro – Rachel de Queiroz
    Quando a moa da cidade chegou
    veio morar na fazenda,
    na casa velha…
    To velha!
    Quem fez aquela casa foi o bisav…
    Deram-lhe para dormir a camarinha,
    uma alcova sem luzes, to escura!
    mergulhada na tristura
    de sua treva e de sua nica portinha…
    A moa no disse nada,
    mas mandou buscar na cidade
    uma telha de vidro…
    Queria que ficasse iluminada
    sua camarinha sem claridade…
    Agora,
    o quarto onde ela mora
    o quarto mais alegre da fazenda,
    to claro que, ao meio dia, aparece uma
    renda de arabesco de sol nos ladrilhos
    vermelhos,
    que coitados to velhos
    s hoje que conhecem a luz do dia…
    A luz branca e fria
    tambm se mete s vezes pelo claro
    da telha milagrosa…
    Ou alguma estrela audaciosa
    careteia
    no espelho onde a moa se penteia.
    Que linda camarinha! Era to feia!
    Voc me disse um dia
    que sua vida era toda escurido
    cinzenta,
    fria,
    sem um luar, sem um claro…
    Por que voc no experimenta?
    A moa foi to bem sucedida…
    Ponha uma telha de vidro em sua vida!

    • Rachel de Queiroz ficou famosa por seus romances e crnicas na revista “O Cruzeiro”, mas tambm tem passagem pela poesia,como este belo poema “Telha de vidro”.

  7. Severa Atriz

    Foi a poca das metforas, mas isso no o melhor, o melhor a liberdade. Fica definitivamente combinado que o melhor sempre a liberdade. Marieta Severo

    Vamos da Zona Norte Zona Sul
    Deixar a vida toda azul
    Mostrar da vida o que faz bem
    Praa Onze, Praa Onze Chico Ansio / Joo Roberto Kelly

    Singular e Plural

    Chicos e chico

    No exijas dos outros qualidades que ainda no possuem.
    Chico Xavier

    Praa 11 ficam Caravanas passa

    http://mundovelhomundonovo.blogspot.com.br/2017/09/severa-atriz.html

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.