A democracia depende do duelo entre os generais Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira

General Paulo Sergio Nogueira

Se depender do comandante do Exército, não haverá golpe

Carlos Newton

O noticiário político mostra que o jornal britânico “The Gardian” está com a razão, pois o Brasil realmente se transformou numa República de Bananas, como eram conhecidas no século passado as nações latino-americanas que viviam sofrendo golpes militares.

A baixaria reina nos três Poderes, porque o Legislativo é dominado pelos políticos fisiológicos do baixo clero, que só cuidam de interesses pessoais, o Executivo está sob comando de um paramilitar sem o menor equilíbrio emocional, e o Supremo resolveu se meter em política, ao inventar uma lei – “incompetência territorial absoluta” – que possibilitasse a devolução dos direitos políticos a um criminoso vulgar como Lula, na esperança de que ele venha a evitar nas urnas a reeleição do presidente desequilibrado.

RETRATO – Essa tripla baixaria mostra que realmente o Brasil embananou-se, a esculhambação institucional chegou a tal ponto que o país está nitidamente à beira de um golpe militar, que o presidente da República faz questão de anunciar diariamente, em declarações ofensivas e ameaçadoras à democracia.

Desta vez, não há como repetir o presidente lunático Delfim Moreira, afastado do poder por desequilíbrio mental, nem o também lunático Jânio Quadros, que fez a gentileza de se afastar. No surto atual, 0 presidente lunático não sai de jeito nenhum e só pensa em se reeleger, mesmo que não seja vencedor nas urnas.

Embora muitos procurem não enxergar essa realidade escalafobética, o quadro político é claríssimo e o golpe agora depende exclusivamente dos militares (leia-se: oficiais generais), que estão divididos.

APOIO MILITAR – O ministro da Defesa, general Braga Netto, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Júnior, apoiam incondicionalmente todas as extravagâncias de Bolsonaro. O comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, era uma incógnita até terça-feira passada, no enfumaçado desfile da obsolescência militar brasileira, quando seu comportamento festivo revelou uma total submissão ao presidente.

Ou seja, neste xadrez político-militar resta apenas uma torre a ser derrubada – o comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, cuja postura não deixa dúvidas. Se depender dele (e depende), não haverá golpe.

No sábado, em cerimônia militar, Braga Netto afirmou que as Forças Armadas são “protagonistas dos principais momentos da história do País” e estão “sob autoridade suprema do presidente da República”. Em tradução simultânea, ele ameaçou: “Se não nos obedecerem, daremos o golpe”.

Porém, neste domingo, O Globo publicou uma matéria importantíssima, que trazia apenas duas frases do comandante do Exército. Disse o general Nogueira: “Não há interferência política no Exército. O Alto Comando está com o comandante”. Ou seja: “O Alto Comando não permitirá golpe militar”.

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P.S. –
O Alto Comando tem quinze generais da ativa e mais um general que serve ao Ministério da Defesa e obviamente apoia Braga Netto. Isso significa que Bolsonaro precisa de mais oito votos para fazer maioria e evitar o “voto de Minerva” do comandante Nogueira, em caso de empate. Bem, como dizia o almirante Francisco Barroso, o Brasil espera que cada um cumpra seu dever. E nós também esperamos. Um país importante como o Brasil não pode se transformar novamente numa República de Bananas. (C.N.)

7 thoughts on “A democracia depende do duelo entre os generais Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira

  1. Carlos Newton, muito bom artigo.

    Essa parte define com precisão o atual cenário dos acontecimentos no Brasil:

    “A baixaria reina nos três Poderes, porque o Legislativo é dominado pelos políticos fisiológicos do baixo clero, que só cuidam de interesses pessoais, o Executivo está sob comando de um paramilitar sem o menor equilíbrio emocional, e o Supremo resolveu se meter em política, ao inventar uma lei – “incompetência territorial absoluta” – que possibilitasse a devolução dos direitos políticos a um criminoso vulgar como Lula, na esperança de que ele venha a evitar nas urnas a reeleição do presidente desequilibrado.”

    E pode piorar, dependendo do resultado da sessão do STF prevista para hoje a tarde, na qual será discutida a soberania nacional sobre seu espaço territorial.

  2. Acho que estão dando muita importância a esses velhotes da reserva. Em verdade, eles não têm direito á continência nem de soldado – eles foram militares, agora são civis como nós.

  3. Caro Editor, você como sempre coloca as questões de forma simples e direta, equacionando-as dentro da lógica.
    Eu, na minha vã filosofia, entendo que nossa atual crise e potencial desastre nacional deve, sempre, ser tratado nos seus dois níveis, o estrutural e o conjuntural, e é neste último que se enquadra o atual impasse político-militar, logicamente, consequência de uma disfunção estrutural.
    Este assunto, por ser estrutural, deve ser tratado com medidas rápidas e eficazes, usando a inteligência, a malícia e a dissimulação se for preciso, afinal se trata da sobrevivência da democracia e, possivelmente, de vidas humanas, e não esqueçamos que o instinto de sobrevivência justifica tudo ou quase tudo.
    Os caminhoneiros desmentiram o caduco Sérgio Reis na sua convocação para ir a Brasília fechar Congresso e STF (o que o Alzheimer faz), o comandante do Exército marcou sua posição contra ataque ao Estado de Direito, treze governadores condenaram qualquer tentativa de impor o nazismo a força, o próprio Vice-Presidente fez sua confissão de fé na democracia, pelo tanto temos que cobrar de autoridades em todos os níveis, imprensa, formadores de opinião, empresários e próceres da sociedade, um posicionamento claro a respeito de ser a favor ou contra se atravessar este Rubicon.
    Tenhamos sempre em conta que, os apoiadores e omissos desta loucura, serão identificados, lembrados e responsabilizados pelas consequências desta insanidade.

  4. De bravata em bravata, de crise em crise o mito vem governando o Brasil. Felizmente para nós o destino dele parece ser o mesmo do Trump, perdeu uma eleição que era dele por falar tanta besteira.

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