16/08 e a questão da legitimidade

Percival Puggina

Nosso jornalismo, há muitas décadas, foi tomado de assalto pelos que chamo “pedagogos da opinião pública”. Por sua visibilidade, do alto de suas posições nos meios de comunicação, sentem-se como mestres em salas de aula, praticando contra a opinião pública o mesmo abuso mental que tantos professores praticam com os alunos, mediante influência e poder. Uns e outros, pedagogos da opinião pública e professores militantes, operavam antes de o PT nascer e prepararam dedicadamente seu caminho ao poder. Era na base do nós e eles. Simples assim: a esquerda era o bem e, fora dela, nada haveria que prestasse.

Algumas coisas sobre si mesmos eles já compreenderam, ao longo dos últimos meses. Seu prestígio despencou junto com o daqueles a quem emprestavam ou vendiam apoio. Seus discípulos já lhes viram as costas. São formadores de opinião que não formam opinião alguma e cujas manifestações exigem enorme esforço mental. Não é fácil parecer que não fazem exatamente aquilo que estão fazendo, mas “pegaria mal” se fizessem.

Exemplifico. Os pedagogos da opinião pública não são contra as passeatas. Mas ensinam que “Impeachment-já!” recusa o ritmo constitucional que aponta para a sequência crime, acusação, julgamento e (só então) impeachment. Entenderam? Segundo eles, os manifestantes deveriam sair às ruas, Brasil afora, levando faixas mais ou menos assim: “Impeachment, se possível, quando possível!”. Quem carregaria uma peça dessas?

MENOS ÓDIO

Animados com uma candura e uma doçura que exige um canavial inteiro propõem “menos ódio” nas manifestações. Engraçado, não é mesmo? Que fim levou a boa e velha indignação pela qual tanto cobravam quando serviam ao PT oposicionista? Agora, a justa indignação virou ódio? Sentimento maligno, politicamente hediondo, pimenta que arde no olho?

Eles nos ensinam, também, que o “Fora Dilma!” é frase autoritária. Diagnosticam que ela fere a legitimidade do mandato da presidente. Como pode alguém dizer “Fora Dilma!”, seis meses depois de a presidente ter sido eleita com maioria de votos?

É a pedagogia da conformidade bovina. Se for assim e para isso, a gente fica em casa assistindo um filmezinho, que é exatamente o desejo por trás dessa pedagogia para boi no cercado.

LEGITIMIDADE

Falemos, então em legitimidade, jornalista pedagogo militante. De que legitimidade falas quando te referes ao atual mandato da presidente? Da legitimidade alcançada com votos atraídos pelo festival de mentiras, mistificações e falsidades que se derramou pelo país em 2014? Da legitimidade via votos comprados com bilhões de nosso dinheiro? Da legitimidade alcançada com ameaças de que um festival de desgraças se abateria sobre o país em caso de vitória da oposição (para logo após a adotar aquelas mesmas medidas contra as quais verberava)? Da legitimidade via urnas eletrônicas? Via Smartmatic? Via apuração sigilosa? Da legitimidade de quem agora não arregimenta mais do que 7% dos eleitores?

O povo não estaria nas ruas se não se sentisse enganado, ultrajado e furtado! Aprendam isso e aprendam a ouvir o povo, em vez de apenas falar-lhe. Aproveitem do caráter, este sim pedagógico, das manifestações dos últimos meses. E com o que ainda lhes reste de consciência, arrependam-se do que ajudaram a produzir no país. O preço desse constrangedor serviço está sendo pago com corrupção em proporções jamais vistas, com recessão, inflação, desemprego, carestia, perda de credibilidade nacional e humilhação perante as demais nações. Está de bom tamanho?

