Campanhas de Lula e Flávio levam disputa eleitoral aos tribunais em nível recorde

Lula é réu no processo contra jogatina das bets e tem de apresentar defesa

Chegando copa do mundo, algumas charges sobre bets.

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Carlos Newton

Certas coisas não é possível entender no surrealismo da política brasileira. Há importantíssimas ações judiciais que a imprensa literalmente deixa de lado e não acompanha. É o caso do processo 1029773-82.2026.4.01.3400, que tramita na 18ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, sob exame do juiz Arthur Pinheiro Chaves.

Trata-se de uma ação popular movida pelo ex-deputado paulista Afanasio Jazadji, representado pelo advogado paulista Luiz Nogueira, que pede a condenação da União Federal, do presidente Lula da Silva e outros, como o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, por terem, em clara ofensa aos princípios de moralidade e legalidade e com astronômico prejuízo ao erário público, autorizado a implementação de descontrolado jogo de azar em todo o país.

APOSTAS BETS – A regulamentação assinada por Lula e Haddad permitiu que sociedades nacionais e internacionais, incluindo operadoras de cassinos, em apenas dois anos subtraíssem de incautos apostadores cerca de R$ 200 bilhões, acarretando endividamento de milhões de famílias, agravamento de doenças mentais  em decorrência de ludopatia, elevada demanda por atendimentos, sobrecarregando o SUS e capturando para essa prática delituosa um número imenso de crianças, jovens e adultos hipossuficientes.

Embora o processo esteja disponível na Internet, no site da Justiça Federal, apenas Tribuna da Internet acompanha o assunto. O mais recente movimento foi juntar  aos autos a Medida Provisória 1.394, de 25 de setembro de 2026, assinada pelo presidente Lula e pelo substituto de Haddad, Dario Durigan.

A MP proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de loterias de apostas de quota fixa no território nacional, institui o Comitê interinstitucional de Fiscalização da Exploração e da Publicidade Ilegal de Apostas de Quota Fixa, e altera a Lei nº 14.790, de 29 de dezembro de 2023.

ERROS TERRÍVEIS – Com a edição da MP, o presidente da República reconhece os efeitos deletérios causados pela sanção da Lei 14.790/2023 e da Portaria SPA 1231/2024. Com isso, busca tardia e atabalhoadamente, em período eleitoral, pôr fim à desenfreada jogatina online.

Assim, a MP torna-se reconhecimento do erro e uma confissão de culpa, o que justifica a sua condenação e de outros por terem proporcionado a abertura de casas de apostas em todo o território nacional, a partir dos fáceis acessos via telefone celular e de outras ferramentas digitais.

Com a sanção da Lei 14.790, de 29 de dezembro de 2023, o presidente Lula conseguiu paralelamente afetar os setores comercial e industrial, vez que as economias de boa parte da população passaram a ser direcionadas para o ilusório sonho de ganho fácil, deixando-se de comprar produtos básicos para o dia a dia das famílias, quitação de taxas de serviços essenciais como água, energia e até remédios. Desorganizou o dia a dia dos brasileiros e aumentou o número de famílias inadimplentes.

CULPA DE LULA – ÁDe modo geral, com relutância apenas de O Globo, que participa da jogatina em sociedade com a MGM norte-americana, a imprensa toda define bem a responsabilidade da atual administração pela legalização do ilícito:

“Não se sabe se Lula pessoalmente é contra as bets, como apregoa, mas é inegável que compactuou com elas. Logo, chega a ser irônico que somente agora –  a dias do primeiro turno, quase quatro anos depois de assumir o cargo – recorra a uma medida provisória para resolver um problema que assola a sociedade há anos”, afirmou o Estadão.

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P.S. 1 –
A grande novidade é informar que o Lula já se tornou réu no processo das bets, assim com Haddad, e os dois poderão ser condenados a ressarcir o erário por conta da Lei 14.790/2023 e da regulamentação nº 1231/2024.

P.S. 2 – Eu tenho o print da Justiça Federal de Brasília em que Lula aparece citado como réu. Ele está mentindo quando afirma que acabou com as bets. Ele as criou, deu prejuízo incomensurável ao SUS, endividou pelo vício do jogo milhões de brasileiros e ajudou a transferir para empresas de cassinos estrangeiras bilhões de reais. (C.N.)

