A chantagem pegou nos Estados

Carlos Chagas

A moda pegou nos Estados: partidos da base dos governadores ameaçam não votar projetos de interesse das administrações estaduais  caso não sejam contemplados com mais nomeações, empregos e sinecuras. Aquilo que começou no plano federal agora se espraia por todo o país. Não demora e os prefeitos também serão atingidos.
                                                  
Do Sul ao Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste, o quadro é o mesmo, tanto faz o partido do governador. Seus “aliados” arregaçam as mangas e já entram nos palácios dos governos estaduais com listas e outras propostas, igualzinho ao que  fazem dirigentes do PMDB, PT, PP, PR e outras legendas quando recebidos pelos principais auxiliares  da  presidente Dilma.

Chama-se chantagem essa prática difundida no país.  Até agora nenhuma executiva nacional, diretório ou presidente de partido levou ao palácio do Planalto alguma sugestão de alto nível, como colaboração administrativa. O que podem fazer os companheiros, por exemplo,  para melhorar o péssimo estado das rodovias federais? E o PMDB, diante do aumento da violência urbana e rural, que propostas levaria à presidente? O PP animou-se a preparar projetos de reforma tributária, ou o PR algum projeto  para desafogar os portos?

De goelas abertas, os partidos repetem nos planos estaduais aquilo que praticam no federal, e não se poupe as oposições, porque os tucanos fazem o mesmo com Geraldo Alckmin, em  São Paulo, com Antônio Anastasia, em Minas, Siqueira Campos, no Tocantins, e Beto Richa,  no Paraná. 

Alguns governadores resistem mais do que outros, da mesma forma como Dilma Rousseff tenta conter os gafanhotos na capital federal, mas a luta parece inglória. Os governos precisam deles… 

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GREVE CONTRA OS MORTOS

Se não tiver acabado nas últimas horas, já  avança pelo terceiro dia a greve dos coveiros, em São Paulo. Algo inominável, quaisquer que sejam suas  justas reivindicações salariais. Até pouco as greves se faziam contra o povo, como no caso dos transportes coletivos, dos bombeiros e de serviços do tipo  abastecimento de água e energia. Agora fazem greve contra os mortos.

Tudo precisaria ter limite, até as paralisações que atingem a população sem causar o menor dano aos patrões, precisamente o alvo lógico de todas as greves. Ainda esta semana motoristas e trocadores e ônibus de Brasília ensaiaram e por determinados períodos deixaram os trabalhadores sem poder deslocar-se de casa para suas atividades. Ameaçaram com a greve geral e o que aconteceu? O governo local admitiu reajustar o preços das passagens. Sem tirar nem pôr  o que desejam os proprietários das empresas. Duplo pagamento, então, para os usuários dos transportes coletivos: ficaram em condução e vão pagar mais.

Caberia ao Congresso acabar de regulamentar   o direito de greve capitulado na Constituição, mas Suas Excelências nem pensam  nisso. Perderiam votos em certas categorias, ainda que defendendo o cidadão comum.

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SALTANDO DE BANDA

Os ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor buscaram no Itamaraty e nas forças armadas  apoio  para a  justificativa de criação do sigilo eterno.  Desmancham-se seus argumentos porque  tanto o ministério das Relações Exteriores quanto os ministérios militares informam nada ter a esconder, posicionando-se a favor da liberação de qualquer  tipo de documentos.  Os pessimistas sustentam que  o chanceler, os generais, almirantes e brigadeiros comportam-se assim porque seus antecessores faz muito deram sumiço em papéis comprometedores.

Pode ser, mas a verdade pode ser prospectada mais fundo: os dois ex-presidentes teriam coisas a esconder, praticadas durante seus mandatos.   Como a presidente Dilma ainda não teve tempo para celebrar  acordos secretos ou similares, lavou as mãos: aceitará o que o Congresso decidir.

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DESCONFORTO CRESCENTE

Dos 38 ministros, pelo menos 11 foram impostos à presidente Dilma Rousseff pelos partidos da base oficial. Precisou engoli-los, tanto faz se os padrinhos tenham sido o Lula, Michel Temer, Eduardo Campos, José Sarney e outros. Um certo gelo tem sido dado pela chefe do governo em  alguns ministros, existindo  até os que  esperam convocação para despachar pela primeira vez com ela. Mesmo assim, o desconforto é crescente, de parte a parte. Há quem preveja, agora que o ano chega à sua metade, uma espécie de reajustamento do dispositivo, mas não será fácil. Os padrinhos continuam vigiando e se neste ou naquele caso não  puderem resistir,  reivindicarão novas indicações, o que  dará quase no  mesmo.

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