18 thoughts on “16/08 e a questão da legitimidade

  1. Até onde li na web, todos os presidentes solicitaram ajuda dos Espíritos e Orixás para se manterem nos Poderes. Dizem que o Pai de Santo do ex-presidente Sarney é muito bom nessa área. Recentemente a presidenta Dilma esteve no Maranhão, parece que o Médium de Codó-MA, andou mexendo nas Energias pró-Dilma. Por enquanto ela continua com a Faixa Presidencial … vamos aguardar …
    Eu acredito nessas magias …

  2. Olha, a conclusão sobre a ilegitimidade do governo é perfeita, e está estampada nas pesquisas do Instituto Datafolha que retrata, inclusive os movimentos sociais contra o PT.

    • Uma pena o cidadão brasileiro não ter tido condições para avaliar a economia e as jogadas políticas e administrativas da gerentona e seu ministro mendaz com o fito de garantir o êxito eletivo.

      Uma pena o brasileiro ter tão pouco arcabouço de conhecimento e ainda estar ligado em futebol, samba e novela.

      São as trevas sociais de um país que não consegue, por isso, sair do ciclo vicioso do lobby, dos conchavos políticos, do coronelismo e de ser vítima de ideologias tacanhas e atrasadas que, insistentemente, nos jogam no foço do atraso.

      Uma lástima!

  3. Sr. Jornalista Percival Puggina,

    O senhor declara isto aqui : ” Uns e outros, pedagogos da opinião pública e professores militantes, operavam antes de o PT nascer e prepararam dedicadamente seu caminho ao poder. Era na base do nós e eles. Simples assim: a esquerda era o bem e, fora dela, nada haveria que prestasse.” O senhor acha, em sã consciência que o PT representa a esquerda ? O governo do PT não foi feito para os banqueiros, as empreiteiras e se afundou na corrupção. E o senhor chama isto de esquerda ? Lula já declarou várias vezes na imprensa que não é comunista. O senhor continua batendo nesta tecla de que o PT queria implantar o comunismo no Brasil ? Acompanhei, também, o nascimento do PT. Ele não se deu em salas de aula, mas sim nas sacristias e nos sindicatos. Embora o PT seja um saco de gatos, cheios de tendências, alguns que se dizem comunistas estão lá dentro, mas não tem maioria. A maioria, quem sempre mandou no PT foi o grupo de Lula e Dilma com José Dirceu. O PT fez algum aceno para a reforma agrária ? O PT falou em taxar as grandes fortunas ? O PT de fato governou para tirar a maioria dos brasileiros do analfabetismo, promover uma saúde de qualidade ? Lula pode ser confundido com um líder comunista ? Líder comunista com enriquecimento ilícito, promiscuidade com as grandes empreiteiras, promoveu os bancos a lucros nunca antes experimentados pelas instituições bancárias ? De que “esquerda” o senhor está falando quando afirma que no pretérito “a esquerda era o bem e, fora dela, nada haveria que prestasse” ?

    Lula é um lúmpem e o PT é o partido do lumpezinato. Por favor reveja seus conceitos e não ofenda a memória de grandes homens de esquerda que tiveram muita importância na História do Brasil, mesmo quando os partidos de esquerda estavam na clandestinidade. O PT foi incentivado por Golbery do Couto e Silva para fazer frente à liderança de Leonel Brizola (que também sequer era de esquerda). E também para fazer oposição aos socialistas, a verdadeira esquerda. Peço o devido respeito para a memória de homens que passaram pelo PCB/PPS, por exemplo: Oswald de Andrade, Patrícia Galvão (Pagu), Jorge Amado, Graciliano Ramos, Raquel de Queiróz, Carlos Drumond de Andrade, Álvaro Moreyra, Afonso Schmidt, Eneida de Moraes, Mário Schemberg, Edson Carneiro, Catulo Branco, Cândido Portinari, Di Cavalcanti, Oscar Niemayer, Vilanova Artigas, Aparício Torely (o Barão de Itararé), Nora Ney, Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré, Zuleika Alambert, Edgard Carone, Helena Besserman, Dias Gomes, Oduvaldo Vianna Filho (Vianinha), Gianfrancesco Guarnieri, Paulo Pontes, Mário Lago, Leon Hirsmann, João Batista de Andrade, Cláudio Santoro, Silas de Oliveira, Noca da Portela, Bete Mendes, Francisco Milani,

    O senhor chamar o PT de “esquerda’ é um insulto a estes grandes e bravos brasileiros.

