Com apoio entusiástico do STF, sucessivos governos transformaram o Brasil num país inviável

TSE registra 264 crimes de violência contra candidatos desde janeiro |  Agência Brasil

Esta é a suntuosa sede do TSE, custeada pela dívida pública

Carlos Newton

Já dissemos aqui na “Tribuna da Internet” que um dos maiores problemas do Brasil foi a perda da simplicidade. Em algum ponto fora da curva, nós saímos do caminho correto e mergulhamos nesse vale de ilusões, em que as pessoas bem sucedidas se internacionalizaram, é preciso viajar sempre para o exterior, ter casa em Miami, Nova York, Londres ou Paris, abrir conta na Suíça ou em paraíso fiscal. Nesse delírio tropicalista, as elites brasileiras passaram a viver num mundo do faz-de-conta ou na terra do nunca-jamais, imitando o genial personagem Peter Pan.

Mas a vida real é muito diferente, não se pode viver como Alice no País das Maravilhas, nem adianta morar num bairro sofisticado como Ipanema, se as balas perdidas já se instalaram lá, junto com moradores de rua e crianças abandonadas.

MISÉRIA E RIQUEZA – O fato concreto é que não pode haver convivência pacífica entre a miséria absoluta e a riqueza total, são situações que não devem se misturar, mas o capitalismo à brasileira persiste nesse erro, que somente cabe ao governo resolver, porque o famoso mercado não se preocupa com esse tipo de problema, o importante é o lucro, não há tempo a perder com detalhes, a liberdade democrática só tem sido usada como argumento na hora de acumular dinheiro, sejamos francos.

Na verdade, o Brasil nem pode ser considerado um país capitalista ortodoxo, pois vivemos sob um sistema muito louco, no qual foi montada uma máquina estatal gigantesca e inútil, que explora a população e o empresariado, como se essa prática fosse viável e sustentável.

VALE DOS REIS – Brasília é o grande retrato da distorção nacional. Tornou-se uma espécie de versão moderna do Vale dos Reis, onde os faraós egípcios construíram as pirâmides. Tudo no planalto central é grandioso e inoperante. São prédios gigantescos e suntuosos, construídos com recursos públicos que não foram fruto de arrecadação tributária, mas oriundos do crescimento da dívida pública.

Há cerca de 15 anos eu frequentava muito o Tribunal Superior Eleitoral, fiz amigos entre seus auditores, acompanhava as prestações de contas dos partidos, escrevia reportagens sensacionais, acabei processado pelo Partido Verde por denunciar as falcatruas de sua direção, que ainda é a mesma, tanto tempo depois. Fui defendido pelo grande advogado paulista Luiz Nogueira, que venceu em todas as instâncias, mas o PV não aprendeu nem mudou nada.

DIFERENÇAS – O prédio do TSE, no centro de Brasília, era modesto, tinha poucos servidores. Hoje é um palácio imenso, com mais de mil funcionários efetivos muito bem remunerados, que não têm o que fazer, e cerca de outros dois mil terceirizados.

O mesmo fenômeno expansionista ocorreu no Tribunal de Contas da União, no Superior Tribunal de Justiça, no Supremo Tribunal Federal, na Procuradoria-Geral da República, no Superior Tribunal Militar, nos órgãos ligados a ministérios civis ou à própria Presidência, como a Advocacia-Geral da União, que funcionava no anexo do Planalto e ganhou um prédio enorme para chamar de seu.

Essa gastança desenfreada, que contaminou os três poderes, ocorreu nos governos do PSDB e do PT, que consumiram recursos oriundos da dívida pública para bancar esses delírios de grandeza e aumentar o número de funcionários, de cargos comissionados e de empregados terceirizados, tornando incontrolável a corrupção buroctática.

EXEMPLO PARLAMENTAR – O Congresso Nacional é uma piada de mau gosto. Os gabinetes dos deputados são mínimos, apenas duas salinhas e um banheiro privativo, mas podem contratar 25 assessores. Os senadores têm mais conforto, mas sem exagero. Então, por que cada senador passou a ter direito de contratar 55 assessores? Não há explicação.

