A covid-19 de Jair Bolsonaro, a GloboNews e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

APÓS TESTAR POSITIVO PARA COVID- 19, BOLSONARO FAZ PROPAGANDA DE ...

Nesta terça-feira a doença de Bolsonaro se tornou assunto único

Jorge Béja

É normal e até salutar, concordar ou discordar sobre o que fala e sobre o que faz o presidente Jair Bolsonaro. Mas o exagero, o confronto, e outras expressões nada nobres, nada ortodoxas, nada construtivas — mas destrutivas —, não podemos aceitar. Nesta terça-feira (7/7), a programação da GloboNews vinha se mantendo no ar como acontece no cotidiano. A mesma mesmice. As mesmas pessoas. Os mesmos entrevistados. Os mesmos apresentadores. Os mesmos assuntos, para uma emissora de grande porte, muita audiência, nacional e mundo a fora e alta tecnologia. Até aí, nada de anormal.

Mas foi por volta das 12:20h/12:25h desta terça-feira que, de súbito, apareceu na tela aquele aviso de fundo vermelho-sangue e letras brancas com uma chamada sonora difícil de explicar como soa — mas de muito mau gosto —  indicando Notícia Urgente.

NOTÍCIA DE INTERESSE – E a inesperada interrupção da programação foi para que a apresentadora do programa noticiasse que o exame para covid-19 do presidente Bolsonaro havia dado “positivo”. Tanto é notícia?. Sim, é notícia. Notícia do interesse do povo brasileiro e notícia que percorreu o mundo.

Mas foi daí em diante, até quando desliguei a tv por volta das 20:30h, que o assunto foi um só. Rigorosamente um só: “Bolsonaro está com a Covid-19”. Debates, comentários, entrevistas, vídeos, fotos, tudo, enfim, sobre um tema só: “Bolsonaro está com Covid-19”. 

Foi um exagero. E um exagero que passou dos limites do respeito que se deve tributar a um presidente da República, seja ele quem for. Dele seja aliado ou não. Dele seja adversário ou não. E o desrespeito consistiu na visível e indiscutível confrontação que a emissora preparou e editou e que foi repetida em todas as edições dos noticiários das 13, das 16, das 18 e das 20 horas.

UM NUNCA-ACABAR – Depois fui dormir, exausto com tantas repetições. Nelas, foram apanhar e exibir vídeos e momentos em que Bolsonaro se mostrava incrédulo com o potencial abrangente do coronavírus-19, vídeos com o presidente sem máscara, vídeos de Bolsonaro no meio do povo, vídeos em que o presidente defendia a cloroquina e/ou hidroxicloroquina… Aquela fala da tal “gripezinha”. A outra fala “não sou coveiro”. E mais outra “todos vamos morrer um dia”. E mais outra. E outras mais….

A finalidade que deu a perceber era mostrar e relembrar o que não era para ser mais mostrado nem relembrado. Pois de tudo aquilo, mostrado e relembrado, todo o povo brasileiro sabia, tinha conhecimento, viu e ouviu do presidente. A pandemia nos prende em casa e a televisão é que faz passar o tempo.

JORNALISMO ÉTICO? – Então, fazer matéria historiando o contraste de postura de Bolsonaro, no trato com a pandemia, desde que o vírus surgiu no Brasil até o dia que o maldito vírus contaminou o presidente, isso é jornalismo ético?. É jornalismo solidário?. Ou deixa entender uma espécie do “viu só?”. Do “Agora chegou sua vez”?. Do “queimou a língua”?. Do “aqui se faz aqui se paga”?. Do “bem feito”?. Reconheço que posso estar errado. E se errado estiver, antecipo meu pedido de desculpa.

Mas o empenho da emissora foi tão intenso neste sentido  que  chegou a fazer uma “arte” mostrando em quadrinhos horizontais, fotos e nomes de todos aqueles com quem o presidente esteve nos últimos dias e que poderiam ou estariam correndo risco de contaminação!.

QUEIXA-CRIME – Escrevi atrás que o assunto “Bolsonaro está com Covid-19” foi um só. Mas teve uma exceção nos noticiários. Foi a anunciada queixa-crime — assim entendi — que a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) ingressou ou estava para ingressar na Justiça contra Bolsonaro. A acusação: desobediência a decreto do governador do Distrito Federal que obriga o uso de máscara, mais exposição de jornalistas a perigo. Creio que a tal queixa gira em torno disso.

Uma análise, ainda que ligeira e superficial. Sabemos que “Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal”. Este chamado “Princípio da Reserva Legal” está escrito no artigo 1º do Código Penal Brasileiro.

Então a pergunta: qual teria sido o “crime” que Bolsonaro cometeu?. Vamos ao Código Penal. Seria um daqueles previstos no Capítulo III, do Título VIII, que trata “Dos crimes contra a saúde pública”?. O crime do artigo 267 (“Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos”) não é. Bolsonaro não causou epidemia e/ou pandemia alguma.

