A denúncia da Folha sobre a tragédia, é a oficialização da irresponsabilidade: “O governo do RJ sabia, desde 2008, dos riscos na região serrana”. Respondem, se defendem, ou têm que ser acusados e punidos.

Helio Fernandes

Não é apenas mais uma tragédia, essa de proporções inimagináveis, já considerada até por respeitáveis órgãos internacionais, como “a maior da nossa História”. É a catástrofe da imprudência oficial, do descaso, da desatenção, do descuido e da cumplicidade.

Acusam os que “construíram” nas encostas, em lugares de perigo mais do que visível, correndo todos os riscos, mas queriam o quê? Que não “morassem”, que ficassem nas ruas, enquanto o governo cuida apenas da politicalha estadual?

(Como conto com dados, números, detalhes, no artigo seguinte. Vejam e leiam as prioridades do governo Sergio Cabral. Tem três metas que cumpre rigorosamente. Viajar, enriquecer e tratar da própria carreira, que está sendo carregada pela “enxurrada”).

Quando falo em CUMPLICIDADE na catástrofe, preciso ressaltar, registrar e ressalvar, que as autoridades do Estado do Rio estão nas duas pontas dessa irresponsabilidade. Como culpar cidadãos que querem apenas existir, coexistir, viver, sobreviver, Deus sabe como?

Desde que começou esse desastre espantoso (repetição de outros, não tão catastróficos, mas que já haviam acontecido), venho colocando todas as chamadas autoridades no banco dos réus, mostrando fatos, fatos, fatos, e cobrando punições para os que abandonaram aqueles que tanto “perseguiram” pedindo votos.

(O prefeito Fiorello La Guardia, de Nova Iorque, comparecia às 3 da manha para ver um incêndio de bairro. E para os assessores, que diziam, “não é nada, prefeito”, respondia: “Tenho que estar presente, ninguém me pediu para ser prefeito, fui eleito e reeleito pela minha própria vontade”. Se fosse governador ou prefeito aqui, La Guardia não sairia das cidades serranas).

Manchete da Folha, transcrita por exigência do interesse público: “O governo do Estado do Rio, sabia desde 2008, dos riscos na região da tragédia”. E mostra a razão das denúncias, com o crédito para os repórteres Evandro Spinelli e Hudson Correa. O que está nas duas linhas da Primeira, é desvendado, detalhado e denunciado com a palavra de especialistas que estudaram a questão.

 Os estudos localizam os maiores perigos na falta de MAPEAMENTO e PREVENÇÃO, o que dissemos aqui diariamente, com base nas afirmações de outros especialistas, a quem demos os créditos, pois estudaram a questão. Segundo eles, as cidades que corriam mais riscos e perigos eram precisamente Petrópolis, Friburgo e  Teresópolis.

Estarrecedor na denúncia da Folha, e no trabalho dos repórteres: “Esses estudos foram pedidos e pagos pelo próprio governo do Estado do Rio”. Fizeram alguma coisa? O Secretário de Meio Ambiente do Estado do Rio, diz candidamente: “Priorizamos outras áreas”. Qual a razão? É preciso saber como o Secretário explicará por que desviou o foco dessas cidades, alertadíssimas para as “autoridades”, que desviaram os recursos para outras áreas. ESPANTOSO, mas que precisa ser esclarecido.

Outro Secretário, diz sem o menor remorso, o que estava no relatório pago pelo governador: “Não basta dizer onde é proibido morar, é preciso definir locais adequados para moradia”. Nem esse óbvio foi cumprido pela relação enorme de “autoridades” que sabiam e deviam estar cuidando do problema.

O relatório (assinado por especialistas competentes e das mais diversas áreas) enfatiza: “É preciso cadastrar as famílias, cuidar da remoção, enquanto feitas as obras indispensáveis”. Nenhum dos três itens foi cumprido, nenhuma obra, cadastramento, remoção.

Mas “autoridades” ineptas e inaptas têm que ser investigadas, responsabilizadas, punidas. Esse trabalho pode ser feito pela Polícia Federal e a Procuradoria Federal. A Polícia Federal, nos últimos meses, tem feito trabalho importante, denunciando e prendendo “figurões”. E a Procuradoria Federal, também.

O assunto é infindável, as acusações não podem ficar esquecidas ou escondidas. Já que apontamos os órgãos que podem investigar os crimes (é de crime que se trata), indiquemos os maiores criminosos, por ordem hierárquica.

1 – O governador do Estado do Rio. 2 – O Secretário de Obras, cargo acumulado (?) pelo vice Pezão. 3 – Outros secretários do governo, que tenham obrigatoriamente, ação e atuação sobre os fatos. (Principalmente o do Meio Ambiente, que confessou o conhecimento dos problemas e o desvio dos recursos. 4 – Prefeitos de Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, com o mesmo grau de responsabilidade. Os três até agora em silêncio, não apareceram para nada, parece que nem existem.   

5 – Os Secretários de Obras das três cidades, responsáveis, não seria melhor logo usar a palavra certa, com um I bem grande na frente? Não podem ficar IMPUNES e IMUNES, a catástrofe foi grande e terrível para ficar sequestrada pelo esquecimento.

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