Como não é possível alojar essa tropa no gabinetes da Câmara, onde só cabem seis funcionários, no máximo, o Congresso então criou os escritórios externos, que cada parlamentar (deputado ou senador) tem direito de montar em seu Estado de origem, à custa do Tesouro Nacional, vejam só q         ue esculhambação.

POBREZA ENDIVIDADA – O Brasil é pobre, até mesmo paupérrimo, mas nos Três Poderes a administração pública é rica e farta, seja federal, estadual ou municipal, porque todas elas – direta ou indiretamente – acabam sendo alimentadas pela crescente dívida pública, a fonte luminosa que abastece o desperdício e a corrupção.

A perda da simplicidade é uma deformação que ninguém discute, embora seja o maior problema nacional. Esse injustificável gigantismo é um buraco de sugar recursos públicos, porque os prédios imensos têm de ser ocupados e mantidos. E esse superdimensionamento se reproduziu nas sucursais de órgão federais (confiram as instalações , do Banco Central de São Paulo) e foi seguido pelos governos estaduais e municipais no país inteiro.

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P.S.
1Não adianta fingir de rico, gastando verbas que não existem e se transformam em dívidas, a serem pagas no futuro, como fizeram Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva, os dois presidentes roedores que corromperam as finanças de um país que seria altamente viável, mas determinados políticos parecem fazer questão de inviabilizar.

P.S. 2 – O pior é saber que não existe solução. O Supremo já reconheceu os “direitos adquiridos” dessa nomenklatura tropicalista, que inclui os militares, que se livraram da reforma da Previdência e depois ganharam aumento de salários, para acabar de inviabilizar o país.

P.S. 3 – Quanto à dívida pública, que sustenta essa maluquice, a mídia e o governo não dizem uma só palavra, apenas se calam, respeitosamente. E sem equacionar a dívida, o país é totalmente inviável. E sem parar com a gastança estatal, jamais se equacionará a questão da dívida. Mas quem se interessa? (C.N.)

10 thoughts on “Com apoio entusiástico do STF, sucessivos governos transformaram o Brasil num país inviável

  1. Bom dia! EXCELENTE artigo. O palácio do planalto na era Lula tinha dez mil funcionários entre efetivos, militares, terceirizados e comissionados . Uma FARRA!!! Tiveram que construir um novo estacionamento (subterrâneo) para os carros de toda essa gente . Nunca vi o Brasil tão mal . Nunca!

  2. Esse país com eleição de dois em dois anos jamais sairá dessa encrenca, dessa situação de horror. O povo um dia terá de ir às ruas e pedir para o exército, sim o exército pois nem armas o povo tem para poder acabar com essa anarquia desses políticos e a pocilga do STF. Haverá em pouco tempo alguma insurgência ninguém aguentará Kassio Nunes por 27 anos desmoralizando à justiça. Os onzes vagabundos do STF precisam pagar pelo o que estão fazendo com esse país miserável.
    Ah país vagabundo.

  3. 1) Excelente artigo !

    2) O Brasil atual é aquela mansão que ostenta ricas aparências, mas na área de serviço explora os empregados.

    3) Pessoas públicas perderam a simplicidade sim, e o egoísmo, a vaidade e a arrogância cresceram demais.

    4) Talvez em 2025 melhore.

