O dinheiro estrangeiro está a votar antes do eleitor

4 thoughts on “O dinheiro estrangeiro está a votar antes do eleitor

  1. História Islâmica

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    ۞ A história da religião islâmica desde o Profeta Muhammad ﷺ até os dias atuais. ۞

    historia.
    Poucos países são acusados com tanta insistência de perseguir uma arma nuclear quanto o Irã, e nenhum outro apresenta, como obstáculo, uma proibição de natureza religiosa. A proibição atribuída ao aiatolá Ali Khamenei foi formulada em meados dos anos 1990, numa carta que jamais chegou a circular publicamente, em resposta à consulta de um funcionário que queria saber qual era a opinião religiosa sobre armas atômicas.
    O anúncio público só veio em outubro de 2003, quando Khamenei emitiu uma fatwa oral (um parecer jurídico) vedando a produção e o uso de qualquer arma de destruição em massa. Dois anos depois, em agosto de 2005, o governo iraniano levou o argumento a uma reunião da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, declarando que produzir, estocar e usar armas nucleares é proibido pelo Islã.
    O texto que o próprio site oficial iraniano arquiva na seção de fatwas não fala apenas do átomo, mas traz também armas químicas e biológicas no mesmo patamar de ameaça à humanidade e invoca uma experiência concreta: a de um país que foi vítima de ataque químico e que, por isso, entende melhor do que qualquer outro o risco de estocar esse tipo de arsenal.
    O uso dessas armas é declarado haram, isto é, proibido. Em abril de 2015, num discurso, Khamenei acrescentou uma segunda camada ao argumento, dizendo que a abstenção iraniana decorre tanto de uma fatwa shar’i, de fundamento religioso, quanto de uma fatwa aqli, de fundamento racional, e que uma arma nuclear seria fonte de problemas para um país como o Irã.
    O argumento mais forte a favor da sinceridade dessa proibição está no comportamento iraniano durante a guerra contra o Iraque, entre 1980 e 1988. O Irã foi alvo de ataques químicos que mataram cerca de 20 mil pessoas e feriram gravemente outras 100 mil, e não retaliou com o mesmo tipo de arma, apesar de ter tido tempo e “motivo” de sobra. O jornalista Gareth Porter entrevistou Mohsen Rafighdoost, ministro da Guarda Revolucionária durante os oito anos de conflito, que relatou ter proposto ao aiatolá Khomeini o início de trabalhos nas áreas nuclear e química, e ter recebido como resposta uma negativa em forma de fatwa. Infelizmente os detalhes sobre quando e como essa decisão foi tomada nunca foram tornados públicos.
    Aqui aparece a contradição evidente e que raramente é enfrentada, por vezes sequer mesmo percebida. O Irã é criticado no Ocidente como sendo uma teocracia, por submeter o Estado a uma autoridade clerical. Só que foi essa mesma autoridade clerical que produziu, na prática, o freio mais duradouro ao desenvolvimento de tecnologia de destruição em massa. Analistas ligados a instituições americanas e israelenses passaram anos questionando se a fatwa existe, se é vinculante ou se não passaria de peça de propaganda, chegando a sugerir que Khamenei estaria praticando taqiyya, a “dissimulação religiosa” (há vídeo em nosso canal sobre o tema). Afirmam os céticos que fatwas respondem a circunstâncias do momento e podem mudar. Entretanto, o mesmo argumento demonstra que o veto foi respeitado por décadas por um regime que, segundo seus críticos, não respeita nada e está a “3 semanas de construir uma bomba nuclear”.
    Vale lembrar que o único país que efetivamente usou armas nucleares contra populações civis também recorreu à religião, só que no sentido oposto: para legitimar o ataque. Ao comunicar a nação por rádio em 9 de agosto de 1945, no mesmo dia do ataque a Nagasaki, o presidente Harry Truman agradeceu a Deus por a bomba ter chegado às mãos americanas e não às dos inimigos, e pediu orientação divina para empregá-la. Do lado militar, o padre George Zabelka, capelão católico do 509º Grupo Composto, unidade responsável pelos dois lançamentos, abençoou as tripulações e as missões. Zabelka levaria trinta anos para admitir publicamente aquilo que fez.
    Enquanto isso, o alarme sobre a bomba iraniana completa mais de três décadas sem se concretizar. Benjamin Netanyahu vem anunciando desde 1992, quando ainda era parlamentar e discursou no Knesset afirmando que, dentro de três a cinco anos, o Irã seria autônomo na capacidade de desenvolver e produzir um artefato nuclear. A previsão foi repetida em seu livro de 1995, Fighting Terrorism. Em 2002, ele depôs perante uma comissão do Congresso americano defendendo a invasão do Iraque e sugerindo que iraquianos e iranianos corriam juntos rumo à bomba. A invasão veio logo depois, e nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada no Iraque.
