673 acionistas minoritários da TV Globo de São Paulo “deram” a Roberto Marinho 48% de seu capital inicial. Hoje, suas 14.285 ações valeriam cerca de R$60 milhões

Examinando os autos da Ação Declaratória de Inexistência de Ato Jurídico, que os herdeiros dos antigos acionistas majoritários da ex-Rádio Televisão Paulista, hoje, TV Globo-SP, movem contra o Espólio de Roberto Marinho e outros, fica-se sabendo que, com autorização governamental, Roberto Marinho transferiu  14.285 ações  dos minoritários (48% do capital) para seu nome por apenas Cr$1,00 (hum cruzeiro) cada,  alegando desinteresse desses 673 acionistas em continuarem como sócios da emissora.

Em verdade, esses 673 acionistas (muitos mortos) foram convidados por um pequeno anúncio publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo (tiragem restrita) de setembro de 1975 a se recadastrarem como acionistas daquele canal de TV. Caso não comparecessem, teriam seus direitos transferidos para o acionista majoritário, no caso, o jornalista Roberto Marinho. E o que se deu em agosto de 1976. Ora,  se já eram acionistas em situação regular, desde 1952,  não precisavam comprovar a posse das ações e muito menos sofrer desapropriação das mesmas.

De acordo com os advogados de Roberto Marinho, 52% do capital da ex-Rádio Televisão Paulista foram adquiridos de Victor Costa Júnior (que, segundo o DENTEL, nunca foi acionista da emissora de TV), em novembro de 1964, por Cr$ 3.750.000.000,00 (três bilhões, setecentos e cinqüenta milhões de cruzeiros). Essa quantia atualizada monetariamente e com acréscimo de juros moratórios de meio por cento ao mês resultaria hoje em cerca de R$6 5 MILHÕES.

Não é difícil deduzir que os 673 acionistas minoritários (titulares de 48% do capital da emissora paulista) teriam hoje  cerca de R$ 60 milhões e que perderam essa fortuna porque, como a maioria absoluta dos brasileiros,  nunca leram o Diário Oficial do Estado de São Paulo. Como nunca negociaram suas ações e nem as doaram. por que deixaram de ser acionistas da TV Globo de São Paulo? Esse apossamento acionário foi uma iniciativa moralmente correta, legal?

Desse jeito, a custo zero, foi obtida, finalmente, a regularização do quadro acionário da TV Globo de São Paulo, por meio da Portaria 430/77. Nos processos administrativos federais, o DENTEL não viu os documentos anacrônicos e falsificados que obstariam a transferência do controle majoritário para os seus atuais titulares. E o que é pior, nesses mesmos processos não há nenhum documento que explique e justifique a aprovação da cessão da concessão.

No Banco Nacional S/A, agência Av. Paulista, em São Paulo,  foi feito em julho de 1976 um depósito de APENAS Cr$14.285,00 (quatorze mil, duzentos e oitenta e cinco cruzeiros) para crédito dos  673 ACIONISTAS” DA TV GLOBO DE SÃO PAULO S/A”. É a prova do não pagamento da aquisição de 48% do controle acionário da ex-Rádio Televisão Paulista S/A, hoje, TV Globo de São Paulo, pelo jornalista Roberto Marinho e com a total concordância do governo ditatorial de então.

Conheça alguns dos acionistas da TV Globo de São Paulo S/A, que na forma da Assembléia Geral Extraordinária, de 30 de junho de 1976, tiveram suas valorizadíssimas 14.285 ações (48% do capital social inicial) transferidas e subscritas pelo acionista Roberto Marinho por apenas Cr$1,00 (hum cruzeiro) cada. Hoje, essa ação valeria, no mínimo,  R$ 4.000,00 (quatro mil reais):

João Evangelista de Paiva Azevedo 100 ações; Antonio Augusto Monteiro de Barros 100 ações; Francisco de Paula Leite de Barros 125 ações; Angelo Bignardi 100 ações; Ricardo Bragaglia 125 ações; Durval Brajato 100 ações; Marcolino Rothilde de Carvalho 100 ações; Alfredo Checchia 100 ações; Porfírio de Oliveira Christe 100 ações; Luiz Nogueira Correa 100 ações; Oswaldo Prudente Correa 100 ações; Joaquim Vasconcelos Duarte 100 ações; Benedito Moura Dubieux 100 ações; Paulo Domingos Regalmuto Filho 100 ações; Armando Fragetti 100 ações; Lucie Camile Haag 125 ações; Abrahão Jacob Lafer 100 ações;  José Egydio Lari 100 ações; Flávio de Paula Leite 125 ações; João Lovato 100 ações; Cezário Mathias 110 ações; Américo Micheloni 100 ações; Cláudio de Souza Novaes 500 ações; Sylvio Manoel Novais 100 ações;  Luiz Lopes Ogeer 125 ações;  Hélcio Francisco Paulo 100 ações; Omar da Silva Pinto 150 ações; Attilio Ricotte 100 ações; José Carlos Moreira Sales 200 ações; Renato Snell 100 ações; Theophilo Bocker Washington 125 ações; Cincinato Cajado Braga 20 ações; Antonio Silvio Cunha Bueno 5 ações; Sebastião dos Santos Camargo 5 ações;  Paulo Taufk Camasmie 25 ações; Oscar Americano de Caldas Filho 10 ações; Constantino Ricardo Vaz Guimarães 10 ações; Bento do Amaral Gurgel 2 ações; Amélia Prado Uchoa Junqueira  50 ações; Flávio Uchoa Junqueira  50 ações;  Samuel Klabin 25 ações; José Bezerra de Mello 60; JOSÉ ERMÍRIO DE MORAES 50 AÇÕES; Guerino Nigro 75 ações;  RAFAEL NOSCHESE 2 ações; Francisco Rossi 50 ações; Giusfredo Santini 50 ações; ALFREDO SAVELLI 50 ações;  Oswaldo Scatena 25 ações;  Oswaldo Schmidt 10 ações;  Armando Wilson Schurachio 30 ações;  WALDEMAR SEYSSEL (Arrelia) 25 ações;  Christiano Altenfelder Silva  5 ações; VICENTE AMATO SOBRINHO 5 ações; Erico Abreu Sodré 10 ações;  RENÉ DE CASTRO THIOLLIER 10 ações; Paulo e Romeu Trussardi, 20 ações.

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PS- Por que os acionistas minoritários ou seus herdeiros não foram  localizados? É uma pergunta, no mínimo, inconveniente.

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