A delegada Martha Rocha vai mesmo “limpar” a Polícia do Rio? Há muitas dúvidas sobre isso. E por que ninguém se interessa pelo passado dela? Em 1994, sua carreira só foi preservada pela “compreensão” do então governador Nilo Batista.

Carlos Newton

Até ser convidada para a Chefia de Polícia, a delegada Martha Rocha comandava a Divisão de Polícias de Atendimento à Mulher, que pouco significado tem na hierarquia da Secretaria de Segurança. Ela entrou para a instituição como escrivã na década de 80 e, em 1990, fez concurso e se tornou delegada.

Em 92, participou da implantação da Delegacia de Apoio ao Turismo e, no ano seguinte, chegou ao primeiro cargo importante – o comando do Departamento Geral de Polícia Especializada. E a fama começou depois de um episódio extremamente negativo, em 1994. Na época, seu chefe de gabinete, o delegado Inaldo Júlio Santana, foi preso ao tentar intermediar pagamento de propina de bicheiros ao então corregedor.

Martha Rocha vivia com ele, maritalmente, embora não fossem casados no papel. Na ocasião, ela soube que o Inaldo ia ser preso e avisou a ele, que fugiu para evitar o flagrante. Portanto, tecnicamente Marta Rocha “deu fuga” a Inaldo. A Corregedoria tomou conhecimento do fato e ia abrir inquérito contra ela, mas o governador Nilo Batista se compadeceu e pediu por ela, alegando que a delegada “estava apaixonada e foi vítima de um oportunista”.

O delegado Inaldo foi expulso da Polícia, pegou 5 anos e meio de prisão, junto com  o bicheiro Castor de Andrade e seu sobrinho Rogério de Andrade. Inicialmente ficou preso, mas ganhou progressão e passou a cumprir o resto em regime aberto. No entanto, como foi condenado em outro processo, que envolvia toda a cúpula do jogo do bicho no Estado do Rio, voltou para a cadeia.

O então governador do estado, Nilo Batista, não só manteve Martha na direção do Departamento Geral de Polícia Especializada, apesar de todo o constrangimento causado pelo episódio, como também apoiou a indicação dela para o cargo de corregedora interna da Polícia Civil. Parece brincadeira, mas foi verdade: colocou na Corregedoria uma delegada que estava sob suspeita da própria Corregedoria.

Para o compreensivo governador, Martha Rocha era como Lula, não sabia de nada. Mas na Polícia, era notória a ligação do companheiro dela com os bicheiros. Só ela e Nilo Batista não sabiam. Inocentada pelo governador (mas não pela Corregedoria, que à época continuou de olho nela), Martha Rocha seguiu desfilando na passarela da Rua do Lavradio, fazendo carreira, e até se tornou até subchefe de Polícia Civil em 1999.

E agora, diante do mar da lama que invade as Polícias Civil e Militar, é justamente essa controversa delegada que o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, escolhe para chefiar a Polícia Civil e “arrumar a casa” (expressão dele).

Essa escolha traz algumas dúvidas, todas pertinentes: 1) Não existe, na Polícia Civil (na ativa ou aposentado) nenhum delegado verdadeiramente limpo, que possa sanear a instituição? 2) Marta Rocha é um fenômeno de ingenuidade? Viveu anos com um delegado corrupto, todos sabiam que ele era ligado aos bicheiros, menos ela. Ou seja, como policial, nota zero para a delegada. 3) Martha Rocha foi escolhida para chefiar a Polícia Civil porque, na instituição, ser corrupto ou viver com um corrupto nada significa? É uma múltipla escolha. Assinale qualquer uma das três explicações, e verá que nenhuma delas satisfaz o interesse público.

Quanto aos delegados Allan Turnowski e Claudio Ferraz, que se digladiam, numa luta de extermínio, seus primeiros anos na Polícia foram irrepreensíveis. Eram tidos como exemplos de delegados limpos e inimigos da corrupção. Até que caíram em tentação. E hoje os dois são considerados “farinha do mesmo saco”, como se dizia no interior. Ambos corruptos. A propósito, o funcionário que faz o meio do campo da corrupção para Ferraz é conhecido como Gérard. E mais eu não digo, a não ser que seja torturado pelo Capitão Nascimento, é claro.

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