Empresas do Sistema Eletrobrás entram em greve de 48 horas e repudiam “discurso neoliberal” do governo.

Carlos Newton

Era só o que faltava. Depois de oito anos e meio de governo do PT, que tem a CUT (Central Única dos Trabalhadores) com um de seus principais sustentáculos, os empregados do Sistema Eletrobrás, cujos sindicatos são integrantes da própria CUT, vem a público para criticar “a indiferença dispensada às representações sindicais”.

Ao se declararem em greve por 48 horas, os trabalhadores das empresas de energia do Sistema Eletrobrás aprovaram um texto que dá destaque “para o repúdio ao discurso neoliberal que apregoa a falta de mão de obra qualificada no país, mas que se recusa a reconhecer a capacidade da categoria eletricitária, responsável por um setor estratégico para o Brasil, que atendeu com sobras ao crescimento de 8% do consumo de energia em 2010 e que deu respostas imediatas a eventuais interrupções, garantindo a tranquilidade dos setores industrial e residencial”.   

O que impressiona é que o posicionamento dos sindicalistas não mudou nada, apesar de estarmos em pleno reinado do sindicalismo há oito anos e meio, repita-se. Isso significa que os trabalhadores brasileiros estão hoje sem opção política. Vejam este parágrafo do manifesto dos eletricitários:

“A CUT já disse mil vezes e continuamos afirmando: o que causa inflação é a especulação, a ação dos monopólios e oligopólios privados e os descontrole do sistema financeiro, que pratica altas taxas de juros que fomentam o parasitismo especulativo. A inflação se combate com produção e não com restrição ao consumo, como nos querem fazer crer os monetaristas”.

E mais: “Afinal, a elevação dos juros só faz aumentar a sangria da sociedade e do Estado – que já repassaram mais de R$ 100 bilhões aos bancos somente este ano – e os custos das empresas, erguendo barreiras e dificultando os investimentos produtivos. Convertendo-se, portanto, no fator mais inflacionário da economia. O seu impacto só não é mais visível no bolso da população por conta das importações subsidiadas pelo câmbio, à custa da desnacionalização de setores da economia”.

Se Jô Soares ainda estivesse fazendo aquele personagem que ficou anos em estado de coma e de repente acordou, seria um prato cheio. O gordo teria dormido durante todo o governo do PT e de repente despertou pensando que ainda estava no governo do PSDB-PFL.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *