3 de outubro: vitórias (e derrotas) eleitorais de Lula. Sem falar na maior de todas, com o pseudônimo feminino. É o primeiro presidente a lutar “intrepidamente” por deputados e senadores

Esta eleição de agora, depois de amanhã, é a mais sintomática da nossa História. E sem dúvida, longe de ser um estadista ou até mesmo um extraordinário presidente, Lula dominou inteiramente os 4 ultimos anos do seu governo. Plantou nos 4 iniciais, colheu fartamente nos seguintes, e ainda se projeta como total incógnita sobre o futuro.

Sem que isto seja elogio ou restrição, apenas afirmação e reafirmação da realidade até despropositada, Lula manda e desmanda, incontestavelmente.

Pela Constituição de 1891, com a única exclusão do presidente da República, existia o que se chamou de R-A-T-I-F-I-C-A-Ç-Ã-O dos Poderes. Então, governadores, senadores e deputados, eleitos, vá lá, precisavam ter os mandatos RATIFICADOS por uma COMISSÃO nomeada pelo presidente da República.

Assim, verdadeiramente, o presidente dominava o Parlamento, senadores e deputados só tinham seus mandatos confirmados se antecipadamente aderissem ao governo. (Digam se uma República como essa poderia ter levado o pais ao que deveria ser o seu grande destino ou futuro?)

Apenas um exemplo, mas irrefutável e rigorosamente verdadeiro. Em 1892, Rui Barbosa renunciou no Senado, não admitia que Floriano Peixoto assumisse o governo, CONTRA A CONSTITUIÇÃO. Perseguido, Rui foi para o exílio.

Voltou em 1896, Floriano não estava mais no governo (e morreria logo depois, mas deixando a lenda do “florianismo”). Rui se candidatou novamente ao Senado, foi eleito, claro.

Mas o senador J.J. Seabra e o vice Manuel Vitorino não queriam “RATIFICAR” o mandato de Rui. Foi preciso que o grande Luiz Vianna (o pai, o pai) chamasse os dois e perguntasse-afirmando: “Vocês querem tirar o mandato do maior brasileiro vivo? Se isso acontecer, renunciarei ao mandato de governador”. Apavorados, concordaram com Rui senador.

Agora, Lula inventou a RATIFICAÇÃO PESSOAL, faz intervenção nos mais diversos estados. Em quase todos tem candidatos, luta CONTRA alguns, A FAVOR de outros, por vingança, ressentimento, até por interesse político, que não é o fator principal.

RIO DE JANEIRO – Apoia cabralzinho, Lindberg, Crivella. VETA Cesar Maia, não se interessa por Picciani. Vai ganhar tudo. Pode ser, não acredito que o enriquecido ilegítimo Picciani, apoiado pelo enriquecido ilegítimo cabralzinho, passe Crivella no final. Só que o objetivo de Lula é eleger Lindberg e derrotar Maia, por causa da vaia de 2007, no Pan.

SÃO PAULO – Vai perder o governo. O mediocríssimo Alckmin pode ganhar no primeiro turno ou ganha no segundo, fácil. Joga para fora da vida eleitoral, o IRREVOGÁVEL Mercadante.

Esquisita a situação do Senado, com dois candidatos fortes, Quércia e Tuma, trocando o Senado pelo hospital. Dona Marta já estava eleita antes e já é candidata à Prefeitura.

Se ganhar, em 2012, fica 15 meses no cargo, se candidata a governadora em 2014, repetindo José Serra. Governadora em janeiro de 2015, comemora a conquista do maior governo estadual e o limiar dos 70 anos. (Se não for governadora, fica senadora até 2018, que legislação).

BAHIA – Fingia que apoiava Geddel Vieira Lima, que já disse horrores dele. Mas garante mesmo é Jaques Wagner, que vence no primeiro turno ou vai para o segundo com o ex-governador Paulo Souto. Geddel espera ser ministro, de quem? De Lula ou de Dilma?

AMAZONAS – Uma das mais tremendas guerras de Lula. Quer derrotar Artur Virgilio senador e eleger governador seu ministro duas vezes, Alfredo Nascimento. Uma das vagas no Senado é de Eduardo Braga, Lula quer derrotá-lo, não consegue.

O interesse de Lula pelo seu ex-ministro é por causa do suplente, João Pedro. Ficou 3 anos e 3 meses como suplente, no cargo. Se Nascimento for governador, ganha 4 anos de senador efetivo, é melhor, muito melhor do que o “cabo” Nascimento, mas a legislação não podia ser essa. No momento Artur e Vanessa (PCdoB) sobem e descem. Eduardo Braga está elegendo seu ex-vice. Mas por enquanto, no Amazonas, nada é definitivo. São 72 horas em que Lula “joga tudo para a vitória”.

PIAUÍ – Nesse Estado, Lula foi drástico, violento e atrabiliário. Deu ordem ao PMDB que não desse legenda ao senador Mão Santa para se eleger. O PMDB cumpriu (que saudades do MDB), está perdendo a renovação do mandato.

Explicação de Lula: “Fazia muita oposição”. E não pode? Mão Santa está em terceiro, são duas vagas. E ele nem era litigante, na verdade podia ser chamado de diletante, nem isso Lula admite ou aceita.

RIO GRANDE DO NORTE – Quer derrotar o senador José Agripino, só por ser líder da oposição. Não está conseguindo. Não se incomoda com a reeleição de Garibaldi Alves. Lula perde para governador.

PARÁ – Tenta reeleger a governadora, Jader Barbalho tenta burlar, que palavra, o ficha-limpa. Jader é o Roriz do Pará. Ana Julia, 95 por cento de incompetência. Que escolha sobrou para os paraenses. Não é assim no Brasil todo?

MARANHÃO – Lula não vai muito lá, é longe. Não tem grande interesse em Roseana, a não ser por causa do sobrenome Sarney, que já perdeu há muito tempo. Da mesma forma como perdeu a eleição para o governo, mas foi empossada como segunda colocada. Agora, será reeeleita sem ter sido eleita. Que República.

MINAS GERAIS – Aecio Neves está mostrando a Serra, como é que se ganha eleição. Seu vice (que assumiu em março) começou do zero, foi suplantando escalas, deixou para trás Helio Costa, que pela terceira vez, FICOU NO QUASE.

Na primeira eleição, ia ganhando no primeiro turno, foi para o segundo turno, merecidamente derrotado. Agora, garantia, “vou ganhar no primeiro turno, podem me chamar de governador”. Como vão as coisas, será chamado de ex-ministro, por causa da Organização e da televisão digital.

PARANÁ – Talvez seja a eleição mais difícil do País. Beto Richa, ultrapassado pelo senador Osmar Dias, entrou em desespero, pediu à Justiça a PROIBIÇÃO DA PUBLICAÇÃO DAS PESQUISAS. E a Justiça concedeu. Inacrediável.

Para o Senado, Requião garantido, e a mulher do Ministro Paulo Bernardo (futuro Chefe da Casa Civil de Dilma), também praticamente certa.

***

PS – Alguns Estados estão caudilhescamente “atrelados” ao poder. Sóo confiam nisso. Os de lá “de cima”, que eram Territórios, não têm liberdade de escolha.

PS2 – É esse tipo de eleição que temos no Brasil, 510 anos depois de Pedro Alvares Cabral, 121 anos de República, 36 anos de terminarem as ditaduras.

PS3 – E com 195 milhões de habitantes, espero o resultado do Censo, feito pelo IBGE, um dos órgãos mais sérios e competentes do Brasil. Espero que não demore.

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