A cama-de-gato na Lava-Jato, em meio a tramoias de todo tipo

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Charge do Bonifácio, reproduzida do Google

Fábio Pannunzio
Blog do Pannunzio

Tirando a família Batista, talvez não haja mais nenhum brasileiro hoje que ache que o prêmio oferecido pelo Ministério Público e aceito pelo Judiciário pela delação dos irmãos Wesley e Joesley não é excessivamente generoso. Depois de corromper em escala industrial, os donos da JBS deram uma banana ao País e se mandaram para o exterior para usufruir de sua incalculável fortuna construída às custas do contribuinte brasileiro.

Mas daí a achar normal que o Ministério Público e o Judiciário podem levar alguém a se autoincriminar, acordar um preço pela confissão e mudar tudo depois do acordo assinado vai uma enorme distância.

Essa autêntica cama-de-gato pode desmoralizar o instituto da delação premiada quase tanto quanto querem os políticos implicados na Lava-Jato e algumas eminências pardas do próprio judiciário.

MUITAS TRAMOIAS – Neste momento há todo tipo de tramoia sendo armada para refrear o alcance das investigações e tirar da reta o traseiro dos que sempre estiveram a salvo de qualquer punição graças à ação auspiciosa do próprio Supremo, o tribunalzão amado por dez entre dez gatuno de colarinho branco.

Veja só quantas frentes de batalha se movimentam neste momento para atacar a Lava-Jato. Uma delas é coordenada no Congresso por gente da qualidade de um Aécio Neves, um Jáder Barbalho, um Renan, um Jucá e tem o apoio do Palácio do Planalto, hoje habitado por uma ampla freguesia da lava jato.

De outro lado, os generais Dias Tóffoli e Gilmar Mendes prometem botar fogo na jurisprudência que o Supremo alterou recentemente para pôr na cadeia condenados em segunda instância.

GRITARIA GERAL – A manobra já está em curso e Gilmar Mendes se ufana de patrocinar a esperteza urdida por Tóffoli. Se não houver uma gritaria geral, isso logo, logo vira fato consumado e a cadeia volta a ser uma perspectiva cada vez mais distante para todos os barões da corrupção. Exatamente como sempre foi,

A isso, somem-se os erros cometidos pela Procuradoria Geral da República, que estão ajudando a desqualificar o trabalho iniciado em Curitiba com toda a assertividade e competência. Aceitar provas sem perícia, negociar indultos e anistias disfarçados de premio para delatores, também não ajuda a dar qualidade ao processo de deputação da política e combate à corrupção.

Como se vê, o que não falta é gente disposta a desmoralizar o País para mantê-lo como sempre foi: bom demais para com ladrões de alto coturno, injusto demais para com todos os outros. Será uma pena se a oportunidade histórica se perder nas mazelas e contradições de um sistema que parece ter sido construído para blindar a malandragem e premiar a esperteza.

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)

3 thoughts on “A cama-de-gato na Lava-Jato, em meio a tramoias de todo tipo

  1. Deu no The Guardian, um longo artigo que narra as estranhas e intrigas da crise brasileira em detalhes.

    Começa com um título enigmático:

    Operation Car Wash: Is this the biggest corruption scandal in history?

    Operação Lava-jato: este é o maior escândalo de corrupção da história?

    A publicação descreve Sergio Moro, como um jovem e ambicioso juiz que ajudou os promotores a pressionar os suspeitos, aprovando longas “detenções preventivas”.

    E descreve a estratégia adotada pelo juiz de 1a instância:
    faça um acordo ou fique na prisão.

    A estratégia da mídia também é revelada:
    Os jornais trombetearam a mensagem de que os petistas sujos em Brasília eram totalmente responsáveis ​​pelo problema.

