Comandante do Exército mandou recado à tropa ou ao presidente Bolsonaro?

Não há interferência política no Exército”, diz general Paulo Sérgio - Blog do Ricardo Antunes

Paulo Sérgio Nogueira faz alerta sobre as “fake news”

Carlos Newton

Dentro de algumas décadas, quando os historiadores forem contar a verdade sobre o turbulento governo de Jair Bolsonaro, com toda certeza será exaltado o comportamento do Exército Brasileira na defesa da democracia. Na verdade, o atual presidente preparou o terreno de todas as maneiras para possibilitar um golpe militar. E fez tudo às claras, apregoando a todo momento sua posição de comandante-em-chefe das Forças Armadas.

Para conquistar o apoio dos militares, Bolsonaro concedeu-lhes todas vantagens possíveis e imagináveis. Enquanto o país vivia – e ainda vive – uma gravíssima crise econômica, as Forças Armadas foram prestigiadas e se transformaram em exceção. Como dizia Vinicius de Moraes, que maravilha viver!

ESTRATÉGIA QUASE PERFEITA– Ao mesmo tempo, o presidente Bolsonaro abriu o governo e preencheu mais de 6 mil cargos com militares da ativa e da reserva. Era uma estratégia que parecia perfeita, até porque Bolsonaro teve a preocupação de se cacifar junto ao Alto Comando do Exército, que na defesa da democracia funciona como uma espécie de poder moderador informal, dentro das quatro linhas do artigo 142.

Para tanto, nomeou como ministros dois comandantes do Alto Comando, os generais da ativa Luiz Eduardo Ramos e Walter Braga Netto.

Executado às claras, o plano enfrentou resistências. Em 30 de março, véspera do aniversário do golpe de 1964, Bolsonaro resolveu bancar o comandante-em-chefe e demitiu, a um só tempo, o ministro da Defesa e os três comandantes militares, trocando-os por oficiais superiores que julgou mais aderentes ao comando do agora ministro Braga Netto.

ATÉ AGOSTO – Tudo ia bem até 10 de agosto (mês do cachorro doido, como se diz em política), quando Bolsonaro mostrou que ia partir para o tudo ou nada, ao promover o fumaçento desfile de tanques e blindados diante do Planalto e convocar para setembro as enormes manifestações que lhe dariam apoio popular.

A preparação do golpe foi num crescendo, e no sábado, 14 de agosto, quatro dias após o desfile dos tanques, o ministro da Defesa, Braga Netto, numa cerimônia militar, afirmou que as Forças Armadas são “protagonistas dos principais momentos da História do País” e estão “sob autoridade suprema do presidente da República”.

Em tradução simultânea, ele ameaçou: “Se não nos obedecerem, daremos o golpe”. Mas esqueceu de combinar com a peça-chave nesse xadrez político-militar – o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira.

NO DIA SEGUINTE – Não foi por coincidência que no dia seguinte, domingo, 15 de agosto, o jornal O Globo publicou uma matéria importantíssima, que trazia apenas duas frases do comandante do Exército. Disse o general Nogueira: “Não há interferência política no Exército. O Alto Comando está com o comandante”.

Na empolgação do momento, Bolsonaro e Braga Netto não levaram fé na palavra do comandante. Engrossaram a convocação para o Sete de Setembro com empresários e seguiram em frente. Com apoio de transportadoras e de alguns caminhoneiros autônomos, a segunda parte do plano era gerar caos e desabastecimento, para justificar o artigo 142, dentro das quatro linhas.

A surpresa foi Bolsonaro ter recebido o “tranco” do Alto Comando do Exército, que mandou o governo retirar imediatamente os caminhoneiros e reabrir as estradas.

NO DESESPERO – Bolsonaro e Braga Netto tiveram de obedecer à ordem. No desespero, com medo de ser derrubado, o presidente então mandou buscar Michel Temer de jatinho e pediu arreglo ao ministro Alexandre de Moraes, que o ouviu respeitosamente, mas “não cedeu um milímetro”, segundo relato do ex-presidente.

Neste sábado, dia 18, a estocada final. Num vídeo de oito minutos, o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Oliveira, enviou uma mensagem para os 220 mil militares, no qual alerta a tropa para cuidados com as fake news nas redes sociais e reforça o compromisso de hierarquia e disciplina.

“Muita cautela com o que circula nas mídias sociais. Analise com critério e faça a correta interpretação do que acessam ou recebem, mas principalmente confiem ainda mais nos seus comandantes e chefes em todos os escalões hierárquicos. Eles estão investidos de autoridade e responsabilidade para transferir a vocês a leitura mais profissional e ética dos acontecimentos. Além de orientá-los no correto caminho a seguir”.

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P.S.
– Em tradução simultânea: “Não haverá golpe”. Ou o sonho acabou, diria John Lennon. Agora, Jair Bolsonaro e Braga Netto precisam se compenetrar de suas insignificâncias e entender que o Exército Brasileiro está acima, muito acima, dos oficiais-generais que ocasionalmente estiverem em posição de comando, conforme fica demonstrado pelo histórico exemplo do general Paulo Sérgio Nogueira, um nome a se destacar na História Republicana. (C.N.)

