16 milhões de desempregados derrotaram Obama. No Brasil, dois terços da população de lá, 8 milhões sem trabalho. Os poderosos lobistas do PMDB podem destruir o governo que não começou.

Helio Fernandes

Governar é cada vez mais difícil, complicado, tumultuado, a impressão é de que quanto mais bem intencionado o presidente, mais ele se impopulariza. O melhor exemplo no momento, se chama Barack Obama. Exatamente há dois anos, num outro 4 de novembro, depois de uma campanha que movimentou o país inteiro, se elegia presidente, mesmo sem o voto obrigatório.

É impossível condenar, desprezar ou subestimar esse 2 anos de Obama. Fez o possível e o imaginável para favorecer a maioria. Favoreceu, mas no mundo inteiro quem puxa as alavancas do Poder é a minoria. E Obama desgostou e desafiou essa minoria, principalmente na questão de saúde, o povo americano não tinha nenhuma.

Agora, perde a maioria na Câmara. Mantém ligeira vantagem no Senado, mas no sistema dos EUA, o Senado tem formidável poder de fiscalização, mas pouco para ajudar o governo e a administração. Quem tem força, inclusive para impedir o presidente de fazer, é a Câmara. E esta passa a ser controlada pelo Partido Republicano.

Obama assumiu com 16 milhões de desempregados, não criou nenhum emprego, mas não desempregou ninguém. Não é o suficiente, todos precisam trabalhar, embora o “pleno emprego” tenha sido sempre uma quimera, sonho ou fantasia. Podemos comparar com Franklin  Delano Roosevelt, que assumiu pela primeira vez em 5 de março de 1933 (a data da posse mudaria 19 anos depois) com os mesmos 16 milhões sem terem o que fazer.

A população era bem menor, o que significa que esse número era mais assustador. O desemprego do tempo de Roosevelt e o de Obama, 75 anos depois, tinham a mesma origem que se repetirá sempre: A JOGATINA FINANCEIRA, que explodiu o mundo em 1929 e em 2007.

Roosevelt só foi assumir em 1933, com a crise de 1929, o que prova e comprova que os EUA ficaram 4 anos à deriva, sob o olhar incompetente de Hoover, enquanto Roosevelt era “apenas” governador de Nova Iorque. Foi logo tomando providências, criou o New Deal, estatizou tudo, construiu aceleradamente. Morreu no quarto mandato, deixou o país em franca prosperidades.

Os estadistas não deveriam morrer.

A esperança Obama assumiu com as mesmas dificuldades de Roosevelt. Por causa do desatino e da insanidade financeira, Obama foi obrigado a “injetar”, que palavra, trilhões de dólares nesse mercado-cassino. É impossível controlar esse mercado-cassino, o que resta é “ajudá-lo” com o dinheiro do cidadão-contribuinte-eleitor.

Mas como isso cria e estimula riquezas vergonhosas, mas não cria um só emprego, quem paga a conta é sempre o presidente, qualquer que seja ele. E o momento desse pagamento é o ponto que deveria ser o mais alto da democracia: A ELEIÇÃO.

Enquanto Obama tenta se livrar desses mercenários do sistema, vejamos o que Dona Dilma consegue com os mercenários-lobistas do PMDB. Não conseguirá nada. Assim que, por deliberação ou descuido, anunciou a “equipe de transição sem ninguém do PMDB”, desabou sobre ela o rolo-compressor do chamado maior partido do Brasil.

Os lobistas que dominam o PMDB acionaram imediatamente seus poderes, Michel Temer recebeu telefonema da própria Dilma, o presidente do PT foi conversar com esse presidente do PMDB. Tomaram café da manhã na majestosa casa oficial de Temer (ainda presidente da Câmara), tudo se acertou.

José Eduardo Dutra saiu do encontro, procurou os outros dois petistas da “equipe” e comunicou: “A presidente mandou dizer que o vice-presidente tem que fazer parte da equipe”. E todos eles, mais servis, servos e subservientes do que compreensíveis ou humildes: “Lógico, Temer é o nosso chefe, tem que fazer parte da equipe”.

É a glorificação da subserviência, a reverência à mediocridade, inutilidade mas habilidade do vazio Michel Temer. Não quero relembrar, mas disse aqui várias vezes: “Escolher Temer para vice-presidente é insensato e suicida”. Aconteceu, como poderia deixar de acontecer?

Dilma enfrenta esses terríveis obstáculos, sem conseguir ultrapassá-los, enquanto ainda tem como couraça, no Planalto, o próprio presidente que a elegeu. E dentro de 2 meses, quando estiver sozinha e isolada nesse imenso e assustador Planalto?

No dia 1 º de janeiro, estará e entrará absoluta nesse Planalto, mas atingida pelas concessões que teve que fazer ao PMDB. E que crescerão, não mais como reivindicações, e sim transformadas em exigências pelas comparações com o poderoso PMDB.

E a incógnita PT, não representada por Dutra, Cardoso ou Palocci (este vetado, desprezado, desfigurado ou diminuído pelo próprio Lula), ainda não se pronunciou. Seus porta-vozes são outros, suas necessidades e exigências, é a palavra, irrecusáveis.

***

PS – Quando falam no desemprego, usam o “por cento”, por que não explicam limpamente ao cidadão? Falam que o desemprego no Brasil, “está em 8,3%”. Por que não dizem 8 milhões? Idem, idem nos EUA.

PS2 – O PMDB não tem a menor preocupação com isso. Querem apenas “usar e abusar” das mordomias, o desgaste fica com a presidente Dilma. E como consideram que ela é mais fraca do que Lula, então avançaram nas exigências.

PS3 – Querem no mínimo 7 ministérios (fora os cargos que não são ministérios, mais suculentos e com menor fiscalização) de PORTEIRA FECHADA. O que é isso?

PS4 – É um GOVERNO DENTRO DO PRÓPRIO GOVERNO, o PMDB nomeia o Ministro e preenche dos milhares de cargos, mandando o papel em branco para a presidente assinar. Sem ler e sem saber o que está assinando.

PS5 – Lula, numa entrevista pífia, falsa e inoportuna, pediu: “É preciso que o país torça para que a Dilma dê certo”. Puxa, se t-o-r-c-e-r ajudasse, nem precisaria de alternância no Poder. Como na verdade não está havendo. A única novidade é o aparecimento de uma mulher.

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