250 mil documentos confidenciais: que inveja

Helio Fernandes

Enquanto nos concentramos no Alemão, os americanos não sabem o que fazer com o vazamento (palavra universal) de tanta coisa. Vem mais por aí, para aprofundar o meu desconforto e desalento.

Em 1963, preso na Polícia do Exército (ainda não havia o Doi-Codi, sucessor do Codi-Doi), fui levado ao I Exército, (ali pegado à Central do Brasil, onde mistificaram a República), interrogado por um coronel. Perguntou logo: “O senhor precisa publicar um documento que tinha na capa, SIGILOSO-CONFIDENCIAL?”

Com simplicidade, dei a única resposta possível e imaginável: “Coronel, jornalista que não publica documentos com essas duas palavras, tem que abrir um supermercado, como ensina o Millor”.

E completei, fazendo o coronel se sentir revoltado: “Além do mais, quem me deu o documento foi um general de três estrelas (ainda não havia o de quatro estrelas, veio depois), superior ao senhor. Ele já declarou publicamente que foi quem me deu a circular assinada pelo Ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro”.

O coronel desistiu de me interrogar, chamou um capitão que aguardava perto e ordenou: “Recolha o preso”.

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