A deputada Janaína Paschoal precisa pedir desculpas ao piedoso Padre Julio Lancellotti

Janaina Paschoal durante sessão no Senado sobre processo de impeachment de Dilma Rousseff, em 2016 — Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Janaina é deputada e devia refletir antes de se manifestar

Jorge Béja

Janaína Paschoal é a advogada e professora universitária de São Paulo que assinou a petição do Impeachment de Dilma Rousseff. Por isso tornou-se conhecida. E se elegeu deputada em São Paulo pelo PSL. Neste fim de semana, Janaína criticou o padre Júlio Lancellotti e a Pastoral do Povo de Rua de São Paulo por distribuir alimento à população de rua no Centro da capital paulista, na região da Cracolândia.

“A distribuição de alimentos na Cracolândia só ajuda o crime”, escreveu Janaína neste sábado(7). “O padre e os voluntários ajudariam se convencessem seus assistidos a se tratarem e irem para os abrigos”.

RESPOSTA DO PADRE – O respeitado e conhecido sacerdote não se curvou à deputada e respondeu. No seu perfil, reproduziu um meme com imagens que representam a deputada dormindo, noutro o número de brasileiros que morreram por Covid-19 se aproxima de 600 mil, e depois exibe Janaína acordada e revoltada com a doação de alimento. Na legenda. o padre escreveu: “lutar e crer”.

Não, deputada. Conheço a Cracolândia de SP. É verdade que todos precisam do amparo estatal para recuperar a saúde e a dignidade humana. Amparo permanente, estruturado, prioritário e de qualidade. Mas dizer que o Padre Lancelloti “ajuda o crime” quando leva alimento àquela população desvalida, isso não é crítica, mas ofensa ao religioso e a todos que com ele operam.

COMPARAÇÃO – Daí surge uma pergunta: faz décadas e décadas que o padre Lancellotti é nacional e internacionalmente conhecido por suas ações humanitárias em prol da população de rua, drogados e não drogados. E a advogada Janaína, há quatro anos, é conhecida por ter sido a co-subscritora da petição de afastamento de Dilma da presidência da República. Nada mais. Parece que a diferença entre um e outro é abissal. Ou não é?

Fico com o padre. E bem conheço as críticas infundadas e os ataques que políticos disparam contra quem defende os vulneráveis, sejam santos ou pecadores.

OUTRO EXEMPLO – Nas décadas de 70 e 80, ao lado do padre Bruno Trombetta, responsável pela Pastoral Penal da Arquidiocese do Rio de Janeiro, testemunhei o empenho do Reverendo (Reverendo de verdade) na defesa da população carcerária.

Constatando que as prisões não ressocializam e que o apenado, quando consegue sobreviver ao cárcere, dele sai pior do que nele entrou, Trombeta arregaçou as mangas. E de batina surrada, entrou em campo, tal como fez o italiano Giovanni Melchior Bosco, o Dom Bosco (15.8.1815 — 31.1.1888), em defesa dos “biriquinis”, como eram chamados os meninos de rua de uma Itália ainda dividida em Reinos. A todos acolheu e deles fez homens de bem.

Aqui no Rio, toda semana, todos os meses, todos os anos, centenas de presidiários eram assassinados nos presídios. Era o chamado Comando Vermelho.

PONTO CENTRAL – O complexo penitenciário da Rua Frei Caneca era o ponto central de onde partiam as ordens de extermínio. E o padre Bruno Trombeta levava até meu franciscano escritório na Praça Mauá os familiares dos detentos mortos. E deles constituído advogado, dava entrada na Justiça com ações contra o Estado do Rio de Janeiro. Por serem ações inéditas, as três primeiras a Justiça não acolheu. Mas todas as dezenas e dezenas de outras, todas foram acolhidas. E o Estado restou condenado. As indenizações foram pagas.

Cada condenação do Estado era notícia de primeira página nos jornais. E foram tantas as condenações que os constituintes entenderam incluir na Constituição Federal de 1988 esta deterninação:

“É assegurado aos presos o respeito à integridade física e mental” (artigo 5º, XLIX).

SEMELHANÇAS – Mas o que tem a ver?. O que tem de comum entre a censura de Janaína ao padre Lancellotti e a ação do padre Bruno Trombetta no Rio nas décadas de 70 e 80? Tem tudo a ver. É a repetição. Tanto naquela época quando agora, dos políticos vinha sempre a censura. Teve um dia que Leonel Brizola chegou a telefonar para meu pai pedindo que eu parasse. E que deixasse Lancellotti e passasse para o lado dele. Foi em vão. Nem fui ao seu encontro.

