Nelson Hungria na defesa de Caryl Chessman

Jorge Baleia:
“Um dos mais ferrenhos lutadores contra a pena de morte de Caryl Chessman foi Nelson Hungria, então Ministro do Supremo Tribunal Federal. Através de correspondências ao Governador da Califórnia, entrevistas a jornais e periódicos, palestras etc., Hungria empenhou toda sua inteligência e prestígio de criminalista de escol à fileira dos que clamavam pela preservação da vida de Chessman.”

Comentário de Helio Fernandes:
Obrigado, Jorge, pelas palavras e pelos trechos enviados, de discursos de Nelson Hungria. Não conhecia sua participação no caso, mas já era grande admirador do homem e do jurista.

Assisti no Supremo, de corpo presente, (ali na Avenida Rio Branco, belo prédio, hoje transformado em Centro Cultural) o voto de Hungria como relator do pedido de Café Filho para voltar ao governo, no dia 21 de dezembro.

Café Filho era vice de Vargas, eleito em 1950, grande “mitingueiro”, era politicamente um aventureiro. Participou no Rio Grande do Norte (sua terra) da Revolução Comunista de 1935. Deputado, falava todo dia, discursos com o título geral: “Lembrai-vos de 37” (Estado Novo). Depois foi vice de Vargas, não deixou de conspirar.

Em 11 de novembro de 1955, o golpe para que Juscelino, eleito, não tomase posse. JK venceu o golpe, e para garantir a legitimidade, Nereu, que assumiu interinamente, foi eleito pelo Congresso até 31 de janeiro de 1956, 40 dias depois.

Café Filho perdeu um Habeas Corpus, entrou com Mandado de Segurança, e aí Hungria foi relator. Com grandeza, talento, simplicidade, bravura e consciência, convenceu o Supremo. Falou de pé, de improviso, disse basicamente isto: “Se devolvermos o governo a Café Filho, teremos 40 dias de inquietação e incerteza, tudo pode acontecer. Se mantivermos Nereu Ramos por esses 40 dias, Juscelino Kubitschek tomará posse na certa, que foi a vontade do povo ao elegê-lo”.

O Supremo acompanhou Hungria por unanimidade, JK governou os 5 anos.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *