Disputa interna no Supremo definá equilíbrio de poder
Deu na CNN
O cientista político Leandro Gabiati, cientista político e diretor da Dominium, avaliou que a eleição presidencial de 2026 ocupa, atualmente, uma posição secundária diante da disputa de poder que se trava internamente no STF (Supremo Tribunal Federal) e no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Ao WW, Gabiati defendeu que é preciso olhar para além dos candidatos para compreender o cenário político atual.
Para Gabiati, o que está em jogo não é apenas o pleito eleitoral, mas o controle do equilíbrio político do Supremo pelos próximos cinco a dez anos. “A gente acaba, talvez, reparando todo esse processo, tentando interpretá-lo a partir justamente dos candidatos”, afirmou.
AUTOCONTENÇÃO – “Vou dar um passo além e enxergar essa falta de autocontenção institucional do Supremo a partir de uma disputa de poder intestina, que tem a ver com o controle do equilíbrio político do Supremo para os próximos cinco ou inclusive dez anos.”
O especialista apontou que essa dinâmica interna resulta em decisões que prejudicam a credibilidade do Poder Judiciário. Segundo Gabiati, o STF tem produzido “decisões totalmente irracionais”, além de “fragmentadas” e “incoerentes”, que não fazem sentido para o cidadão comum.
“Justamente quando o Poder Judiciário deveria ser o poder do equilíbrio, o poder da sensatez, o poder da ponderação”, destacou, reforçando a gravidade da situação para a democracia.
INSTABILIDADE – Gabiati alertou ainda que o cenário de instabilidade institucional contamina a própria credibilidade da Justiça Eleitoral. Para ele, em um contexto de sucessão eleitoral “totalmente imprevisível”, o TSE — responsável por administrar o processo eleitoral e conferir legitimidade às decisões dos cidadãos nas urnas — também é afetado negativamente.
“A situação de fato é séria”, concluiu o especialista, que reconheceu não haver ainda clareza sobre qual seria o limite da falta de autocontenção do Supremo.
👏 Segundo reportagem de Robson Bonin, publicada pela Veja em 19 de setembro, integrantes da cúpula do Exército estariam revoltados com o que consideram uma omissão do Supremo diante das provas da Polícia Federal relacionadas a Alexandre de Moraes. A cobrança, segundo a revista, é para que a Corte aplique a Moraes o mesmo rigor que aplicou aos militares acusados de envolvimento na chamada trama golpista.
O caso envolve materiais extraídos do celular de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, que passaram a ser relacionados a uma investigação envolvendo o ministro. O julgamento que analisaria a abertura da investigação estava previsto para 15 de setembro, mas não avançou. Flávio Dino pediu vista após uma sessão marcada por tumulto, e o processo saiu de pauta antes da análise do mérito.
A Veja também relatou que integrantes do comando do Exército evitariam qualquer manifestação pública que pudesse ser interpretada como afronta institucional. Segundo um interlocutor ouvido pela revista, a frase interna teria sido direta: “O STF que lute com sua desgraça.”
Dias depois, no programa ALive de 2 de outubro, Claudio Dantas afirmou que militares já teriam enviado recados a ministros do Supremo, entre eles Gilmar Mendes e Edson Fachin. Segundo ele, a mensagem seria de que as Forças Armadas não deveriam ser chamadas a intervir caso a Corte provocasse uma crise, violasse a Constituição ou boicotasse a eleição.
São relatos atribuídos a fontes e veículos específicos, não uma manifestação oficial do Exército. O ponto central da reportagem é a existência de uma cobrança interna para que o STF aplique a Moraes o mesmo padrão de rigor utilizado anteriormente contra oficiais militares.
Fonte: Veja / Claudio Dantas
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