    O artigo mostra que a realidade era mais complexa do que aquela apresentada na mídia:
    Quase todos os principais partidos estavam envolvidos em múltiplas e interconectadas trilhas de corrupção voltadas a governos anteriores. E foi o PT que implementou as reformas judiciais que permitiram que a investigação prosseguisse. Não haveria Lava-Jato se o governo petista não tivesse nomeado, em setembro de 2013, um procurador-geral independente.

    O texto ainda destaca o papel da mídia para alavancar o juiz Moro como herói nacional:

    Após uma longa e interessante narrativa sobre o desenvolvimento da crise no Brasil, o autor destaca a complacência dos promotores com Temer:
    Apesar de Temer ter citado inúmeras vezes nos depoimentos da Lava-Jato… Os promotores disseram que não havia provas suficientes. Temer parecia. intocável.

    O artigo ainda revela o papel da Lava-jato para economia mergulhar em recessão em 2016:
    A principal causa foi um colapso nos preços globais das commodities, mas a investigação Lava-jato piorou o problema.

    E destaca que o impechment serviu de pretexto para os procuradores da Lava-jato “atacarem” Lula… e assim brevemente detiveram Lula para questionar sobre o esquema de contração da Petrobras…venda de influências..

    Resultado do “ataque”? Milhões de manifestantes anti-governo foram as ruas cantando ” Fora Dilma”.

    Temer estava sendo protegido para garantir um certo grau de estabilidade durante um período de turbulência?

    Com a queda de Dilma, o autor revela a contradição:
    a Lava jato, que havia sido lançada para limpar a corrupção no sistema, terminou ajudando o líder do PMDB, o partido mais famoso em se servir dela, a alcançar o auge do poder.

    A narrativa chega aos momentos atuais, para revelar que o procurador geral acusou Temer de conspirar para obstruir a Lava-jato, preparando o cenário para uma batalha constitucional entre o poder judiciário e o governo executivo.

    O autor questiona:
    O Brasil certamente precisava enfrentar a corrupção, o que exacerbou a desigualdade e impediu o crescimento econômico. Mas a Lava-jato vale a pena?

    E continua:
    Isso ajudou a expulsar o PT da presidência e inaugurou uma administração que aparece tão contaminada, mas muito menos disposta a promover a transparência e a independência judicial.

    E o autor lamenta:
    Tantas acusações agora estão empilhadas contra Temer e seus aliados, que ele vai se esforçar para manter sua presidência até o final de seu mandato em 2018.

    A Petrobras – o campeão nacional da era Lula – foi colocada de joelhos, com estrangeiras empresas controlando a produção de novos campos petrolíferos.

    Principais empresas e políticos comuns foram completamente desacreditados. Os eleitores lutam para encontrar alguém para acreditar.

    E constata, o autor:
    Não é apenas o “establishment” que está cambaleando, mas toda a república.

    Para concluir, o autor lembra:
    A longo prazo, muitos ainda esperam que a Lava-jato acabe por tornar o Brasil uma nação mais justa e eficiente, dirigida por políticos mais limpos e respeitadores da lei.

    E faz um alerta:
    Existe também o risco da Lava-jato abalar a frágil democracia e abrir caminho para uma teocracia evangélica de direita ou um retorno de um governo de ditadores.

    E o destino da Lava-jato?
    Se a lava jato vai se provar como uma cura para o Brasil dependerá não apenas de quem cai, mas de quem segue.

    https://goo.gl/wFL2JB

  2. Como diria o PCC, que virou peixe pequeno perto dos políticos, “tá tudo dominado”.

    As instituições ruíram e o povo inerte assiste tudo passivamente de camarote !!!

  3. Ainda não digeri essa atitude do judiciário (PGR e ministro Fachin).

    Enquanto a maioria dos brasileiros dá um duro danado para sustentar a si e os seus familiares,os delatores estão leve e solto gastando a fortuna roubada de nós outros.

    Isto foi uma tremenda excrescência, sem a menor sombra de dúvida. Mas é Brasil,né!?

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