O mínimo e todos os demais salários estão diminuindo no país em ano eleitoral

Charge do Brum (twitter.com)

Pedro do Coutto

O salário mínimo, e na verdade todos os demais salários, estão sendo diminuídos no Brasil, consequência da perda dos reajustes  para a inflação do IBGE dentro da política traçada pelo ministro Paulo Guedes e colocada em prática pelo presidente Jair Bolsonaro.

Cássia Almeida e Thais Coneco, O Globo desta segunda-feira, focalizam as perdas do salário mínimo, do qual todos os demais salários são múltiplos na medida em que o reajuste estabelecido por Bolsonaro para janeiro de 2023 não leva em consideração o ritmo inflacionário dos últimos 12 meses.

PERDA SUBSTANCIAL – Um levantamento Tullett Prebon avalia que a perda será de 1,7%, caso a inflação não acelere ainda mais. A previsão da velocidade inflacionária consta de estudo do próprio Banco Central. O piso salarial que hoje é de R$ 1213, não compensada a inflação dos últimos 12 meses, cairá em números reais para R$ 1193. Uma perda substancial, sobretudo porque toda vez que o salário é reajustado, no dia seguinte ele volta a perder para o ritmo inflacionário.

Um estudo da Consultoria Tendências acentua o universo das perdas, revelando que 64% das aposentadorias e pensões do INSS são de apenas um salário mínimo. O problema dos aposentados é ainda pior do que os assalariados em geral, pois na maioria dos casos não conseguem outra ocupação nem mesmo no mercado informal.

Assim está o panorama social do país expresso nos dados das duas consultorias e sobretudo nos dados da realidade focalizada com firmeza na reportagem citada. O quadro social brasileiro é muito ruim.

REFORMA AGRÁRIA – Na edição de ontem da Folha de S. Paulo, Ranier Bragon e Marianna Holanda, após longa pesquisa, considerando apenas o período de Fernando Henrique Cardoso para cá, revelam que a reforma agrária praticamente não sai do papel, limitando-se, como está ocorrendo no governo Bolsonaro, à entrega isolada de títulos de propriedade que não abrange ou mesmo enfrentam o problema estrutural do campo brasileiro.

No período de Castello Branco até o governo Fernando Henrique Cardoso nada foi feito e o problema se agravou. Ao longo de seus dois mandatos na Presidência da República, Lula da Silva conduziu a reforma para 70 milhões de hectares, mas a iniciativa perdeu-se na névoa do tempo.

Movimentos rurais continuam e uma série de decisões estão na dependência de julgamento do Supremo Tribunal Federal.  O sistema reformador continua a ser um desafio para as próximas gerações e para o Brasil.

ARTICULAÇÕES – Bianca Gomes e Gustavo Schmitt, O Globo, focalizam o posicionamento de candidatos a governos estaduais, como é o caso de ACM Neto na Bahia e Romeu Zuma em Minas Gerais, de tentarem se manter isentos, não apoiando nem Lula e nem Bolsonaro nas urnas de outubro.

Há outros governadores tentando assumir essa posição. Acredito que não vão conseguir, pois na medida em que se aproximam as urnas, as posições serão exigidas pelo eleitorado na hora de votar.

8 thoughts on “O mínimo e todos os demais salários estão diminuindo no país em ano eleitoral

  1. E parece que o Guedes consegue, assim, alcançar o seu objetivo de não mais dividir avião com empregadas domésticas que, antes, viajavam à Disney

  2. No almoço na casa de um jornalista carioca, presentes, deputados e o governador Cláudio Castro, Montenegro fez sua análise da eleição polarizada no Rio de Janeiro, concluindo que será decidida no primeiro turno. Ele, o ícone do Ibope, tem experiência em pesquisas eleitorais e sabe, que a tendência é a vitória do atual governador.
    Mas, eleição é decidida no imponderável, nas surpresas antes do pleito. Castro trouxe para sua campanha, o presidente da Assembleia Legislativa, o petista André Ceciliano candidato ao Senado, pagando uma fatura pelo trabalho dele no Impeachment de Wilson Witzel, por unanimidade, possibilitando a subida do vice, Castro ao trono do Palácio Laranjeiras. Ocorre, que o candidato ao Senado pelo PL, Partido do governador, é o atual senador, Romário, que tem o apoio de Jair Bolsonaro. Como fica a cabeça do eleitor diante desse quebra cabeça?
    O adversário de Castro, o deputado Marcelo Freixo, tem o apoio de Lula, que necessita de um apoio forte no Rio de Janeiro. O candidato ao Senado na chapa de Freixo, é o excelente deputado Alexandro Molon do PSB.
    O prefeito Eduardo Paes, apoia o inexpressivo candidato, Santa Cruz, ex presidente da OAB, que entra no rebu para perder e servir de escada para Paes, que prefere a vitória de Castro para vir candidato a governador em 2026, soberano, mas, há quem acredite na inviabilidade desse sonho de Eduardo, pelo péssimo governo que vem fazendo na cidade maravilhosa e constatado na sujeira e abandono das vias públicas e o caos no sistema de transporte, principalmente do BRT.
    Portanto, a política do Rio está ruim tanto para Lula quanto para Bolsonaro.
    Na minha análise, o Rio eleitoral corre para Marcelo Freixo, desde que o candidato não cometa erros, que o afastaram do eleitor evangélico com pautas ultra Progressistas no quesito costumes. Se quer ganhar eleição, o foco tem endereço certo: Saúde, Educação, Desemprego, Habitação, Carestia e principalmente, a continuidade da contrução dos CIEPES, a bandeira revolucionária de Leonel Brizola.
    Enfrente as questões do Rio de Janeiro nos debates, esquecendo o plano federal, pois as fragilidades do atual governador são muitas e devem ser exploradas para provocar o sonho de dias melhores no imaginário do cidadão contribuinte e eleitor.
    Portanto, o cenário da eleição no Rio de Janeiro, ressalvadas as devidas diferenças regionais, seguem o mesmo roteiro.

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