A crise se agrava, a grande mídia começa a se posicionar, mas a Bolsa sobe 0,55%

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Charge do Frank (Charge Online)

Carlos Newton

Entramos na reta final da disputa do poder, a crise política é gravíssima, mas ninguém está nem aí, com a Bolsa de Valores fechando a quarta-feira em alta de 0,55% e o Índice Bovespa se firmando acima dos 62 mil pontos, nada mal. Nota-se claramente que a economia descolou do campo político, onde as fichas já estão sendo colocadas na mesa para a rodada de fogo, enquanto a grande mídia começa a se posicionar para a batalha final.  E nesta guerra, em que realmente vale tudo, o instrumento mais importante é a mídia impressa e seus sites, que irradiam as informações para a grande massa. Pode-se dizer, sem medo de errar, que a disputa do poder ainda é travada nos grandes jornais e nas revistas de opinião, a televisão fica em segundo plano, vem a reboque.

Entre os grandes jornais de circulação nacional e que dispõem do poder irradiador de suas agências de notícias, O Globo está claramente contra o presidente da República, enquanto o Estadão e a Folha adotam uma linha mais defensiva em favor da permanência do atual governo, embora seus articulistas tenham total autonomia para atacar Michel Temer frontalmente. Nas revistas de opinião, Veja e Época batem pesado no presidente, enquanto a IstoÉ está nitidamente a favor.

SURGEM EXCESSOS – Nessa ânsia de atacar ou defender, sempre há excessos, como o recente ataque da IstoÉ ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, numa reportagem excedeu os limites da razoabilidade. A mesma sofreguidão foi demonstrada nesta quarta-feira por O Globo, ao publicar em seu site, no alto da página, a matéria “Termômetro da CCJ: apenas 4 declaram voto pró-Temer”, quando o título mais apropriado deveria registrar que, em sua esmagadora maioria, os deputados da Comissão de Constituição e Justiça ainda não sabem se votarão a favor ou contra Temer, conforme Mário Assis Causanilhas oportunamente assinalou em artigo aqui na “Tribuna da Internet”.

Da mesma forma, o Estadão fez um editorial lamentável, ao dizer que Janot não poderia usar como usar como prova a foto em Aécio Neves aparece em reunião com um grupo de senadores (Jereissati, Serra, Anastasia, entre outros). Acontece que a fotografia virou prova porque Aécio cometeu a burrice de postá-la nas redes sociais e escrever na legenda que estava discutindo as reformas e a posição do PSDB. Mas o Estadão, no editorial, esqueceu esse fato concreto e indiscutível.

VALE TUDO – Como se vê, realmente vale tudo nessa guerra do afastamento do presidente Temer, que se trava simultaneamente no Judiciário e no Congresso, mas tem na grande mídia seu principal campo de batalha.

O mais importante de tudo isso está citado no início do artigo – é o salutar descolamento da economia, que está evoluindo como se a crise política não interferisse nos negócios, uma circunstância a demonstrar que o país é maior do que a crise, não importa o presidente que por acaso seja locatário do Planalto.

Foi exatamente o que aconteceu com a Bélgica, que recentemente ficou quase dois anos sem governante, ninguém notou, vida que segue, como dizia o genial João Saldanha, que sempre foi comunista, mas ninguém jamais o acusou de não ser democrata.

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PS
Essa situação inusitada funciona como uma lição aos políticos, mostrando que o poder significa tudo ou nada. Não adianta estar no poder, como Temer, e não ter a menor importância, pois quem manda no país é o ministro Henrique Meirelles, que até já avisou que, se Temer cair, ele continuará. O mesmo recado também deram Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, e Pedro Parente, da Petrobras. Será que combinaram isso entre eles? O assunto é instigante e vamos voltar a ele. (C.N.)

4 thoughts on “A crise se agrava, a grande mídia começa a se posicionar, mas a Bolsa sobe 0,55%

  1. Temer esgota-se – e o “mercado” trama algo pior

    Paulo Kliass – Diante de naufrágio do governo, economistas como Marcos Lisboa e instituições com o Insper pedem o desmonte total do setor público.

    O Brasil parece naufragar nas águas revoltas de um oceano mal-humorado. Esse cenário ambientado sob uma tempestade violenta é mesmo muito dramático, mas a verdade é que tal fenômeno tem muito pouco ou quase nada de natural em sua manifestação.

    Ocorre que todo esse quadro não é fruto de mero acaso probabilístico ou da vontade divina de impor algum castigo aos habitantes destas terras. Por mais incrível que possa parecer, a opção pelo cardápio amargo é resultado de uma decisão de natureza eminentemente política que foi adotada pelos governantes do país. É importante reconhecer que não se trata de fenômeno genuinamente tupiniquim, uma vez que o mundo está recheado de nações que trilharam caminho semelhante. E estão todas afundando no pântano da crise e do retrocesso.

    O modelo que dá fundamento a esse tipo de proposta para a economia atende por diversos nomes e endereços. Pode ser identificado como liberalismo hayekiano, interpretação neo-clássica, ortodoxia monetarista, neoliberalismo ou que-tais. O essencial a se reter é que todos mantêm uma crítica ácida a qualquer tipo de intervenção do Estado na economia e se vangloriam das virtudes absolutas das livres forças de mercado para se atingir o equilíbrio redentor. Tudo se resumiria à resultante da composição “harmônica” da ação dos agentes da oferta e da demanda. E o produto desse processo será necessariamente o ponto de maior eficiência da curva observada.

    Assim, o austericídio que vivemos há um bom tempo não é obra do acaso. Trata-se de uma intenção deliberada de promover a recessão e o desemprego para que um novo ponto de ótimo seja atingido, como se estivessem os agentes políticos e os formuladores de políticas públicas diante de uma telinha de computador, jogando um “game” – como tão bem gostam de dar os nomes às coisas na língua dos norte-americanos.

    Do site Controvérsia

  2. Excelente a análise do Carlos Newton. Incluiria também a medida tomada pelo PRG, Rodrigo Janot em fatiar a denúncia em três tentativas:.enviar uma, dependendo da aprovação da câmara, enviará outra e mais outra, com o firme propósito de desgastar o presidente da república e na ânsia da possibilidade de uma das denúncias serem aprovadas. Entendo que o correto,, sem forçar a barra, seria enviar uma denúncia com todos os fatos, que ocorreram na gravação do Joesley com o Temer, evitando o prolongamento da crise que assola o país. Isso seria o mais lógico

  3. Interessante Busco sempre aqui na Tribuna informações q substanciem o conhecimento. Acaso Aécio teve o mandato cassado? se não qual crime cometeu ao se reunir c companheiros d partido para discutir assuntos do “interésse” – diria brizola , hehe – do Brasil?

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