Caso Master: PT pede investigação sobre gravação de áudio de Vorcaro

No desespero, Lula agora apela aos “pobres de direita” para se reeleger

Tribuna da Internet | Lula 3 está malogrando porque ele não sabe decifrar  seu dilema institucional

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)r

Paulo Cruz
Gazeta do Povo

“Aí também existe ódio” – pronunciou depois de um minuto de pausa – “e eles seriam os primeiros grandes infelizes se de repente a Rússia conseguisse transformar-se, ainda que fosse à maneira deles, e de algum modo se tornasse subitamente rica e feliz além da medida.” (Chátov, personagem de Dostoiévski em “Os Demônios”)

Findo o primeiro turno das eleições, com uma vitória substancial de Flávio Bolsonaro, a esquerda toda, como sói acontecer, entrou em modo desespero. Artistas, influenciadores, políticos e toda a malta digital do #BoraLula ficou, por algumas horas, em choque, até ligar sua metralhadora de terceirização de culpa.

SEM MOTIVO – Sim, porque não foi por causa do preço das coisas no mercado; pela falta de segurança; pela educação destruída; pela informalidade; pelo discurso ideológico durante os quatro anos de um governo que não entregou nada de concreto para a população; e, claro, não foi pelas diatribes e gastanças da Janja.

Não foi pela “taxa das blusinhas” e pelo aumento de vários impostos, única e exclusivamente a fim de aumentar a arrecadação; não foi pelo fim eleitoreiro das bets; nem pelo inacreditável Pé-de-Meia; ou pelos Desenrola 1, 2 e 3, que só aumentaram o endividamento da população. Sabem de quem foi a culpa? Do pobre de direita.

 Foi só o dia amanhecer na segunda-feira para as redes sociais serem inundadas de textos e vídeos de esquerdistas culpando o “pobre de direita”. O resultado do primeiro turno mostrou uma expansão do bolsonarismo entre eleitores de regiões e áreas populares que tradicionalmente davam vantagem a Lula, especialmente no Norte e em partes das periferias urbanas.

POBRE DE DIREITA – Então, foi só o dia amanhecer na segunda-feira para as redes sociais serem inundadas de textos e vídeos culpando o “pobre de direita”, uma metáfora criada pela própria esquerda a fim de demonizar aquelas pessoas que, mesmo sendo periféricas, não votam na esquerda.

O que seria, portanto, o “pobre de direita”? De acordo com a esquerda, seria uma contradição ambulante, uma vez que uma pessoa pobre não pode se aliar ao opressor. Ou seja, para você acreditar que existe um algo chamado “pobre de direita”, você precisa, primeiro, comprar a visão de mundo da esquerda de que a “direita” representa, fundamentalmente, a burguesia exploradora (se algum leitor for esquerdista, perdão pelo pleonasmo) e a opressão dos pobres.

E para acreditar que a “direita” representa a opressão, precisa abraçar, igualmente, a petição de princípio marxista, expressa no Manifesto, de que “a história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes”.

TESE MARXISTA – O marxismo e, posteriormente, boa parte das esquerdas assumiram a ideia de que existe, de fato, uma disputa entre patrões e empregados, pois estes seriam fundamentalmente explorados por aqueles. Mas um problema se impõe: os empregados, via de regra, não percebem a exploração, pois são alienados.

O trabalhador não reconheceria espontaneamente a estrutura de exploração na qual está inserido. Por isso, é preciso que ele seja conscientizado pela militância organizada.

O problema é que essas relações não são tão simples, sobretudo com a imensa diversificação do trabalho a partir do século 20. Existe exploração? Óbvio que existe. Mas também existe funcionário procrastinador, displicente, mentiroso etc. Existem patrões, de fato, preocupados com o bem-estar de seus funcionários? Também existem. Sem contar que grande parte dos empregadores é de empreendedores de pequeno e médio porte que trabalham tanto (ou mais) que seus funcionários – às vezes sem remuneração garantida.