Mas os ataques – tal como o de Janaína, perto de 50 anos depois – eraM forte contra o religioso Trombetta, assim como agora, contra outro religioso, Júlio Lancellotti. A deputada paulista aponta o dedo contra Lancellotti. E dispara que o gesto cristão, humanitário e indispensável de levar comida aos sem vez e sem voz da população de rua e da Cracolândia “só ajuda o crime!”.

REFLEXÃO – Professora, reflita antes de falar. Reflita antes de escrever. Não falte com a nobreza, com a fidalguia. No último 4 de julho publiquei aqui na Tribuna da Internet artigo em que termino pedindo à senhora que não ensine a seus alunos o que a senhora disse sobre o presidente Bolsonaro. Ou seja, que o presidente não cometeu crime de prevaricação quando soube da notícia de corrupção do Ministério da Saúde e nada fez. Porque seu argumento nada tinha de jurídico, ao sustentar que é preciso primeiro apurar se houve mesmo a prática do crime, para só depois responsabilizar a autoridade que dele soube, cruzou os braços e, aí, sim, prevaricou.

Desta vez torno a pedir à senhora, pessoa que estimo e com quem já travamos troca de mensagens: reflita antes de falar e escrever. E peça desculpas ao padre Julio Lancellotti.Post da deputada estadual Janaina Paschoal no Twitter critica doação de alimentos na Cracolândia — Foto: Reprodução

29 thoughts on “A deputada Janaína Paschoal precisa pedir desculpas ao piedoso Padre Julio Lancellotti

  1. A tal Janaína, falou pelo blastóporo !
    Quem fala muito…
    Bem feito.
    Segura agora esta aí, do Dr. Béja ….
    Vergonha.
    Credo !

    • EXCERTO DA BIOGRAFIA DA DEPUTADA JANAINA PASCHOAL

      Fonte: Wikipédia

      Também em 2016, em um caso que gerou repercussão na imprensa,[25] defendeu na esfera administrativa o então procurador da república Douglas Kirchner, acusado de agressão física e psicológica contra sua esposa, Tamires de Souza Alexandre. Entre os argumentos da defesa, Janaina alegou liberdade religiosa do agressor, pois ele teria cometido os atos sob influência da pastora da igreja a que pertencia e estaria sendo julgado por ter acreditado.[26] O Conselho Nacional do Ministério Público, porém, decidiu pela demissão do procurador.[27]

      Em outubro de 2017, Paschoal fez uma petição ao diretor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, José Rogério Cruz e Tucci, contestando o resultado de um concurso para o cargo de professora titular da faculdade, no qual concorreu com outros três candidatos para o preenchimento de duas vagas e foi reprovada, ficando em último lugar na seleção e com notas bem abaixo do demais candidatos. Após avaliar o resultado dias depois da homologação, ela apresentou o recurso, em que acusou a comissão do concurso de perseguição pelo fato de ela ter sido uma das autoras do impeachment de Dilma Rousseff, apontou supostas inconsistências no processo de avaliação e pediu a anulação da disputa. Entre as acusações, ela afirmou que o primeiro colocado apresentou um trabalho sem originalidade, o que seria um requisito para a aprovação, e também acusou a banca de ter ignorado boa parte de suas publicações, trabalho de voluntariado e outros itens de seu currículo.[28][29]

  2. Ajudar o próximo é quase um mandamento,,,,

    Amar o próximo como a ti mesmo ( Jesus Cristo)

    Porém alimentar sem dar uma oportunidade de mudança de vida, é praticamente condenar a ficar preso a situação que está.

    Nesse quesito é o que entendo a declaração da Janaína .

    • Eu fiz a mesma leitura que você. Alimentá-los na cracolândia somente está evitando a morte deles, mas não está dando uma VIDA. A tal dignidade humana está passando longe. Não quero jogar pedra no padre que está fazendo muito mais do que todos nós, Mas acho que pode e deve ir além.