    • Prezado Ednei:

      O Brizola NÃO era_ sequer_ de esquerda?!

      O senhor poderia desenvolver este raciocínio, por favor?
      Num país em que está valendo, até, como se viu no último domingo, o ” Volta Monarquia”, já não estou duvidando de mais nada_ ou exatamente de tudo, efetivamente.
      Acho que estou temeroso em sair de casa e dar de cara com viscondes, duques, infantes, xás, imperadores, marqueses, grã-duques, barões, califas, condessas…ufa! Só pode ser alucinação, não é possível.

      Saudações,

      Carlos Cazé.

      PS Sem contar o ” Volta Sarney”, que não deveria ser admitido nem como humor negro.

      • Prezado Carlos Cazé,

        Sei que o assunto é mal conhecido face a distorções que a própria imprensa promove, assim como o bandido Lula declara que não é comunista, mas é de esquerda e ajudou a fundar o Foro de São Paulo junto de Fidel Castro. Mas ele mostrou que não é sequer de esquerda porque fez um governo além de muito corrupto, para beneficiar banqueiros, os grandes latifundiários, não mexer no imposto sobre as grandes fortunas, enriquecer ilicitamente, ele, José Dirceu e companhia. O PT é um partido de ladrões, acho que sobre isso não temos nenhuma dúvida. E se dizia de esquerda para fazer marketing político. Como fez Dilma, dizia uma coisa e fazia o contrário.

        Sobre o Brizola não ser de esquerda, temos o testemunho do artigo de Valmor Stédile, publicado nesta Tribuna da internet, intitulado “A visão genial de Brizola sobre as diferenças ideológicas”. O trabalhismo de Brizola era uma reforma populista dentro do capitalismo. A ação do Trabalhismo de Brizola era no sentido de que a classe trabalhadora adquirisse mais direitos, mas sem mexer na estrutura do capitalismo. Brizola chegou ao ponto de recusar o apoio de Luiz Carlos Prestes para uma eleição majoritária e Prestes, mesmo com a recusa de Brizola ao seu apoio, apoiou Brizola à revelia do caudilho gaúcho, porque achava que, naquela eleição, Brizola era o melhor para o Brasil. O PCB, depois PPS sempre olharam para o futuro, para o que lhes parecia melhor para o povo brasileiro. Como não tinham candidato próprio, apoiaram sempre os melhores possíveis. Está aqui a transcrição do artigo, onde o próprio Brizola repudia o socialismo e fala da diferença entres socialismo/comunismo e o Trabalhismo, como projeto para o país. É cópia do artigo de Valmor Stédile, que você pode puxar no site de buscas de Tribuna da Internet:

        ” A História é rica em exemplos de como é possível a unidade em torno de questões maiores e dos mais elevados interesses da população, como ocorreu quando Leonel Brizola foi apoiado por Luiz Carlos Prestes mesmo a contragosto: “A opinião do senhor Brizola sobre nosso apoio é irrelevante. Nós vamos apoiar o melhor candidato, e o melhor candidato é ele”, proclamou o cavaleiro da esperança”.

        LIÇÃO DE BRIZOLA

        Como candidato ao governo do Rio Grande do Sul, vejam a lição de política dada por Leonel Brizola em 10 de setembro de 1958:

        “Aos meus conterrâneos de todo o Rio Grande, profundas razões doutrinárias e políticas nos separam. Cumpre dizer que o trabalhismo é nacionalista, o comunismo é internacional; o comunismo é materialista, o trabalhismo se inspira na doutrina social cristã; o comunismo é a abolição da propriedade, o trabalhismo defende a propriedade dentro de um fim social; o comunismo escraviza o homem ao Estado e prescreve o regime de garantia do trabalho, o trabalhismo é a dignificação do trabalho e não tolera a exploração do homem pelo Estado, nem do homem pelo homem; o comunismo educa para formar uma sociedade de formigas, o trabalhismo educa para o progresso, para a liberdade, para a elevação da pessoa humana.

        O comunismo existe onde pontifica o capitalismo reacionário e explorador, mas desaparece nas comunidades e países bem organizados sob o ponto de vista social e humano.

        Por todos estes motivos, não sou o candidato para receber os seus votos(dos comunistas). E eles sabem, melhor do que ninguém, que os amigos e propagandistas do regime vigorante na Rússia, estão do outro lado, dando apoio consentido à Frente Democrática.”

        • Aqui entre os comentaristas existem bons brizolistas, bons pedetistas e bons antigos petebistas.
          Gostaria, se possível, comentassem algo sobre a Guerrilha do Caparaó, que durou muito pouco e me parece teve o apoio de Brizola, por favor me esclareçam. Desde já, grato.

        • Prezado Ednei,

          Com todo o respeito, o senhor está embaralhando conceitos, e acabamos por nos achar, nenhuma dúvida, no ponto em que, curiosamente, devo fazer ao senhor a mesma pergunta que endereçaste ao Percival Puggina: ” de que esquerda o senhor está falando?”
          Que o Brizola NÃO era comunista, só militares dos anos sessenta não o sabiam; nem comunista, nem neoliberal. Daí concluir que NÃO era de esquerda, há um equívoco colossal. Quem foi Vice-Presidente da Socialismo Internacional, a partir de 1986? Só essa resposta já encerraria a questão, mas há tantas coisas a serem ditas, explicadas, que fico, sinceramente, perplexo em ter que falar sobre isso, algo tão primitivo e elementar. Falo sobre Brizola, com prazer e vagar, durante horas, se necessário for, porque conheço sua vida politica profundamente, tão profundamente quanto me permitem o amor, a paixão, a dedicação acadêmica, o engajamento político e a fidelidade a esse gigante moral e intelectual, tão injustiçado neste país infeliz e desmemoriado.
          Abraços fraternos,

          Carlos Cazé.

  4. Prezado Carlos Cazé,

    Eu, de fato, fui injusto com Brizola. Ele não era comunista, mas era de esquerda Os historiadores e observadores políticos convencionaram designar como “esquerda” o partido ou grupo político que luta pelos interesses populares e, por extensão, contra o grupo que domina o poder do Estado, constituído pela classe ou grupo social político ou econômico que defende os seus próprios interesses, os quais raramente coincidem com os interesses do povo.

    No Brasil de 1963, e como prolongamento de fatos históricos anteriores, não havia apena uma esquerda, nem mesmo as duas tradicionais: havia muitas. E todas lutando entre si. E essa foi sem dúvida uma das principais causas da queda do governo João Goulart.

    Por volta de 1962 era Brizola sem dúvida o homem mais popular do Brasil. Com grande capacidade de liderança, possuidor de grande coragem pessoal. Em 1961 tomara a iniciativa de lutar pela posse de Jango, mobilizando não apenas a Força Pública do Estado mas também grande parte do povo. Mais tarde encampou a Bond And Share, empresa americana de serviços elétricos, como monopólio do Estado, num ato perfeitamente legal e normal, mas que desencadeou uma tremenda grita por parte do governo americano e de seus representantes no Brasil : a UDN, o Sr. Eugênio Gudin, advogado da empresa, Júlio de Mesquita Filho e outros, inclusive Carlos Lacerda. O ato provocara e aumentara a ira dos inimigos do governo central, mas granjeou imediatamente para Brizola grande simpatia popular. Ao término do seu mandato, em princípios de 1963, candidatou-se a deputado federal pelo Estado da Guanabara e obteve votação espetacular.

    Jamais compareceu à Câmara que, segundo ele, era corrupta e covarde – no que, aliás, tinha toda razão. Percorreu vários Estados fazendo sua pregação em termos violentos, mas nunca explicou o que queria precisamente. Assim mesmo, conquistou inúmeros adeptos, sobretudo entre os estudantes. Na classe operária e entre os camponeses chegou a ombrear com Julião, em matéria de popularidade e liderança. Faava sobretudo contra o imperialismo americano e contra o Congresso. E não poupava o governo federal (de Jango), ao qual acusava de ser débil. Na realidade o enfraquecia, tirava-lhe apoio popular. Cada voto que ganhava era às custas de Jango.

    Em começos de 1963 começou a planejar a formação de uma organização revolucionária combatente constituída à base de grupos espalhados por todo o País, o “grupo dos 11” (por serem formados por onze participantes), cuja atividade, objetivos, ideologia, jamais foram estabelecidos. Se sua atividade era legal ou clandestina, se pensava em ocupar terras pela violência, tomar o poder pela força ou fazer guerrilha, isso aparentemente nunca foi esclarecido. Comprou no Rio a Rádio Mayrinck Veiga, pela qual fazia suas pregações, mas nunca foi bastante claro a respeito do que pretendia realmente.

    Na realidade Jango não aprovava as atitudes de Brizola, as quais somente o prejudicavam e lhe faziam perder amigos, entre os que, apesar de tudo, ainda tinha no PSD e no PTB e que ainda lhe sustentavam. Na verdade, resumidas as contas, Brizola, como os comunistas, como o CGT e os sindicatos, como a divisão no comando das Ligas Camponesas, estavam todos fazendo o jogo da “direita” – os comunistas por exigirem demais, algo que Jango não podia fazer, dando aos inimigos de Jango todas as armas que este desejavam

    Se perguntarmos, nesta altura, de que lado estava a esquerda, não estaremos fazendo uma pergunta ociosa. E agora temos a resposta: a esquerda estava à direita, com os inimigos de Jango e das reivindicações que ele pleiteava, e desejava atender, dentro dos quadros do capitalismo.

    A maior prova disso é o fato de haver chamado para o Ministério do Planejamento a Celso Furtado, um técnico sem nada de esquerdismo e que era uma espécie de Keynes brasileiro. Não se interessava pela Reforma Agrária, nos termos propostos pelas Ligas, nem mesmo reconhecia a existência do imperialismo. Celso Furtado se interessava por reformas que salvassem a burguesia e os latifundiários de um desastre inevitável caso não fizessem algumas concessões e certas transformações estruturais.

    Um homem se salvava dentro dessa feroz e triste luta por lideranças e por revoluções sem conteúdo, por sua serenidade, por sua compreensão humana, pela sua antevisão do futuro político do País : Miguel Arrais.

    Este homem estava transformando Pernambuco, derrotando legalmente – com ajuda da força armada da sua polícia, é claro, – os usineiros e latifundiários de Pernambuco e dando exemplo aos seus vizinhos do Nordeste. O que não se compreende é a indisposição política que havia entre Arrais e João Goulart.

    Quando o general Justino Alves foi para o Norte, comandar o IV Exército, Jango recomendou-lhe que “tomasse conta de Arrais”, e este sabia. Acontece que as classes dominante no País, e principalmente no Nordeste, sabiam que “o grande perigo” não estava em Brizola ou Julião, aos quais consideravam “simples demagogos”, nem no PCB, de forças muito duvidosas, para dizer o menos. O inimigo verdadeiro era Arrais, sua integridade, sua consciência, seu amor ao povo. A deposição de Arrais seria um triunfo para a UDN, para os latifundiários, para os inimigos de Jango, mas um salvo conduto paro o seu mandato. Se Arrais fosse derrubado, muito seria perdoado a Jango, Haveria uma permuta: a cabeça de Lacerda em troca da cabeça de Arrais, Embora não haja termo de comparação entre as duas, na ocasião era um assunto a considerar,

    Aparentemente – pois nada se pode provar ainda – o projeto de estado-de-sítio teria este objetivo: intervenção na Guanabara e em Pernambuco. Jango não poderia depor Lacerda sem precipitar o golpe militar e não poderia depor Arrais sem precipitar uma revolução popular. Eis porque acabou retirando o projeto.

    Mas com suas vacilações, Jango acabou por perder o seu maior amigo, o último sustentáculo que lhe restava, depois de ter contra si, alem da direita, todas as presumidas forças de esquerda: o heroico povo de Pernambuco e do Nordeste, liderado por Miguel Arrais.

    Com meus mais fraternos cumprimentos,

    Ednei José Dutra de Freitas

  5. Exemplos de pedagogos da esquerda : Luis Nassif, Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo ( não é dos piores, pelo menos publica as críticas) e Leonardo Boff, aqui da Tribuna. Exemplos de pedagogos da direita : Reinaldo Azevedo, o inventor da “democracia de mão única “ e Felipe Moura Brasil, o colunista preguiçoso ( não faz moderação ). E ainda temos Leonardo Attuch, o pedagogo que não é de direita nem de esquerda, igual ao Gilberto Kassab. O Attuch defende quem pagar mais. É muita pedagogia ! E demagogia…

  6. Mas Stálin era de esquerda, né? Lênin? Castro? Mao? Imagino que sim, pois senão fica bem fácil apoiar esta ideologia: enquanto ficam na teoria utópica são esquerda, depois que precisam executar na prática e fazem uma bela cagada (e sempre fazem: miséria, mortes, restrição das liberdades, etc) deixam de ser esquerda. Esse pessoal eternamente “deturpando Marx”…

    • Sr. Caio Efrom,

      Se o senhor escreveu aqui, é porque deve ter alguma indignação ou alguma dúvida sobre política. Quero acreditar que o senhor não se deu ao trabalho de entrar no site da Tribuna, provavelmente ler comentários, com o único propósito de passar uma esculhambação nos comentaristas ou pela simples vontade de ser do contra. Sr. Carlos Efrom, Stálin morreu e o estalinismo, praticado por vários anos na União Soviética morreram depois de Stálin. O comunismo acabou e não tem chance de voltar. Persiste um governo comunista na Coréia do Norte e em Cuba, de modelo ainda stalinista, mas é só. Já está mais do que provado que os regimes comunistas implantados na base teórica da ditadura do proletariado (Marx) acabaram se tornando ditaduras genocidas, mataram-se muitos cidadãos por terem opinião diferente ou até inocentes que se supunha ter opinião diferente do governo ditatorial. Ninguém sério fora da China, Cuba e Coréia do Norte fala mais em Lênin, Castro ou Mao como modelos. O que surgiu depois da derrocada da União Soviética foram partidos socialistas (que na verdade são sociais-democratas) e que são de esquerda. Eu falei ninguém sério fora da China, Cuba e Coréia do Norte, assinalando que há também as pessoas que para mim não estão com o juízo perfeito e ainda defendem o comunismo, de uma forma ou de outra, como PSoL,
      PCB, PC do B, PCO, PSTU, se é que eu não estou esquecendo nenhuma agremiação – parece que o PPL – Partido Pátria Livre está se juntando com os remanescentes comunistas do Movimento Revolucionário Oito de Outubro, não tenho certeza. Mas todos esses estão fadados ao desaparecimento e o desprezo do eleitorado brasileiro, o que aliás já vem acontecendo. O que é a esquerda hoje? Os historiadores e observadores políticos convencionaram designar como “esquerda” o partido ou grupo político que luta pelos interesses populares e, por extensão, contra o grupo que domina o poder do Estado, constituído pela classe ou grupo social político ou econômico que defende os seus próprios interesses, os quais raramente coincidem com os interesses do povo. Assim surge uma nova esquerda, no modelo das sociais-democracias européias e que vêm dando certo em inúmeros países de lá. É neste campo que está o PPS. Podemos até chamá-lo de partido de centro-esquerda, que fica melhor.