TUDO MUDOU – E para piorar, o mundo do trabalho mudou por completo com a chegada da tecnologia. A automação, a informática, a internet e, mais recentemente, a inteligência artificial transformaram profundamente a natureza das profissões, aumentaram a produtividade e criaram ocupações que simplesmente não existiam no passado.

A relação entre patrão e empregado deixou de caber na imagem industrial clássica. Hoje, há trabalhadores altamente especializados, profissionais autônomos, empreendedores individuais, em uma infinidade de ocupações nas quais o próprio trabalhador possui parte significativa dos instrumentos e conhecimentos necessários para produzir. E eles estão falando em defender a CLT e o fim da escala 6×1.

Ou seja, a ideia de uma luta de classes e da necessidade de criar, no oprimido, uma tal consciência de classe é uma invenção teórica que não corresponde à realidade. Nem todo patrão é demônio, nem todo empregado é um anjo de candura.

FORA DA REALIDADE – O problema é que a esquerda crê piamente nisso, pois vive numa segunda realidade, cuja principal característica é a recusa de perceber as mudanças, como bem observou Eric Voegelin, Ele explica, em suas Reflexões Autobiográficas:

‘Os teóricos de esquerda, a partir da Segunda Realidade, criam pseudoconceitos – como “luta de classes”, “capitalismo”, “meritocracia” – a fim de criticá-los. E tais pseudoconceitos só fazem sentido dentro de sua visão de mundo específica”, diz Voegelin, acrescentando:

“Por isso, falar em “pobre de direita” é uma rotulação falsa, um xingamento, a fim de desqualificar e ofender quem pensa e toma decisões de acordo com a própria consciência, que é diversa da que a esquerda exige de alguém que julga ter sob sua tutela. Como ela pensa ser dona das chamadas minorias sociais, qualquer um que escape de seus domínios é diligentemente perseguido, como o resultado do primeiro turno mostrou”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente artigo, enviado por Mario Assis Causanilhas. O filósofo Paulo Cruz, um dos maiores especialistas em cultura urbana, desmonta as criativas “explicações” do PT sobre a derrocada de Lula. (C.N.)

Lula confirma presença no debate na Band; Flávio Bolsonaro foge do confronto

Ao que tudo indica, Flávio vai correr do encontro

Jeniffer Gularte
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta terça-feira sua presença no debate na Band, marcado para o próximo domingo. Nas redes sociais, o petista desafiou Flávio Bolsonaro (PL) a comparecer no programa. No primeiro turno, nenhum dos dois candidatos participou dos encontros programados.

— Domingo estarei no debate da Band, espero que meu adversário compareça, para que a gente possa fazer com que o povo tenha conhecimento da diferença de programa, da diferença de candidatura. Eu estarei lá — afirmou Lula.

AUSÊNCIA – Durante evento no comitê político do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não irá comparecer ao primeiro embate do segundo turno. O presidenciável disse, por outro lado, que a equipe de campanha ainda vai avaliar a presença no último debate antes do segundo turno. O encontro organizado pela TV Globo está marcado para o dia 23 de outubro.

— Não vou, não está previsto ir nesse debate domingo. Estamos analisando, quem vai dar a palavra final será minha equipe técnica, de ir ao último debate — disse Flávio.

De acordo com o Grupo Bandeirantes, o debate será realizado no próximo domingo, 18 de outubro, a partir das 20h. Conforme previsto nas regras do debate, caso algum candidato não compareça, o púlpito ficará vazio.

Relatório do TSE não identifica notícias falsas citadas por Flávio no canal “Exército do Lula”

Canal “Exército do Lula” é registado no TSE e volta ao centro da disputa eleitoral

TSE manda Flávio Bolsonaro apagar vídeo enganoso sobre ato de Lula na Paulista

Nunes Marques suspende circulação de jornal sindical que compara propostas de Lula e Flávio

É tempo de festejar Valmir Campelo e lembrar Helio Fernandes e Timóteo

Morre aos 100 anos o jornalista Helio Fernandes | Brasil | Valor Econômico

Helio Fernandes foi um guerreiro da democracia no país

Vicente Limongi Netto

Estamos no Mês Rosa, da criança e da Padroeira Nossa Senhora Aparecida, e outubro também destaca três cidadãos de bem, lembrados pela digna trajetória que plantaram e cultivaram a vida inteira.

