A busca do ouro e do êxito alucina muita gente

Pedro do Coutto

Aproveito o título famoso do gênio Charles Chaplin e a reportagem de Daniel Bergamasco, Folha de São Paulo de 21 de julho, para focalizar situações, cada vez mais freqüentes, que o poder hipnótico e alucinógeno do dinheiro e do sucesso exercem sobre as pessoas. Veja-se o caso da incrível pirâmide que nos Estados Unidos levou Bernard Madof à prisão e aquele que, meses depois, no Brasil complicou a vida de Romário, peça fundamental para a conquista do tetracampeonato em 94. Como aceitar a idéia, na primeira versão, que aplicações de capital possam render 45% de lucro ao ano, em dólar. Na segunda versão, a perspectiva de lucratividade era ainda maior. Impossível. Não existem investimentos no mundo capazes de gerar tais receitas, sobretudo sem fazer força. Basta colocar este prisma da questão para que se conclua, de plano, pela impossibilidade.

Porém muita gente acredita. Tanto acredita que os fatos estão aí. Mas falei na matéria da Folha de São Paulo. Daniel Bergamasco revela que, através da Internet, este labirinto mágico, estão sendo aplicados seguidos golpes praticados por falsos agentes e falsas agencias de modelos. Jovens colocam suas fotos na rede buscando um lugar ao sol, uma estrada para o êxito. Logo surgem os aproveitadores que não falham. Agem a torto e a direito. Os resultados são falsificações em cima de falsificações, extorsões em série, utilização de fotografias em poses sensuais para diversos fins que não os propostos através dos contatos. Como enfrentar tais ciladas? O repórter ouviu dirigentes de agências qualificadas e relacionou os pontos essenciais. O primeiro, constatar se o telefone e o endereço da empresa são verdadeiros. Não se deve utilizar o número fornecido pelos estelionatários. E sim confirmá-lo através das listas oficiais.

Mas esta é uma medida de precaução, de resguardo, não é oponto essencial do risco. Evitá-lo significa admitir SUS existência. Antes da Internet, havia as emissoras de televisão e rádio que eram as transmissoras da comunicação, juntamente com os jornais. Agora não. Qualquer pessoa que possua um computador conectado transforma-se também num transmissor. Todo cuidado é pouco, uma vez que todos nós lidamos com a natureza humana capaz, como se observa através dos séculos, de produzir episódios complicados que levam a desfechos extremamente graves.

Viver é assim. É permanentemente levar em consideração que todos nós estamos sujeitos a riscos freqüentes. Sobretudo os que desejam ascender socialmente e enriquecer de forma veloz, rompendo os limites tanto da gravidade quanto da lógica. Pois não existe lógica alguma numa perspectiva de lucro de 45% ao ano quando as maiores empresas do mundo –basta ler a Revista Forbes- operam com margem em torno de 10%. Isso empresas cujo faturamento passa de 200 bilhões de dólares anuais. Se os que faturam mais de 200 bilhões limitam-se à margem de dez por cento, não é crível que pirâmides montadas nas areias do deserto da imaginação possam proporcionar 45%.

No caso das candidatas a modelo, impulsionadas pela imagem de Gisele Bündchen, a precipitação geralmente acontece, até porque todas as pessoas querem acreditar no que gostariam que acontecesse. Aí é que mora o perigo, como no bordão do comediante Jô Soares. O perigo com a Internet, mora ao lado de cada candidata ou candidato, já que existem modelos masculinos e femininos. Homens e mulheres também candidatos a atores e atrizes. As falsas agências são os alçapões das vítimas. A Internet é algo fantástico, insuperável principalmente no campo da pesquisa. Pesquisa? É isso. É preciso pesquisar para evitar os golpes baixos dos desonestos e falsários, que vivem da fantasia dos outros.

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