14 thoughts on “Comandante do Exército mandou recado à tropa ou ao presidente Bolsonaro?

  1. A TI continua pândega, lamentosa, na vã tentativa de se juntar á “quadrilha de veículos de comunicação”, reproduzindo in totum e copiando e adaptando outras para publicar nesse jornaleco eletrônico.
    Preparem o lombo que em 2022 Bolsonaro vai repetir a dose da vacina contra a corrupção.

    • Bolsonaro tá combatendo corrupção com 50 vezes mais corrupção, mas ao olhar dos trouxas, é a mesma combinação da usada na vacina. Né Não! Nas vacinas o vírus inoculado está morto… no governo o vírus(familiar) está bem ativo, vivo e operante. Selva!

  2. Espero que os historiadores esqueçam nosso tempo, que o citem apenas como um contratempo em que a desgraça por aqui passou: a covid que nos mata, o fogo que queima nossas matas e o Jumento que atiça nossos tormentos. Esqueçam os Silvérios, os Queirogas, o Bozos e os da Silva – o que importa é o agora que lentamente nos devora.

  3. Na nossa Republiqueta de Bananas Podres o cidadão que sustenta o Estado com o pagamento de tributos vê o Lula sair direto da cadeia para se candidatar a presidente e os juízes, procuradores, policiais e militares da ativa tem que esperar quatro anos.

    Isso, somado a um golpe de Estado, resultaria em um combustível de alto poder de destruição, pois poderia resultar na prisão dos ladrões do dinheiro público após o assassinato canalha da Operação Lava Jato.

  4. CN, você votaria no Lula em 2022 ou teria um candidato da 3° via como alternativa?
    Gostaria de saber das tuas preferências.
    No cenário político atual minha escolha é Bolsonaro, porque não vejo ainda ninguém que possa confrontá-lo.

    • Paulão, dá um sorriso, porque votarei na terceira via. Qualquer um dos pretendentes é melhor do que Lula e Bolsonaro. Para mim, não importa o partido nem o nome.

      Abs.

      CN

  5. Rapaz, o negócio tá feio, cheguei agora da farmácia, tive que usar os três cartões, os limites já tinham sido consumidos pelo supermercado, o açougue vai ter que ficar para o próximo mês, sei não…alguém poderia ajudar, me informar como a gente pega umas horas extras nesse tal de “gabinete do…” não tem problema não, eu acho um nome que ainda não tenha sido usado e faço treinamento de fake news, ilusionismo, gíria de miliciano, xingamento de botequim e vernáculo de presídio, o negócio é entrar, a grana deve ser boa, pois cada dia aparecem mais por aqui.

  6. Eu estava começando a acreditar nas “narrativas” Hehehe, quando a admoestação do comandante do Exército me alertou.

    “Neste sábado, dia 18, a estocada final. Num vídeo de oito minutos, o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Oliveira, enviou uma mensagem para os 220 mil militares, no qual alerta a tropa para cuidados com as fake news nas redes sociais e reforça o compromisso de hierarquia e disciplina.”

    Pronto CN, não vou acreditar nas suas “narrativas”. Hehehehe

  7. Opa!

    O Carlos Newton é um dos jornalistas que mais entende de política neste Brasil de meu Deus.

    Hoje, o meu eterno governados do Ceará , Tasso Jereissati , inscreveu-se para disputar as prévias do PSDB.

    No início dos anos 2000, o Ceará viveu um momento de grandes obra governo de Tasso Jereissati e com largo impacto social e econômico.O novo Aeroporto internacional , o complexo Portuário e Industrial do Pecém , o Centro Cultural Dragão do Mar , o Castanhão e a Nova Jaguaribara são considerados projetos bases de uma arrojada política de investimentos em infraestrutura.Bem, a Nova Jaguaribara completa, no próximo sábado, 20 anos de sua inauguração . Primeira cidade totalmente planejada da história do Estado e que teve seu projeto debatido com as comunidades, acabou viabilizando a construção do açude Castanhão , o maior da America Latina e que tem garantido o abastecimento de água do Vale do Jaguaribe e da Região Metropolitana de Fortaleza.Duas décadas depois. a Nova Jaguaribara continua sendo referência de projeto ousado no Estado.

  8. Muitas vezes os militares nem falam, simplesmente tomam atitudes, aparentemente cumprem ordens mas o fazem de tal forma que na verdade estão mesmo é desmoralizando a ordem.
    Isso tudo para falar do episódio grotesco e ridiculo do desfile dos tanques fumacentos no desfile destinado a intimidar o Congresso. Está na cara que os militares que foram obrigados a participar e se expor no desfile, o fizeram contrariados e dando o seu recado. De outra forma, não me lembro de nenhum desfile oficial como nos outrora desfiles de 7 de setembro que houvessem desfile de veiculos fumacentos nesses eventos do passado. Em resumo uma imagem vale mais do que mil palavras.
    E finalizando o sonho de golpe do Bozo é um verdadeiro pesadelo para o país, ninguém de bom senso quer isso, ainda que fosse um golpe para tirar o canalha do poder. Nos dias de hoje essa tarefa cabe primeiro a camara dos Deputados, mas a covardia e canalhice do Artur Lira dificilmente possibilitará esse sim um verdadeiro sonho dos brasileiros.

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