O cearense de Crateús, Valmir Campelo, completa 82 anos, dia 22.  Honrou todos os cargos que ocupou. Administrador do Gama, Brazlândia e Taguatinga, deputado federal constituinte, vice-presidente do Banco do Brasil, senador e ministro do Tribunal de Contas da União.

Agnaldo Timóteo, inquieto e bravo mineiro de Caratinga, ex-deputado federal, completaria 95 anos, dia 16.  Ganhou de Deus o dom divino de uma voz maravilhosa com a qual encantou multidões.

HELIO FERNANDES – Por fim, o carioca do Meier, jornalista Helio Fernandes, completaria 115 anos de idade, dia 17. Lúcido, firme e democrata, até a hora de partir, aos 100 anos de idade.

A “Tribuna da Imprensa”, jornal que dirigiu por décadas, foi legítima trincheira da democracia e do bom jornalismo. Hélio foi preso várias vezes durante os governos militares e confinado em Fernando de Noronha. Pirassununga e Campo Grande.

Hélio jamais dobrou a espinha para poderosos de plantão. A Tribuna da Internet foi sua última trincheira.

VOTE CERTO – Flávio Bolsonaro não tem preparo e conhecimento nem para ser gerente de mercado de secos e molhados.   Toda sua vida de parlamentar foi de envolvimento em corrupção, que o tornou milionário.

Bolsonaro presidiário  colocou toda a família na política e ensinou o caminho do enriquecimento. Fato indiscutível.

Como escolher em quem votar? Escolher em que já se conhece e sabe o que está fazendo em defesa da nossa soberania, da nossa democracia e como verdadeiro cristão, privilegiando ajuda aos mais pobres e necessitados. Ou votar num duvidoso, mentiroso e despreparado que pretende usar o “prato feito” da política da extrema direita, utilizado pelos governos dos Estados Unidos e da Argentina.

 

Flávio Bolsonaro “muda” de posição e anuncia voto pelo fim da escala 6×1

Messias defende diretor da PF após campanha de Flávio pedir investigação

Andrei atuou conforme a lei, diz Messias

Deu na CNN

O advogado-geral da União, Jorge Messias, manifestou nesta segunda-feira (12) solidariedade ao diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, após o chefe da força policial ser alvo de ação da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. Segundo Messias, Andrei “atuou conforme a lei”.

“O delegado federal Andrei atuou conforme a lei. Isso não deveria causar estranheza a ninguém, muito menos a um candidato à Presidência da República”, disse no X. A campanha do senador apresentou no último domingo (11) uma notícia crime ao TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) pedindo uma investigação contra Andrei.

INTERFERÊNCIA – A peça questiona a abertura pela PF de uma apuração sobre uma possível interferência externa nas eleições. A investigação foi arquivada na quarta-feira (7).

“A independência técnica da Polícia Federal é uma garantia da sociedade brasileira. Cabe à instituição receber notícias de possíveis irregularidades, examinar seus fundamentos e decidir, com autonomia e responsabilidade, pela instauração ou não de investigações, como precisamente ocorreu. Nada mais, nada menos”, afirmou.

ASSUNTO LEGÍTIMO – Segundo o AGU, a hipótese de interferência estrangeira em eleições é “assunto legítimo de debate público, sobretudo diante das preocupações internacionais com a integridade dos processos democráticos e da importância do Brasil nesse cenário”.

“Acreditamos que a atividade policial deve permanecer protegida de pressões indevidas, venham de onde vierem. A defesa da soberania nacional, da legalidade e da integridade das eleições é um compromisso permanente da República, e a Polícia Federal, neste Governo, nunca faltou a essa responsabilidade”, afirmou.

Rachel de Queiroz ensinou como uma telha de vidro pode iluminar nossa vida

Rachel de QueirozPaulo Peres
Poemas & Canções

A romancista, contista, tradutora, jornalista e poeta cearense Raquel de Queiroz (1910-2003), no poema “Telha de Vidro”, ensina que um simples toque de criatividade  pode mudar tudo e melhorar nossas vidas.

