O tempo vai para trás ou para diante?, perguntava o poeta Dante Milano

Resultado de imagem para dante milano

Milano, retratado por Portinari

Paulo Peres

Site Poemas & Canções
O poeta Dante Milano (1899-1991), nascido em Petrópolis (Rio de Janeiro), foi um dos mais destacados elementos representativos da terceira geração do Modernismo. No poema “Ao Tempo”, faz criativas indagações sobre o ir e vir da passagem do tempo. Afinal, para onde o tempo vai?

AO TEMPO
Dante Milano

Tempo, vais para trás ou para diante?

O passado carrega a minha vida
Para trás e eu de mim fiquei distante,
Ou existir é uma contínua ida
E eu me persigo nunca me alcançando?
A hora da despedida é a da partida

A um tempo aproximando e distanciando…
Sem saber de onde vens e aonde irás,
Andando andando andando andando andando

Tempo, vais para diante ou para trás?

2 thoughts on “O tempo vai para trás ou para diante?, perguntava o poeta Dante Milano

  1. Seu Dante, sei que o senhor está em outra dimensão, mas é preciso respeitosamente lhe dizer una cosita: “The Arrow of Time é um conceito desenvolvido em 1927 pelo astrônomo britânico Arthur Eddington envolvendo “uma direção” para o tempo. Esta direção pode ser determinada pelo estudo da organização dos átomos, moléculas e corpos, e pode ser esquematizada num mapa relativístico de quatro dimensões do universo”.
    Deu pra entender? Eu também não entendi bulufas!

  2. Esse poema me lembra a canção de Milton Nascimento – Encontros e Despedidas “A hora do encontro/é também, despedida – Milton
    “Ou existir é uma contínua ida
    E eu me persigo nunca me alcançando?
    A hora da despedida é a da partida” Dante Milano

    Um grande poeta, esquecido, injustamente. Belo trabalho de resgate faz o nosso poeta Paulo Peres.

    Gosto também de Pietá que sofre a pior das dores – vê um filho morto – é pior do que a dor do parto

    Pietá – Dante Milano

    Essa mulher causa piedade
    Com o filho morto no regaço
    Como se ainda o embalasse.
    Não ergue os olhos para o céu
    À espera de algum milagre
    Mas baixa as pálpebras pesadas
    Sobre o adorado cadáver.
    Ressuscitá-lo ela não pode,
    Ressuscitá-lo ela não sabe.
    Curva-se toda sobre o filho
    Para no seu seio guardá-lo,
    Apertando-o contra o ventre
    Com dor maior que a do parto.
    Mãe, de Dor te vejo grávida,
    Oh, mãe do filho morto!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *