1966 e 2010: o gol a favor da Inglaterra e contra a Inglaterra

Em 1966, eu estava em Wembley, vi magnificamente o gol de Hurst. Minha visão era excelente, só podia ser prejudicada pela presença da Rainha, que estava na mesma tribuna. Mas como não me deslumbrava com a nobreza, olhei bem o gol e fiquei satisfeito com minha conclusão: a bola não entrara.

Terminado o jogo, sozinho como estava, andei uns 600 metros em terra batida, peguei o metrô até o meu hotel, o Grosvenor House, no Hyde Park, (onde toda manhã corria 6 ou 7 quilômetros, já estava diminuindo meu percurso diário). Só parava para assistir os mitingueiros, que num caixote, aproveitavam a manhã para falar contra o governo.

Na portaria mesmo, um espetáculo que via pela primeira vez: televisões com câmaras lentas, ou melhor, lentíssimas, “paravam” o lance, a bola ficava mais do que visível e tive a felicidade de compreender e confessar o que escrevi de lá mesmo: A BOA ENTROU.

Mas em Wembley, por que tive a “CERTEZA” de que a bola não entrara? A tribuna onde eu estava, dava a impressão exata de ser uma réplica do Teatro da Opera de Paris, e tinha muito mais clima, seja futebolístico ou não.

Anteontem, aqui, não havia o “clima” de 1966, mas a visão da televisão, a mesma que tive em Londres, na repetição do gol de Hurst.

***

PS – Agora, muita gente garante: “Nunca mais alguém EXPLICARÁ se foi gol ou não”. E quem precisa de EXPLICAÇÃO para alguma coisa.

PS2 – Dois meses depois eu era CASSADO, destruíam IMEDIATAMENTE o meu futuro pessoal e plantavam o FIM DA TRIBUNA DA IMPRENSA.

PS3 – Só porque eu combatia a ditadura e o jornal não dava trégua aos ditadores?

PS4 – E quem explicava ditadura e ditadores?

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