TELHA DE VIDRO
Rachel de Queiroz

Quando a moça da cidade chegou
veio morar na fazenda,
na casa velha… Tão velha!
Quem fez aquela casa foi o bisavô…
Deram-lhe para dormir a camarinha,
uma alcova sem luzes, tão escura!
mergulhada na tristura
de sua treva e de sua única portinha…

A moça não disse nada,
mas mandou buscar na cidade
uma telha de vidro…
Queria que ficasse iluminada
sua camarinha sem claridade…

Agora, o quarto onde ela mora
é o quarto mais alegre da fazenda,
tão claro que, ao meio dia, aparece uma
renda de arabesco de sol
nos ladrilhos vermelhos,
que — coitados — tão velhos
só hoje é que conhecem a luz do dia…

A luz branca e fria
também se mete às vezes pelo clarão
da telha milagrosa…
Ou alguma estrela audaciosa
careteia no espelho
onde a moça se penteia.

Que linda camarinha! Era tão feia!
— Você me disse um dia
que sua vida era toda escuridão
cinzenta,
fria, sem um luar, sem um clarão…
Por que você não experimenta?
A moça foi tão bem sucedida…
Ponha uma telha de vidro em sua vida.

Senado acelera debate sobre fim da escala 6×1 em meio à disputa entre Lula e Flávio

Charge do Nando Motta (Brasil 247)

Eduarda Teixeira
CNN

O Senado retoma, nesta terça-feira (13), a discussão da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. Será a quarta sessão de debate sobre o texto. A quinta e última está marcada para quarta-feira (14). A votação em primeiro turno será no mesmo dia.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), definiu cinco sessões de discussão antes da votação. Três foram realizadas na semana passada, todas com maioria de governistas e baixa presença da oposição. Cumpridas as cinco, o texto estará pronto para ser votado em primeiro turno.

DOIS TURNOS – Para a aprovação total de uma PEC no Senado são necessários dois turnos de votação, com 49 votos favoráveis em cada um deles. Além disso, o regimento da Casa prevê três sessões de discussão entre o primeiro e o segundo turno.

O governo tenta coletar assinaturas para apresentar um calendário especial e quebrar essa pausa, chamada de interstício, entre o primeiro e o segundo turno. Sem o mecanismo, não há tempo hábil para aprovar a proposta antes do segundo turno das eleições, em 25 de outubro.

Os senadores de oposição querem adiar a votação para depois do segundo turno. O líder da oposição na Casa Alta, Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, disse na semana passada que “não faz bem ao país” votar um tema desse tamanho durante o período eleitoral.

“OPORTUNISTA” – Ele classificou a discussão como “oportunista” e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “desesperado” para se reconectar com o eleitorado. Há um receio entre aliados de que a medida beneficie Lula e, ao mesmo tempo, um entendimento de que votar contra a proposta pode atrapalhar a campanha de Flávio no segundo turno. O candidato do PL disse na quarta-feira (7) ter uma alternativa melhor do que o fim da 6×1.

Marinho também sinalizou contrariedade ao texto e defendeu uma proposta própria, que já tramita no Senado. O projeto flexibiliza a escala de trabalho, permite que o trabalhador seja remunerado por hora trabalhada e abre brecha para redução salarial. Para o senador, não pode haver uma determinação de cima para baixo sobre a escala de trabalho. Apesar das ressalvas, aliados de Flávio afirmam que o senador deve votar a favor da proposta para evitar danos eleitorais.

O QUE DIZ A PEC –  O texto reduz a escala para cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, com jornada de 40 horas semanais. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas está parada no Senado desde maio.

Alcolumbre chegou a dizer que não votaria o texto para não “contaminar” o processo eleitoral e que esperava um contato do presidente Lula, o que não aconteceu. A tensão só diminuiu após um almoço entre os dois e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em 27 de agosto.

Se aprovada, a proposta passa a valer 60 dias após a promulgação pelo Congresso. Nesse período, a jornada semanal cairá de 44 para 42 horas. Em 14 meses, para 40. O texto também fixa a obrigatoriedade de duas folgas por semana, sendo uma delas preferencialmente no domingo, ou distribuídas no mês calendário.

