A angústia do PMDB, a incógnita do PT, o “refundar” do PSDB, o afundamento do DEM. Tudo isso deveria levar à reforma partidária, que Dona Dilma não fará em 4 anos. E em 8?

Hélio Fernandes

A formação do governo, indissoluvelmente ligada à inexistência dos partidos. Nenhum deles existe, como podem existir sem convenção. Aecio Neves, vencedor em Minas e derrotadíssimo no plano nacional, está querendo liderar a oposição, mas faz uma exigência: “O PSDB precisa se REFUNDAR“.

Ora, Aecio, antes da campanha, fez uma exigência, justíssima, nem ligaram, não protestou, aceitou tudo. Queria “convenção”, ele e Serra disputariam para ver quem seria o presidenciável. Quem perdesse apoiaria leal e lucidamente o vencedor dessa convenção.

Não houve a menor repercussão, não responderam ao então governador de Minas, o partido inteiro sabia que Aecio não ficaria com Serra, foi o que aconteceu. A deslealdade não tem mistério, a lealdade começa na fixação das regras.

Agora, o já ex-governador mas senador com 8 anos de mandato, volta com nova proposta que na verdade é a mesma. Quer “refundar” o PSDB, para isso é preciso passar pela reforma partidária. Ora, se foi derrotado antes, quando a luta era puramente interna, como pretende vencer se a reforma partidária envolve todos os partidos, principalmente os grandes?

E mais: tem que ter o aval da presidente eleita. Mas ela não tem nem pode ter posição firmada sobre o assunto. Além de atingir as cúpulas dessas mistificações de partidos, a presidente tem agora ao seu lado, controlando-a, vigiando-a, cercando-a, um profissional do lobismo, que se chama Michel Temer. Como foram colocá-lo no Planalto? Se houver descuido, passa rapidamente para o Planalto-Alvorada.

Nenhum partido aceita a reforma partidária, a mais importante de todas. O PMDB, que cresceu na ditadura, está ansioso e angustiado para saber como crescerá na distribuição de cargos. O PMDB não quer o poder coletivo, e sim os cargos individuais. Dona Dilma não se incomoda.

O PT, segundo maior partido nacional, deveria ser maior ainda, tem o presidente que se despede e a presidente que é saudada na entrada. Só que esse PT tem três exemplos de quadros: 1 – Os medíocres, tipo Mercadante, que são lembrados no máximo para ministros do Planejamento, que não vale nada.

2 – Alguns que já foram reluzentes mas não chegaram a fascinantes, como Palocci, já demitidos anteriormente, que podem almejar no máximo o ministério da Saúde, e assim mesmo com verbas e recursos vigiados. Quando falaram em Palocci para a Fazenda ou a Casa Civil, Lula gritou  logo: “Palocci não”.

3 – E o terceiro grupo, dominado e liderado por José Dirceu, conhecido como o “grupo do mensalão”. O ex-chefe da Casa  Civil é o único temido e respeitado. Só que não pode ser lembrado, cogitado, nomeado. Mas o PT vai assustar, deixo essa palavra ser interpretada à vontade.

O DEM mudou de nome, envergonhado por ter servido à ditadura, tolice, todos serviram com a mesma subserviência. O DEM não vale nada, deveria seguir o conselho de Aecio para o PSDB, e se “refundarem”. Mas como já estão na direita, se caminharem mais, explodirão no muro onde na França se encontram os restos de Sarkozy.

***

PS – Portanto, uma conclusão inevitável: Dona Dilma não fará reforma partidária. Pelo menos nos primeiros 4 anos, invioláveis, examinados por todos os ângulos, com exceção e exclusão de um, chamado DESTINO.

PS2 – É possível que, ao se aproximar o final desses 4 anos, Dona Dilma descubra que pode ganhar a prorrogação hoje tão duvidosa, de 2014 para 2018, levando os partidos para o meio do povo.

PS3 – A propósito: quem será o conselheiro ou o “braço direito” de Dona Dilma? Sem esse “braço direito”, Dona Dilma “não anda” de modo algum.

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