  4. Ultimamente, qualquer cachorro que logra um ganho diferente: seja, fruto de corrupção, narcotráfico, contrabando ou golpes de toda a sorte. Para marcar status e dizer que paira numa casta muito acima, o primeiro passo do novo-rico é comprar uma casa, numa dessas Pasárgadas citada por CN.
    Aos pais, compensa alguém perguntar: “Rapá, adonde anda o teu filho Jeguesson, queu nunca más vi ele? De pronto o papai responde: ” Ah, ele já véve nus Tazunido; foi cum familha e tudo! E o perguntador conclui: “É, pra quem Deus promete, non faia. Eu tomém tenho um (filho) lá in casa qui tá si arribando pressas banda!”
    Tenho uma colega esposa de médico, sua filha mais velha incutiu na cuca que queria seguir a mesma vocação do pai, e que o curso deveria ser feito em universidade pública. A partir do quinto vestibular que a moça prestava, sem êxito, logo após o resultado, a mãe a tocava para uma cidade diferente dos Estados Unidos. Estou falando de um país com 50 estados!
    As amigas mais chegadas, curiosas, indagavam-na: “Bran…, por que a cada vestibular mal sucedido de Vane….., você a manda pros States? -“Ah, minha colegas, para ela não acumular frustração nem “fazer besteira”. Entende-se aqui por “fazer besteira”: fugir com macho, virar sapatão, entregar-se ao vício ou recorrer ao sucídio. Até que na décima terceira tentativa a turista, em busca de um divã, passou em penúltimo lugar.

  5. Ótimo artigo CN.
    Um dos maiores problemas do Brasil é a burocracia, essa causada por uma imensidão de leis.
    Esse sistema burocrático aumenta sobremaneira a necessidade de pessoal, tanto para executar e cumprir, como para fiscalizar o cumprimento de tantas normas.

    É necessário racionalizar as leis existentes, mas quem se interessa? Lembro até que já tivemos um ministério da desburocratização, porém ele foi um fracasso, muito devido às resistências de um sistema arraigado no país.

    Quanto à dívida pública não seria problema se tivéssemos um superávit primário. Muitos países detém uma dívida pública imensa, mas convivem com ela sem problemas.
    Afora países como os EUA que tem um deficit primário enorme (mas o dólar é o preferido do mundo e por isso pode financiar seus gastos sem maiores problemas), outros países, como o Japão possuem uma dívida pública que ultrapassa seu PIB, mas como têm superávit nas suas contas, isso é superável, sem maiores traumas.

  6. E a coisa é geral, porque os deputados federais e estaduais, os senadores, os vereadores, colocam seus parentes e amigos nos cargos eainda fazem com muitos deles as infames “rachadinhas”, e é lógico que eles, que são os que têm o direito legal de acabar com essa farra, não têm nenhum interesse em fazê-lo.

  7. Excelente artigo.
    Mostra bem uma sociedade de glamour que ignora a decomposição subjacente.
    A perda da simplicidade, da visão de objetivos e o comprometimento com a “res pública” vai nos fazendo indiferentes os acontecimentos do nosso entorno.

  8. Carlos Newton, excelente artigo. Realista, sem reparos.

    Essa parte do artigo “Brasília é o grande retrato da distorção nacional. Tornou-se uma espécie de versão moderna do Vale dos Reis, onde os faraós egípcios construíram as pirâmides. Tudo no planalto central é grandioso e inoperante. São prédios gigantescos e suntuosos, construídos com recursos públicos que não foram fruto de arrecadação tributária, mas oriundos do crescimento da dívida pública.”, faz aflorar o grande mal causado ao Brasil e aos cidadãos brasileiros a mudança da capital para longe do povo.

    Em 1955. às vésperas de nosso faraó-cigano assumir a Presidência da República e resolver construir Brasília, nossa carga tributária era de 15,05 do PIB. Em 2019 superou a 35%.

    Brasília sempre foi gasto, nunca foi investimento. Para sua construção dinheiro foi desviado da educação, da saúde, do saneamento básico e outras necessidades fundamentais à vida humana.

    No mesmo período, a Coréia do Sul, destruída, recém saída de terrível guerra, em situação social e econômica muito pior que o Brasil, resolveu investir em educação, ou seja, capital humano. Hoje, o Brasil importa tecnologia da Coréia do Sul, pois a opção de nosso faraó-cigano não foi investir no futuro do Brasil e sim gastar na construção do Vale dos Reis Tabajara.

  9. Perfeito
    Sr. Newton
    Esses dois irmãos metralhas ladrões corruptos ao longo de 30 anos destruíram o país, que fica muito difícil sua reconstrução.
    A bomba da dívida está quase explodindo
    E até agora o ministro dos banqueiros não deu um pio

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