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Fazendeiros ameaçam invadir terra indígena se Flávio Bolsonaro vencer

Mensagens são monitoradas pelo governo federal

João Gabriel
Folha

Fazendeiros dizem que vão invadir territórios indígenas na Amazônia caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições de 2026, segundo áudios e relatos reunidos pela Folha. Os indícios de invasões a territórios chegaram às autoridades do governo federal, que também apuram se a onda crescente de incêndios florestais dentro de um território foi causada propositalmente por fazendeiros.

O caso mais emblemático, até agora, aconteceu no Pará, na terra indígena Apyterewa, próxima ao rio Xingu, que tem longo histórico de violência e viveu um pico de desmatamento durante o governo Jair Bolsonaro (PL). Pecuaristas chegaram a construir uma pequena cidade dentro da área protegida, conhecida como Vila Renascer.

AMEAÇAS – Oito áudios obtidos pela Folha revelam ameaças de invasão ao território onde vivem os parakanãs —povo de recente contato com não indígenas e, por isso, mais vulneráveis— previstas para o próximo dia 25, data do segundo turno das eleições, e citam Flávio.

Por razões de segurança, a transcrição dos áudios não será publicada, nem a identidade dos envolvidos. Os recados foram enviados por WhatsApp por moradores da região a indígenas nos últimos dias. O material é de conhecimento dos órgãos de inteligência do governo federal.

As mensagens dizem que os fazendeiros aguardam o dia da eleição para entrar na terra indígena e construir suas fazendas lá dentro, diante da expectativa deles de que Flávio, caso vitorioso, e o já eleito governador, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território dos Parakanã e passem para os pecuaristas da região.

METADADOS – A Folha cruzou os metadados de origem dos áudios com banco de dados e conversou com investigadores que atuam nesse caso para confirmar que eles são ligados a endereços nos arredores do território Apyterewa.

A campanha de Flávio é procurada pela reportagem, por meio de seu canal oficial de imprensa, desde a noite de quinta-feira (8), mas não respondeu até a publicação desta reportagem. O mesmo foi feito com a gestão estadual do Pará, que não se posicionou. Dr. Daniel, governador eleito no Pará, disse por meio de sua assessoria que não vai comentar.

Os áudios e as ameaças foram pauta da reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula (PT) da última quinta. Polícia Federal (PF), Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), Funai (Fundação dos Povos Indígenas) e Ministério dos Povos Indígenas disseram que monitoram a situação.

PRESSÃO – O Ministério dos Povos Indígenas disse que monitora o “aumento da pressão para a ocupação ilegal do território”. “Durante a reunião, o Comitê deliberou pelo reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado, a fim de intensificar a manutenção da desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais”, afirmou em nota.

“Em relação aos áudios que associam as eleições de 2026 à invasão do território indígena, o Ministério esclarece que a apuração dos fatos compete às autoridades policiais responsáveis pela investigação”, completou.

O Ibama disse que acompanha a situação. “Também há evidências de mobilização em outras regiões da Amazônia, tanto em terras indígenas, quanto em outras áreas protegidas, com vistas à retomada das atividades de garimpo ilegal”, completou o órgão. Um agente da Polícia Federal disse à reportagem, sob anonimato, que as informações de inteligência quanto às ameaças aos parakanãs são sólidas e preocupantes.

HISTÓRICO –  Dados de desmatamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial) mostram que a área desmatada na Apyterewa foi de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, primeiro ano da gestão bolsonarista, e bateu o recorde em 2022, com 102, 2 km² destruídos. Em 2023, primeiro ano do governo Lula, despencou para 20,6 km².

A Apyterewa também é um dos territórios que foi objeto da ADPF (Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental) 709. Em 2020, o então ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso ordenou que o governo federal deveria expulsar invasores das áreas indígenas —determinação não cumprida por Bolsonaro.

A desintrusão começou em 2023, com reação violenta dos fazendeiros, que realizam periodicamente emboscadas contra operações de retirada do gado ilegal. Em diversos casos, pontes dentro da área foram derrubadas para inviabilizar a passagem dos agentes. Um servidor da Funai foi baleado no final de 2023 e um contratado do Ibama foi morto em 2025.