    O padrão se repetiu nas décadas seguintes e continua se repetindo, com uma regularidade quase litúrgica. Um telegrama do Departamento de Estado americano vazado pelo WikiLeaks mostra Netanyahu dizendo a congressistas, em 2009, que o Irã estava a um ou dois anos da capacidade nuclear. Em 2012, na Assembleia Geral da ONU, ele exibiu o desenho de uma bomba de desenho animado e traçou uma linha vermelha, afirmando que até a primavera ou o verão seguinte os iranianos concluiriam o enriquecimento intermediário. Em 2014, na convenção da AIPAC, o lobby israelense que compra políticos norte-americanos, Netanyahu pediu que se retirasse do Irã qualquer capacidade de enriquecer urânio. Em 2015, discursou no Congresso americano contra o acordo em negociação.
    10 anos depois, em junho de 2025, com Israel já atacando alvos iranianos, a história se repetiu e o argumento reapareceu, agora com prazo encurtado para meses ou semanas. A diferença é que dessa vez o contraste com os relatos dos setores de inteligência americanos ficou explícito, já que a Diretoria de Inteligência Nacional dos Estados Unidos havia declarado, no início daquele mesmo ano, que o Irã não estava construindo uma arma nuclear. Trinta e três anos de “advertências” que atravessam governos, acordos, rupturas de acordos e avaliações técnicas divergentes sugerem apenas um pânico retórico para que Israel prossiga em suas desventuras militares pelo Oriente Médio.
    Mais curioso ainda é a hipocrisia israelense e seu programa nuclear. Israel montou seu complexo nuclear em Dimona a partir de um acordo secreto com a França firmado em 1957, e dentro desse segredo escondeu outro: uma usina subterrânea de reprocessamento de seis andares, fornecida pela empresa francesa Saint-Gobain, capaz de separar plutônio de grau militar. Entre 1961 e 1969, equipes americanas fizeram visitas periódicas a Dimona. Os americanos foram enganados todas as vezes. Antes de cada visita, os israelenses erguiam paredes falsas em torno dos elevadores que desciam até a instalação e, segundo fontes ouvidas por Seymour Hersh, chegaram a apresentar uma sala de controle falsa. Em 1965 a usina ficou pronta, em 1966 começou a produção de plutônio, e às vésperas da guerra de 1967 Israel montou seus primeiros artefatos nucleares.
    E a trama fica mais complicada: parte do combustível dessa bomba pode ter saído dos próprios Estados Unidos. Entre 1965 e 1980, o FBI investigou o desaparecimento de urânio altamente enriquecido da NUMEC, empresa em Apollo, na Pensilvânia, dirigida por Zalman Shapiro, que tinha negócios e contatos com altos funcionários israelenses. Registros posteriores do Departamento de Energia mostram que a NUMEC teve a maior perda de inventário de urânio enriquecido entre todas as instalações comerciais americanas: 269 quilos antes de 1968 e mais 76 depois.
    Em setembro de 1968, quatro agentes de inteligência israelenses visitaram a fábrica, entre eles Rafi Eitan, apresentado como químico do Ministério da Defesa e depois revelado como operador do Mossad à frente do Lakam. Nenhuma acusação foi apresentada. A mesma rede comprou disparadores de ogiva de forma ilícita, fotografou plantas de centrífugas na Europa e desviou um navio carregado de urânio no Mediterrâneo, com a conivência ou a vista grossa de Estados Unidos, França, Alemanha, Reino Unido e Noruega. São, hoje, os mesmos países que cobram do Irã transparência que nunca exigiram de Israel.
    Referências
    BORGER, Julian. The truth about Israel’s secret nuclear arsenal. The Guardian, Londres, 15 jan. 2014.
    COHEN, Avner; BURR, William. How Israel Built a Nuclear Program Right Under the Americans’ Noses. Haaretz, Tel Aviv, 17 jan. 2021.
    COHEN, Avner; BURR, William. How Israel Deceived the U.S. and Built the Bomb. Foreign Policy, Washington, 7 fev. 2025.
    THE HISTORY of Netanyahu’s rhetoric on Iran’s nuclear ambitions. Al Jazeera, Doha, 18 jun. 2025.
    TRUMAN, Harry S. Radio Report to the American People on the Potsdam Conference, 9 ago. 1945. In: Public Papers of the Presidents of the United States: Harry S. Truman, 1945. Washington: United States Government Printing Office, 1961

    • Segundo a boataria, as Lojas Magalú,, da Comunista desde os 10 anos também está indo á ver navios , igualmente as Casas Bahia, Tok&Stok, Marisa, Marabraz..

  2. Pois é, muito se fala na macroeconomia, zerar o deficit primário, diminuir despesas, etc. Mas quase ninguém fala na microeconomia que afeta muito os cidadãos e isso é o que importa à maioria da população.

    Vejamos o caso da Argentina, que trata da macroeconomia (exportações e inflação), com ajustes profundos e brutais que recaem no lombo dos que menos podem e beneficiando àqueles que possuem mais. O resuiltado se reflete nas pesquisas: https://www.laprensa.com.ar/Un-informe-asegura-que-solo-el-15-de-argentinos-evalua-positivamente-la-situacion-del-pais-574951.note.aspx

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