Mensagem à presidente Dilma. No cadafalso em que foram sacrificados Palocci e Nascimento, há um lugar reservado para o Copom, por uma questão de interesse nacional.

Tadeu Cordova Borges

Após um mergulho de mais de 25 anos num intenso trabalho de pesquisa socioeconômica, com a situação brasileira em primeiro plano, considero-me em condições de dar opinião, para contribuir para o sucesso do governo.

São abundantes os equívocos na condução da política econômica de nosso país. Os principais erros ocorrem nas áreas do câmbio e dos juros, ambos a cargo do Banco Central do Brasil, uma entidade que entre outras denominações é conhecida como “autoridade monetária”, mas que não esta fazendo valer seus poderes para o bem do país.

No câmbio, na melhor das hipóteses, o Banco Central é cúmplice de uma política criminosa que ceifa crescimento, divisas e empregos aqui no país, e gera tudo isso na China. Serve-se do conceito de que a flutuação do câmbio é determinada pelo mercado, mas esquece que este mesmo mercado é adepto da estabilidade, e a estabilidade não engole o que ocorreu em nosso país, quando o dólar foi comercializado a R$ 4,00 (quatro reais), seis dias antes do resultado do primeiro turno da eleição de 2002.

Em minha opinião, cara presidente Dilma Rousseff, as “elites” do país, que manipulam muita coisa, na época se depararam com a iminente vitória de Lula na eleição, com sérias possibilidades de ocorrer em primeiro turno. Era necessário que se desse um susto nesta turma, e, nesta hipótese, nada melhor do que jogar o dólar na estratosfera.

Como explicar, porém, que o mesmo mercado que elevou o dólar a R$ 4,00 em 30 de setembro de 2002, agora aceite uma taxa de R$ 1,55, quase nove anos depois? Que mercado é esse que concede a vitória a um candidato com uma das mãos e com outra impõe restrições a ele?

Na questão dos juros o Banco Central serve-se de outra falácia e esquece que uma simples olhada no demonstrativo temporal da inflação permite a mentira que ela embute.

Vejamos a tabela da evolução da taxa de inflação anualizada do IPCA, mês a mês, nos últimos doze meses, com as respectivas alterações na taxa Selic.

MÊS        INFLAÇÃO ANUALIZADA     TAXA SELIC

Jun/2010                      5,22                           10,25

Jul/                               4,84                           10,75

Ago                               4,60                            10,75

Set                                  4,49                            10,75

Out                                 4,70                            10,75

Nov                                5,20                            10,75

Dez                                  5,63                            10,75

Jan/2011                          5,91                             11,25

Fev                                 5,99                             11.25

Mar                                6,01                             11,75

Abr                                6,30                             12,00

Mai                                6,51                              12,00              

Jun                                6,55                              12,25

Jul                                 6,71                              12,25                 

Um olhar crítico sobre a tabela revela que, no calor das eleições do ano passado, as taxas mantiveram-se inalteradas durante seis meses seguidos. Este ano, durante seu governo, o Copom efetuou quatro elevações na taxa Selic, embora a inflação tenha subido em todos os meses, considerando o cálculo anualizado.

Sou frontalmente contrário a prognósticos e projeções econômicas, dadas à complexidade dos fatores que envolvem a atividade, mas me vejo forçado a considerar que a inflação do período set/2010 a ago/2011 deverá atingir ou beirar a marca de 7% (sete por cento) uma vez que os percentuais de julho e agosto de 2010, 0,01% e 0,05% respectivamente, serão substituídos por percentuais tradicionalmente mais elevados nos últimos dez meses.

Conspira a favor do Copom o rigoroso inverno que estamos vivendo em 2011, com sérios reflexos na produção agrícola. Se confirmado tal prognóstico, e se o percentual for responsável por uma marca de 2% apenas, a inflação chegará a 9%, ou seja, o dobro da meta.

Conspira favoravelmente a taxas mais baixas o baixo poder aquisitivo da sociedade brasileira. Considero Pedro Malan o maior responsável pela lambança da economia brasileira. Durante o primeiro mandato de FHC, com a sobrevalorização cambial em vigor, quando questionado a respeito de mudanças na política cambial, o ministro descartava qualquer mudança. Alegava haver países que experimentaram desvalorizações e colheram inflação de dois pontos percentuais para cada ponto de desvalorização.

Quando FHC, à revelia de seu ministro, fez a exótica opção pela diagonal endógena, no início do segundo mandato, Malan estava na sede do FMI conversando com jornalistas, em 19.01.1999, quando lhe perguntaram como ficaria a inflação. Pedro Malan respondeu que faltaria renda no país para sustentar uma alta nos preços.

Acredito, cara presidente Dilma Rousseff, que este estudo possa servir para interpelação à equipe econômica, donde virá o argumento que o processo é demorado. Recomendo-lhe então questionar como a inflação sofreu queda brusca em 1990. A inflação, medida pelo IPCA, foi de 67,55% em janeiro, 75,73% em fevereiro, 82,39% em março e apenas 15,52% em abril. Já na véspera do Plano Real, de janeiro a junho de 1994, a inflação variou de 40,27 a 47,43% pelo mesmo IPCA e caiu para míseros 6,84% em julho. Caso haja o retruque de que houve congelamento de preços, é oportuno salientar que no Plano Real não houve esta prática econômica.

Finalizando, cara presidenta, tomo a liberdade de sugerir, a meu exemplo, consultar pessoas de qualquer sexo, cor ou idade (e quanto maior a quantidade, melhor) para saber se alguma delas deixou de adquirir alguma coisa, desde um mísera bala por uma criança até um jatinho por um magnata, em razão das elevações nas taxas de juros.

Despeço-me cumprimentando-a com afeição e carinho.

Obs. – Caso V. Excelência deseje retribuir-me de alguma forma, recomendo-lhe a quitação da dívida que a União tem com a Tribuna da Imprensa.

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