A bolinha de papel bateu na cabeça de Serra, quicou na de Dilma, derrubou o próprio presidente da República, assustou os institutos de pesquisa, ganhou uma semana de vida.

Helio Fernandes

Escrevi ontem sobre o fato, pensei que havia esgotado o assunto. Puxa, quem dera. A bolinha de papel ganhou velocidade e dinâmica própria, mostrando a força do presidencialismo brasileiro. Sem Lula, tudo teria sido limitado ao fato, verdadeiro ou repercutindo pela exploração muito bem feita.

Admitamos, apenas hipoteticamente, circunstancialmente, momentaneamente, que Serra tenha sido atingido planejadamente, “não desmaiei, mas me desequilibrei”, e tenham resolvido dar (ou emprestar) dinâmica maior ao acontecimento.

Dos dois lados, nenhuma surpresa. A baixaria, que palavra, sempre ela,  verbal, exigia um componente físico, que os partidários de Dona Dilma não têm nem tiveram dúvida em utilizar. Os de Serra nenhum constrangimento de exagerar.

Uma bolinha de papel, vagando no meio da multidão, e batendo diretamente na cabeça lisa e vazia de Serra, surpreendente. Mas acontecesse o que acontecesse depois, não passaria de um incidente que ninguém teria força de transformar em manchete dos jornalões, mobilizando “peritos” e hospitais “socialaitizados”, a quilômetros de distância. Aí é que se manifesta não apenas a surpresa, mas o perigo e a credibilidade.

Mas uma bolinha de papel manejada por um presidente da República tão arrogante, e com toda razão, inventou uma candidata-poste, e conseguiu sustentá-la no ar, realmente é uma façanha. E como Obama disse a Lula, “você é o cara”, ou então, “nós podemos”, Lula juntou as duas coisas, “ entrou em campo”.

Ia dizer, Lula entrou na campanha, mas ficaria desolado, ele (como os generais da ditadura, que não saíam do Maracanã) adora os termos de futebol. Lula foi prepotente, mas ele mesmo diz e repete no Planalto-Alvorada: “Nunca antes neste país um presidente governa 4 anos, de 2006 a 2010, tendo 80 por cento de popularidade, sem cair um milímetro que seja”.

A prepotência, a arrogância, a suficiência não deixaram Lula perceber a diferença de uma bolinha de papel que bate na cabeça de um candidato, e a mesma bolinha saindo da cabeça de um presidente. Não ouvindo ninguém, Lula teve a “competência” de transformar um desastre ocasional numa catástrofe eleitoral.

Sem a intromissão do presidente da República, ninguém morreria com o choque de uma bolina de papel. Mas impulsionada com a força cívica de um presidente da República, essa bolinha de papel pode ter matado (assassinado) uma candidatura que tinha tudo para ser vencedora, não por ela, mas pela fraqueza do adversário.

Agora, de hoje, domingo 24, até o final, dia 31, não haverá pasmaceira, tranquilidade, desinteresse. Os “debates”, que não têm conseguido modificar vontades ou intenções de votos, ganham maior importância. Não acredito em bruxas, mas esse dia 31 é “Dia das Bruxas”, quem sabe não influenciem os cidadãos, que não tendo mais nada a fazer, assistam esse último programa de televisão?

De domingo a domingo, a semana final, a bolinha de papel será examinada de todas as maneiras, “dolorizada” por Serra, “rogerizada” por Lula. Mas por que Lula, se a candidata é Dilma? É o que parece, é o que se vê, e na verdade aparecerá nas urnas.

Só que como eu disse ontem, (a fonte, irritada, estava no próprio Planalto-Alvorada), Lula deu ordem à candidata, “não entre nesse assunto, eu resolvo”. Resolveu a FAVOR de Serra, CONTRA a sua própria candidata-poste.

***

PS – Como votei nulo no primeiro turno, e como tenho mostrado com  insistência e sinceridade, votarei nulo no segundo, trato do assunto jornalísticamente.

PS2 – Os diretores dos Institutos fizeram ontem uma reunião inédita e sigilosa, tentando harmonizar as “pesquisas”, que vão divulgar de 24 em 24 horas.

PS3 – Como cidadão, tomarei as seguintes providências. Se por causa da bolinha de papel impulsionada por ele, darei os parabéns a Lula por ter livrado o Brasil do fantasma da Dilma.

PS4 – Só existem dois candidatos, derrotando Dilma Lula elege Serra, entrarei com Ação Popular contra o atual presidente, por ter garantido a eleição do candidato paulista “peesidebista”.

PS5 – Uma semana inteira com Lula se justificando, Serra festejando, Dilma se lamentando de não ter nem voz para desdizer o que ela não disse. Que República, principalmente com Dilma ou Serra.

PS6 – Afinal, nesse cassino eleitoral, não existe preto nem vermelho. O cidadão tem que escolher no incolor, na incapacidade insuperável e indefinível dos dois personagens.

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