A dança da solidão que sempre atinge todos nós, na visão de Paulinho da Viola

Paulinho da Viola, um compositor de verdade

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Paulo César Batista de Faria, o Paulinho da Viola, é tido como um dos mais talentosos representantes da MPB. A letra de “Dança da Solidão” tematiza o mergulho de uma pessoa para dentro dela própria ao perceber sua condição humana de ser sozinha, seja em seus sentidos, seja em seus pensamentos, desiludida, sem ter um canto exterior, canta a sua amargura, uma vez que a solidão possibilita uma melhor observação de tudo. Esse samba faz parte do Lp A Dança da Solidão, gravado por Paulinho da Viola em 1972, pela Odeon.

DANÇA DA SOLIDÃO
Paulinho da Viola

Solidão é lava
que cobre tudo
amargura em minha boca
sorri seus dentes de chumbo
Solidão, palavra
cavada no coração
resignado e mudo
no compasso da desilusão

Desilusão, desilusão
Danço eu danço você
na dança da solidão
Carmélia ficou viúva
Joana se apaixonou
Maria tentou a morte
por causa do seu amor
Meu pai sempre me dizia
meu filho tome cuidado
quando penso no futuro
não esqueço meu passado

Quando chega a madrugada
meu pensamento vagueia
corro os dedos na viola
contemplando a lua cheia
Apesar de tudo existe
uma fonte de água pura
quem beber daquela água
não terá mais amargura

5 thoughts on “A dança da solidão que sempre atinge todos nós, na visão de Paulinho da Viola

  1. Paulinho da Viola tem classe, é elegante, charmoso, educado, inteligente, cantor com voz singular, compositor, instrumentista, um verdadeiro Lorde.
    Que maravilha; “Solidão é lava
    que cobre tudo
    amargura em minha boca”

    “quando penso no futuro
    não esqueço meu passado”

    Quem ouve se apaixona. Ele canta com Marisa Monte – sensacional dupla.

  2. Adoro Sinal Fechado, sempre tão atuais esses encontros. A gente no trânsito, o sinal fecha, a gente olha para todos os lados e encontra um conhecido ou um amigo;. a pressa vem com o sinal que se abre e a gente perde o amigo de vista, quem sabe o encontre em outro sinal fechado!
    Sinal Fechado
    Paulinho da Viola

    Olá, como vai ?
    Eu vou indo e você, tudo bem ?
    Tudo bem eu vou indo correndo
    Pegar meu lugar no futuro, e você ?
    Tudo bem, eu vou indo em busca
    De um sono tranquilo, quem sabe …
    Quanto tempo… pois é…
    Quanto tempo…
    Me perdoe a pressa
    É a alma dos nossos negócios
    Oh! Não tem de quê
    Eu também só ando a cem
    Quando é que você telefona ?
    Precisamos nos ver por aí
    Pra semana, prometo talvez nos vejamos
    Quem sabe ?
    Quanto tempo… pois é… (pois é… quanto tempo…)
    Tanta coisa que eu tinha a dizer
    Mas eu sumi na poeira das ruas
    Eu também tenho algo a dizer
    Mas me foge a lembrança
    Por favor, telefone, eu preciso
    Beber alguma coisa, rapidamente
    Pra semana
    O sinal …
    Eu espero você
    Vai abrir…
    Por favor, não esqueça,
    Adeus…

    São tantas as músicas de Paulinho da Viola. Não dá para entender porque tanto lixo nos nossos ouvidos, quando se tem talento c omo o dele e de outros.

  3. Paulinho da Viola, Poeta Brasileiro por inteiro, Samba de Amor por inteiro, Samba da Vida por inteiro, Cantor da Alma Boêmia Brasileira, Portelense como eu que Ama a Portela aqui do meu Recife, como meu saudoso e amado Pai João Xavier também amava, e, chorava quando Paulinho cantava …”foi um rio que passou em minha vida …. e quando a Portela entrava na avenida com seu azul da cor do mar! VIVA PAULINHO DA VIOLA, VIVA O SAMBA, VIVA A PORTELA, VIVA O POVO BRASILEIRO !

    ONDE A DOR NÃO TEM RAZÃO !

    PAULINHO DA VIOLA .

    Canto
    Pra dizer que no meu coração
    Já não mais se agitam as ondas de uma paixão
    Ele não é mais abrigo de amores perdidos
    É um lago mais tranqüilo
    Onde a dor não tem razão
    Nele a semente de um novo amor nasceu
    Livre de todo rancor, em flor se abriu
    Venho reabrir as janelas da vida
    E cantar como jamais cantei
    Esta felicidade ainda !

    Quem esperou, como eu, por um novo carinho
    E viveu tão sozinho
    Tem que agradecer
    Quando consegue do peito tirar um espinho
    É que a velha esperança
    Já não pode morrer !

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