  3. No ano passado tive a “coragem” de passar por aquela região onde fica a Grande Obra do Partido PSDBPT ,que aliás, Dona Janaina apoia e sempre foi aliada.
    È uma tragédia jamais vista neste Páis., e não passei diretamente no “núcleo’ da TucaCracôlândia, se passar por ali com certeza está correndo um sério risco de morte.
    Uma devastação, lixo por todos os lugares, cheiro insupórtável, pessoas jogadas nas calçadas, drogados pedindo esmola,, uma insegurança total para moradores e pessoas que trabalham por aquela região..
    Já ouvi de tucanos de penas de faisão dizer que “a Cracolãndia acabou”.
    Outro tucano agora com intenções de sentar na cadeira de Brasília, quando prefeito, fez aquele “estrago” na região, e complicou mais ainda, espalhou vários drogados para outros cantos do Centro, fazendo minis-cracolãndias..
    Vejam que Gênio é essa “autoridade (in)competente”….
    Espalhou e complicou ainda mais o problema.
    Mas, no ano que vem temos eleições para governador, quem sabe não aparece outro que diz “que agora vou acabar com a TucaCracolândia”,…

  4. Não é segredo para ninguém minha admiração, respeito e amizade que nutro pelo dr.Béja.

    Agrada-me, sobremaneira, a forma como diz as verdades sem ofender, sem magoar, sem ferir susceptibilidades de quem quer que seja, pois ela as diz e publica, mediante a excelência do seu trabalho como advogado e ser humano.

    Inegavelmente, existe entre mim e o excelso profissional, diferenças incomparáveis:
    Sou um semianalfabeto;
    Sem curso superior algum;
    Sem eira nem beira, a ponto de o meu apelido ser “imortal”, pois não tenho sequer onde cair morto;
    Cultura, conhecimentos, especialidades como profissional, simplesmente não as tenho;
    Então o que quero dizer com isso?
    Que, respeitosamente, dou razão à deputada e doutora Janaína!

    A meu ver, precisamos enfrentar o assistencialismo ou a oferta de esmolas, mediante uma realidade nua e crua.
    O bondoso padre dando de comer a quem tem fome, deixa de obedecer um dos principais ensinamentos de Cristo, que reza não dar somente o peixe, mas ensinar a pescar.
    Há, de maneira sub-reptícia, um estímulo a não trabalhar.
    “Deus provê”.

    Não é assim.
    O piedoso sacerdote estaria obtendo o apoio integral da sociedade, do local de distribuição das refeições, caso solicitasse uma contrapartida dos alimentados.
    Exemplo:
    Uma vassoura para cada um limpar o local ou em frente às lojas ou os bancos da praça ou as ruas adjacentes ou, até mesmo, lavando as paredes da igreja do padre em questão ou pintando o templo por fora!
    Mas, a mão que dá, a outra recebe, não podendo ser via única!

    Mais a mais, o padre, por melhor que sejam as suas intenções, colabora para que a pobreza e a miséria persistam, sem que o desvalido precise agir, buscar recursos, oferecer a sua mão de obra por mais humilde que seja, através do trabalho.

    Lancellotti precisa mudar o seu esquema, NO MEU ENTENDIMENTO, claro,
    Querem comida?
    Trabalhem, façam algo, com exceção, evidentemente, dos que estão impossibilitados!
    Agora, quem tem forças para limpar, pintar, consertar, empunhar um ferramenta, pá, enxada, ancinho … troque por alimento!

    A vida do povo trabalhador é assim, a busca constante e permanente para ter o que comer, onde morar, vestir, usar um coletivo …
    Do jeito que o Bolsa Família e o padre Lancellotti – certamente de maneira ingênua -, fazem com os desvalidos, esses milhões de pessoas viverão até o fim de suas vidas para ter o que comer, e mais nada!!!

    Ora, mas estamos diante de um pecado inominável, condenar seres humanos à necessidade, à carência, mantê-los quietos através de um prato de comida!
    E quanto às suas dignidades?
    Suas utilidades para si e sociedade, a respeito do que poderiam fazer?
    Seus esforços pessoais despendidos para o seu sustento, para o enaltecimento de suas personalidades até como seres humanos não contam?

    NÃO ESTOU RECRIMINANDO O ATO DE CARIDADE, mas o modo como esta caridade está sendo feita.
    Como será para essas pessoas, se o padre morrer repentinamente ou mude de paróquia?
    Vão morrer de fome?
    Vão se revoltar?
    Vão quebrar as lojas?
    Vão se desesperar?

    Caso um imprevisto surgir, o sistema empregado de trocar a refeição por trabalho, qualquer outra pessoa poderá substituir o sacerdote!
    Até mesmo um beneficiado pela refeição diária ou um lojista ou comerciante, haja vista constatarem a utilidade dada em contrapartida por aqueles que estão sendo alvos de atenção concretizada pelo prato de comida, poderá dar sequência a este ato legítimo de dar o peixe, ao mesmo tempo que o caniço, em forma de outro objeto de trabalho, igualmente seja alcançado!

