A China de Braga

Sebastião Nery

Leopoldo Braga foi um grande poeta baiano. Humberto Braga, seu filho, é um fecundo intelectual baiano. Professor de Filosofia e Direito, foi secretário e principal cabeça pensante do exemplar Governo Negrão de Lima, na antiga Guanabara. Depois, ministro e presidente do Tribunal de Contas do Rio.

Mas é sobretudo um homem de cultura, Em 1979, quando a China ainda não havia invadido o Ocidente com sua milenar sabedoria e capacidade de trabalho, produção, e criatividade, e era apenas um distante, longínquo e misterioso dragão do Oriente, Humberto Braga esteve lá e previu o que só agora, décadas depois, estamos vendo e sabendo.

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ORIENTE VERMELHO

Na volta, publicou um primoroso livro de viagem, editado pela Civilização Brasileira: “ O Oriente é Vermelho”. Os livros de viagens vadias costumam ser vadios, às vezes supérfluos, muitas vezes inúteis. O de Humberto era um modelar roteiro sobre a China, que calorosamente saudei aqui, porque, tendo estado lá anos antes, não havia percebido detalhes fundamentais, que ainda não encontrara em outros livros.

Para entender os mistérios daquela terra e gente que a cada geração surpreende e espanta o mundo, inclusive agora, com uma estranhíssima e alucinada política econômica e internacional inteiramente contrária a tudo que se sabia da China, é preciso sobretudo buscar desvendar seus segredos em seus clássicos, de Confúcio a Lao Tsé, Chuang Tsé, Sun Ya Tsen e Mao Tsé Tung.

E Humberto Braga nos deu um painel admirável da velha e nova sabedoria chinesa, que reli nestes dias de chuva:

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SABEDORIAS

1. – “Quem escuta os dois lados terá o espírito esclarecido. Quem só escuta um permanecerá nas trevas”. (Wei Tcheng, para os militares não quererem ficar sabendo apenas das próprias versões de suas violências).

2- “As palavras corretas nem sempre são agradáveis. As palavras agradáveis nem sempre são corretas”. (Lao Tsé, para nós todos jornalistas).

3.-“O homem de sabedoria foge ao primeiro sinal de Governo, vivendo o mais afastado possível dos filósofos e dos reis”. (Chuang Tsé, para a Universidade brasileira, excessivamente elitista e governamental).

4.-“Não é por se receber o inimigo que se começa a adotar a sua linha”. (Mao Tsé Tung, para os que se admiraram do encontro de Dilma com Fernando Henrique ).

5. –“Com os anos, a não ser a China, tudo na terra passa” (Eça de Queiroz).

Mais espaço houvera, mais a China eu citaria.

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OLIVEIRA

Meu saudoso colega Oliveira Bastos, talento e cultura que eram um espanto e às vezes desperdício em tantas de nossas medíocres redações, dizia que o fiasco e os tropeços de certa imprensa brasileira existem porque , no Brasil, jornalista não lê, só escreve. Os exemplos são diários.

No fim de semana, um gordinho sinistro da direção nacional do PT, o Pepe Vargas, com esse nome de cantor de bolero em filme mexicano de Chaves, ficou ainda mais histérico e disse que o Supremo Tribunal “cedeu a pressões e não tem austeridade”, porque marcou a data do julgamento do Mensalão de Lula e José Dirceu para começar em 1 de agosto, apesar de toda a chantagem de Lula sobre o ministro Gilmar Mendes e vários outros.

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MARCO AURELIO

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal, que sabe das leis e das letras, respondeu com uma expressão antiga de séculos : que o PT está apenas exercendo o “jus sperniandi”, “o direito de espernear”. “O Globo”, que se nega a fazer o Enem, publicou em manchete de pagina inteira:- “Para ministro, reação do PT é “jus esperneandis”(sic!.).

Não é nada disso, censor Luiz Garcia. É “sperniandi”, sem o primeiro e o terceiro “e” e sem o “s” final.Qualquer escrivão de delegacia sabe disso.

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