QUEIMADAS –  Nos últimos meses, o clima eleitoral voltou a acirrar os ânimos na região, segundo autoridades ouvidas pela reportagem. Os focos de incêndio explodiram nas últimas semanas, e investigadores suspeitam de queimadas propositais. Segundo dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu, passaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 no mês passado.

Homologada em 2007, a terra indígena Apyterewa fica em São Félix do Xingu (PA), ocupa 773 mil hectares e abriga mais de mil parakanãs de recente contato. A classificação indica que o povo preserva sua cultura e organização social, com autonomia e certo distanciamento da sociedade não indígena. Por isso, a interação não controlada com invasores representa uma ameaça maior do que para grupos mais integrados à sociedade ocidental.

Em áudios recebidos pelas lideranças e obtidos pela Folha, moradores relatam maior circulação de motos e caminhonetes e dizem que fazendeiros compram lonas e materiais de roça para iniciar uma invasão após o segundo turno. As mensagens orientam os indígenas a evitar áreas onde pecuaristas já preparam o solo para pastagens e plantações e sugerem que os parakanãs deixem a região.

Para ganhar a eleição, basta Flávio não responder os ataques absurdos de Lula


Flávio Bolsonaro defende programa Bolsa Família: "direito adquirido"

Flávio não responde ataques e defende o Bolsa Família 

Carlos Newton

No desespero, o presidente Lula da Silva decidiu investir todas as fichas na tentativa de convencer o eleitorado de que Flávio Bolsonaro representa um ameaça maior à democracia do que o próprio pai, que chegou a planejar com as Forças Armadas aquele golpe militar que não aconteceu, porque resolveram consultar o Estado-Maior do Exército, e os generais de quatro estrelas disseram não, criando uma conspiração tipo Viúva Porcina, “aquela que foi sem ter sido”, no dizer irônico do escritor Dias  Gomes.

A imprensa amestrada atribui essa decisão de radicalizar a disputa à cúpula do PT e à coordenação de campanha, mas isso não existe na realidade. No PT, desde sua criação no colégio Sion, em São Paulo, em 1980,  jamais houve direção partidária ou articulação de campanha do PT, nem mesmo quando Dilma Rousseff e Fernando Haddad foram escolhidos por Lula para disputar a eleição. As campanhas sempre foram feitas por ele, no seu estilo.

LULA REINA – No PT, quem decide tudo é o próprio Lula, que após o primeiro turno afastou da campanha o presidente do partido, Edinho Silva, e os outros dirigentes, e estamos conversados.

Talvez, no futuro próximo, pode ser que até passe a existir uma cúpula partidária atuante, com uma coordenação profissional de campanha. Porém, enquanto Lula continuar na ativa, isso certamente não acontecerá. Assim, a sobrevivência do PT, a partir de agora, passa a ser altamente improvável. Se Lula perder a eleição, o partido fica sem perspectivas.

A mudança é tão abrupta que a maior base do PT é a Bahia, onde o partido segue controlado por dois políticos corruptíssimos – Jaques Wagner e Rui Costa, que conseguiram reeleger o governado Jerônimo Rodrigues. Já são 20 anos de reinado petista, com resultado constrangedor. A Bahia tornou-se o estado mais violento do país, entrou em retrocesso socioeconômico e a população está crescendo em ritmo muito lento, enquanto muitos municípios específicos (e a capital, Salvador) perdem moradores.

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P.S. 1
– Lula é um fenômeno. Foi descoberto pelo delegado federal federal Romeu Tuma, que sugeriu ao general Golbery do Coutto e Silva, chefe do Serviço Nacional de Informações, a contratação dele como agente infiltrado  no sindicalismo, para destruir a imagem do trabalhismo de Leonel Brizola. O projeto de Golbery deu tão certo que Lula se tornou o maior político brasileiro. Mas tudo tem seu tempo e agora chegamos a um ponto sem retorno. Se Lula perder, pode-se encomendar o velório do petismo. É isso que está sendo decidido no dia 25, com Lula em tempo de inferno astral, pois seu aniversário é somente n0 dia 27, com a eleição mais do que terminada. (C.N.)