      O que querem os partidos da esquerda democrática? Promover a reforma agrária nos latifúndios improdutivos, ter um Estado maior nos serviços essenciais, como Saúde, Educação, Segurança Pública, investindo pesado nestes serviços essenciais, e ter um Estado menor no tocante ao parque industrial, as empreiteiras, os diversos tipos de empreendimentos e serviços. Menos subsídios às indústrias e mais subsídios à Saúde, Educação e Segurança. Na arrecadação de impostos, menos arrocho para as classes assalariadas, especialmente as classes médias, mas taxação das grandes fortunas e heranças. Cobrar impostos sobre os lucros bancários. Eu devo estar esquecendo de mais alguma coisa, mas estou digitando este comentário a tecla corrida e não há como esgotar o assunto. Então, para seu conhecimento, para a esquerda democrática (PPS) Stálin, Lênin, Castro, ideologia marxista-leninista, teoria utópica JÁ ERAM ! Escorreram pelo ralo da História. Por isso é que é bom registrarmos a História, para dela fazermos uso e não repetirmos os mesmos erros de gerações passadas. E não há ninguém deturpando Marx. As teorias marxistas ainda têm valor para os estudantes de sociologia. “O Capital”, obra prima de Marx, é um livro dificílimo de entender e ele é uma Teoria social, que não dá receita para fazer partido. Também o que se pretende com a esquerda democrática, ou social-democracia, pode crer, não é fazer uma bela cagada. Esteja certo disso.

  7. Caro Ednei. Não possuo muitas dúvidas políticas, consegui construir mais certezas, principalmente baseado na racionalidade, na prática e nos resultados, não nos meios. Concordamos então em alguns aspectos referentes a uma porção (enorme) da esquerda que morreu, mas que se recusa a ir para o caixão. Em termos pragmáticos atuais percebe-se que o PPS está bem próximo do PSDB, de uma esquerda centro-moderada, bem mais palatável que o partido que está no poder. Embora, discorde veementemente de muitos aspectos defendidos pelo partido, principalmente relativos a tradição do pensamento marxista e em termos econômicos práticos (como qualquer política econômica socialista), devo dizer que me surpreendi ao acessar a página do partido em encontrar textos como este o qual concordo plenamente: “Diminuir o tamanho do governo é fundamental, privatizar presídios (se tornando empresas com fins lucrativos), privatizar todo sistema elétrico com concorrência aberta para o fornecimento com concessionárias concorrentes, privatizar o sistema de saúde, privatizar a educação entre várias outras privatizações.” O saúdo também pela consciência clara de rejeitar sistematicamente a teoria utópica da ideologia marxista-leninista e suas derivações. Saudações.

    • Saudações, Sr. Caio Efrom. Realmente o PPS está bem próximo do espectro político do PSDB, mas a meu ver com a diferença que o PSDB não se entende, tem uma ala Serra, outra ala Aécio, outra ala Alckimin e, correndo por fora FHC ainda aparece para dar os seus pitacos. O partido perde o Norte e mesmo a consistência assim. Acho o PPS mais bem resolvido, inclusive na atuação parlamentar como o senhor pode observar. A bancada é pequena, mas trabalha muito. Veja o trabalho de Rubens Bueno na Câmara Federal, de Eliziane, de Roberto Freire ! O PPS sabe o que quer, o PSDB parece que ainda não encontrou o caminho. Saudações

  8. Impressionam-me vivamente as pessoas dividem os políticos entre os bons, de esquerda e os maus, de direita. Se alguém de esquerda é mau, gatuno, corrupto, genocida, demagogo, mentiroso, totalitário, enfim, se é surpreendido em situação inconveniente, ele, automaticamente, muda de classificação e sai da esquerda. Assim, não dá.

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