ATÉ PODERIA SER – O crime do artigo 268 (“Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”), a princípio até poderia ser. Mas um exame cuidadoso se constata que também não é. E não é porque a aparição desta terça-feira, quando Bolsonaro anunciou que seu exame deu positivo para o Covid-19, o anúncio foi feito nas dependências de próprio federal, cujo interior não está sob a circunscrição administrativa do governo do Distrito Federal.

Mas digamos que em outras aparições de Bolsonaro sem máscara tenha ocorrido no território do governo do DF, indaga-se: Bolsonaro assim agiu com dolo, ou seja, com vontade e intenção deliberada de propagar o coronavírus que este último teste concluiu ser positivo?. Claro que não. A resposta é induvidosamente negativa. E sem dolo, o crime do artigo 268 do Código Penal, não se configura.

É o que nos ensina o renomado jurista Celso Delmanto ao tratar do chamado “tipo subjetivo” do crime. Delmanto é taxativo na exclusão da “culpa” para a prática do delito. Só com a presença do dolo existe o crime.  Ensina Delmanto no seu clássico e festejado “Código Penal” (Editora Saraiva, 1980, página 268): “Tipo subjetivo – O dolo, representado pela vontade livre e consciente de infringir a determinação. Na doutrina tradicional é o “dolo genérico”. Não há forma culposa”.

A HUMANIDADE SOFRE – Todos estamos em sofrimento. Toda a Humanidade sofre. É preciso ser solidário. Ser generoso. Ser piedoso. Não podemos politizar a dor, as mortes, as saudades.  A hora é de perdoar. Não sejamos pérfidos. E a ninguém é dado o direito de atirar pedra alguma contra quem quer que seja. Todos somos vitimados.

Mas é preciso ter esperança também. Essa dolorosa quadra pela qual o mundo passa vai acabar. Vamos deixar o confronto político de lado. Vamos abrandar nossas vozes, gestos e ações.  E ao invés do acirramento dos conflitos, das paixões, e de qualquer sentimento que seja menos nobre, vamos nos unir em ações e orações.

24 thoughts on “A covid-19 de Jair Bolsonaro, a GloboNews e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

  1. Sobre o comprimidinho ingerido, um só não faz mal, não mata ninguém.
    Mas será que era mesmo de hidroxicloroquina?
    E se era de farinha ou um outro remédio qualquer?
    Quem abriu a caixa?
    Foi uma brincadeirinha do seu Jair e vocês caíram nessa.
    Enquanto isso, desviou-se a atenção pra outras coisas;
    Boa estratégia.

    • E o luladrão seus filhos e apaniguados também deveriam estar no xadrez? ou só vale para o Bozo. Quem afanou a nação e seus discípulos são todos inocentes, Lembre que o até os talheres do palácio a PF teve que correr atrás. mais um idiota útil que perdeu a boquinha na teta dos sanduiches de mortadela e pão velho.ESTUDE

  2. O inusitado neste novo barraco, é q JB de longa data vem expressando opiniões que são contra as recomendações do pessoal ligado à saúde. Mas fiquemos tranquilos, ele deve ter gostado muito da repercussão deste último barraco e deve estar preparando algo mais surreal. Nisso ele é imbatível. Diversão garantida até 2022.

  3. Está na mídia.
    Notícia bem nova.

    “Facebook derruba contas ligadas ao clã Bolsonaro e deputados do PSL”.

    É muito material censurado.
    Prezado Carlos Newton, traga a notícia-bamba pra gente comentar.
    Um abraço, Jared.

  4. Tudo nesta Republica Celso Melodiana é manipulado para pior. Segundo o IBGE, morreram no Brasil 1.279.848. Estes dados sáo de 2018, Fazendo a divisáo por 365 dias teremos uma média de 3,500 pessoas.

    Já é hora de se saber qual a taxa real do Covod l9

    • Caro leitor e comentarista Elmir Bello,
      Permita-me responder a sua indagação.
      Panorâmica da covid-19 da Johns Hopkins University, acesso feito hoje às 21:20.
      Relativa ao Brasil
      1.713.160 casos confirmados
      67.964 mortos (3,96% dos casos)
      1.117.029 recuperados (65,20% dos
      casos)
      528.167 em recuperação (30,84% dos
      casos)
      Portanto, respondendo a sua indagação, hoje às 21:20 a taxa de letalidade da covid-19 no Brasil é de 3,96% dos casos confirmados.
      Logo, temos entre os recuperados e aqueles que estão em recuperação (ainda não se recuperaram, mas também não foram à óbito) 96,04% dos casos confirmados.
      Há dois meses quando comecei a fazer esses levantamentos a taxa de letalidade no Brasil girava em torno de 6,97% dos casos confirmados, hoje às 21:20 ela era de 3,96%, portanto, uma redução de 56,81%, no entanto, todos os dias a chamada grande imprensa, sobretudo os canais de televisão no Brasil só falam em mortes, jamais falam nos recuperados e naqueles que se encontram em recuperação.
      Por quê será?
      Quem quiser acessar o site daquela prestigiada universidade norte-americana, abaixo transcrevo o link.
      https://gisanddata.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6

      • A redução do percentual de mortes deve-se ao aumento das testagens.
        Mas continuamos com muitos casos diários de infectados e mais de uma centena de mortos – que pode subir graças ao covidiotas bolsonaristas.

        Não justifica a diminuição do percentual a liberação total, ou apenas a manutenção em isolamento dos idosos e portadores de comorbidades.
        Não justifica a liberação total das atividades sem manutenção de medidas preventivas como uso obrigatório de de máscaras e, ao menos, distanciamento social (diferente de isolamento) com medidas aplicáveis às rotinas dia estabelecimentos.

        Não justifica a pretendida liberação para a população adquirir o tal efeito imunização de rebanho, pois, nas palavras do Presidente, ao menos uns 70% vai se infectar.
        Defender isso é assassinar pelo menos 6 milhões de brasileiros (considerando 3,96% de mortalidade atual).
        Todos precisam manter acesas as esperanças e é dever do Estado cumprir seu papel de garantir acesso à Saúde para preservar o maior número possível de vidas humanas.

  5. Sempre parte da nação observa seu líder máximo e se espelha nele; logo, se o presidente insiste em não se proteger e dar péssimos exemplos, aglomerando-se, não usando máscara, defendendo o uso de um medicamento não cientificamente aprovado, deixando dois ministros da mesma pasta irem embora pois não tinham apoio dele e mais e mais ……
    Dr Bejá seu coração é grande demais mas, o PR está plasmando um inferno imenso em sua alma.
    Realmente não temos que tacar pedra pois nosso Mestre Jesus nos ensinou “não julgues” e realmente quando julgamos nos imiscuímos com vibrações negativas, normalmente.
    Um abraço.

  6. Primeiramente, Somos todos Hélio Schawartsman, colunista do Folha de São Paulo, que está sendo perseguido pelo Ministro da Justiça, André Mendonça, mais uma vez fazendo o papel de advogado, desta vez do Bolsonaro, ao apresentar pedido de instauração de inquérito contra o jornalista por conta de um artigo que, apresentando o comportamento irresponsável e criminoso do presidente durante toda pandemia e seu governo, apenas demonstrou desejo de que a covid vencesse o presidente para livrar o Brasil dos problemas que já causou e poupar do agravamento e de outros.

  7. … “até o dia que o maldito vírus contaminou o presidente, isso é jornalismo ético?.”

    NÃO!!!
    Precisa corrigir isso aí, taokei?!?

    Assim:

    … até o dia que o vírus contaminou o maldito presidente, isso é jornalismo ético.

    Muitos dos nossos problemas surgem da paixão. Podem vir na forma de desejos sexuais fixados no outro, no ódio, no ressentimento, nas compulsões. Aqueles que são vítimas de paixão precisam de ajuda externa, a fim de alcançarem águas mais calmas.

    Frustrou? Assine o Canal Disney, lá o boçal não têm chance de tornar um canal mesmo do mesmo como o GNEWS, livre e desembaraçado de seu critério reinol de achar que este presidente paspalho merece algum nobre respeito.

    Depois da propaganda da cloroquina ele só merece um tchau querida…

  8. E o luladrão seus filhos e apaniguados também deveriam estar no xadrez? ou só vale para o Bozo. Quem afanou a nação e seus discípulos são todos inocentes, Lembre que o até os talheres do palácio a PF teve que correr atrás. mais um idiota útil que perdeu a boquinha na teta dos sanduiches de mortadela e pão velho.ESTUDE

  9. Sobre a aplicação da norma em comento pelo ilustre comentarista, articulista e jurista Dr. Jorge Béja, tenho a impressão, antes de definir o alcance do artigo precisa se posicionar de que ponto parte: se do direito penal mínimo ou direito penal máximo, de modo que o leitor desta TI e comentaristas, principalmente os mais assíduos, possa cobrar que mantenha a coerência de análise e opinião sobre todos os outros tipos penais.

  10. No atual estágio de desenvolvimento da humanidade, com tantos conflitos de comportamentos, na regulação da vida na sociedade, busca-se cada vez mais a antecipação da tutela de bens jurídicos relevantes através do direito.

    O direito civil se presta muito mais eficazmente para reparação de dano ocorrido do que preventivo que se ocorra – assim como o direito administrativo com suas sanções meramente pecuniárias e de baixo valor no Direito Brasileiro.

    Dessa forma, surge a importância do direito penal, único com caráter intimidatório suficiente para prevenir riscos de dano.
    Assim temos especialmente os crimes de perigo, que pode ser concreto ou abstrato.

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