    Meu humilde perdão ao dr.Béja.
    Espero que eu seja compreendido nesta minha argumentação.
    Se o digno advogado e pessoa ímpar não aceitar minhas desculpas, a minha vida pobre e ignorante são as provas incontestáveis que não mereço o seu perdão, pois é um castigo divino, pelo fato de eu contestar quem não deveria!

    O meu fraterno abraço.
    Saúde, paz e vida longa.

    • Caro Bendl,
      acho que não é função do padre ensinar a pescar. Isso cabe ao Estado e dele devem ser cobradas as ações para alterar esse estado de coisas. Mas o assunto é bem complexo, pois a droga destrói o ser humano e a reabilitação não é fácil, ao contrário.

      O padre simplesmente faz um ato de caridade, seguindo os ensinamentos do cristianismo ao dar de comer a quem tem fome. E por essa não omissão deve ser aplaudido.

      “Jesus, segundo o Evangelho de S. Lucas, recomenda:” “Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo” (Lc 3, 11).”

      Abraço, saúde e vida longa.

      • Vidal, meu conterrâneo,

        Não se trata de quem tem ou não razão nesta obra do sacerdote, por favor!

        Eu apenas disse que esse modo, de dar de comer e voltar no dia seguinte, deixa de resolver justamente o motivo pelo qual o padre alimenta essas pessoas!
        Elas continuarão pobres e miseráveis.
        E se o sacerdote morrer?
        Fim da caridade?

        Existe outro Lancellotti?
        Ou vamos lamentar a perda de um ser humano piedoso, mas as pessoas que dele recebiam comida, que busquem-na em outras paragens??!!

        Che, penso que deveria haver uma contrapartida, só isso.
        Limpar uma rua, a igreja, a frente de uma loja, então merecer o prato de comida, é melhor que comê-la sem dar nada em troca.

        Não alimentamos somente quem tem fome, Vidal, mas alimentamos também o ÓCIO!!!

        Abração.

        • “objetivo não é distribuir comida, mas ser alimento, força e esperança para aqueles que estão esquecidos, marginalizados e excluídos”.
          Resposta do padre.

          • Declaração absolutamente política, portanto, a piedoso sacerdote usou um dos quesitos do parlamento, a demagogia!

            Não sei onde residiria para um pobre e miserável, que espera pelo dia seguinte para comer, a força e a esperança de dias melhores??!!

            Convenhamos, mas é torturante!!!

  5. Acredito que eu não necessite dizer que não critiquei o padre Lancellotti, logo, não preciso de tratamento psiquiátrico.

    Apenas postei que, o sistema piedoso e bondoso do sacerdote, deveria ser modificado e expliquei as minhas razões, acredito que educada e respeitosamente.

  6. Só mesmo quem não conhece o Padre Lancellotti nem tem noção do que se passa nas ruas pode partir para um disparate como o da professora-deputada mal-amada, pelo que parece, para não concordar direto com o nobre Limongi.

  7. 1) Respeitosamente, oremos pela parlamentar.

    2) Em uma foto na internet ela segura ou está perto de uma imagem católica de Jesus Cristo, não sei qual é a religião da deputada, mas, a meu ver as palavras de Jesus nos recomendam a prática da Caridade incondicional.

    3) Poucos entendem o quesito Caridade,é uma atitude/prática bem ampla, e o padre Lancelotti está certo em sua atividade.

    4) Acredite se quiser: caridade é política, é militância social, é ativismo compassivo, de Compaixão… que ensinava Buda.

    • Meu amigo e professor Rocha,

      Tá, e daí?
      O padre faz a caridade, que elogiamos, e nós?
      Batemos palmas e assistimos?!
      Deixamos de fazer a nossa parte por que outra pessoa faz por muitas?

      Não daria para empregarmos ninguém?
      Oferecer-lhe uma quantia para limpar banheiros, pisos de lojas, calçadas?

      Caríssimo, que tanto o admiro por ser budista, nem só de pão vive o homem, e não vive somente à base de contemplação, muito menos significa a vida ser valorizada por um prato de comida!!

      Isso, a meu ver, é a coisificação do ser humano, restringir-lhe à insignificância porque um desvalido, logo o seu valor é um prato de comida, e mais nada!

      Mas, trata-se da tua opinião, que a respeito, como não poderia ser diferente.
      No entanto, e na mesma dimensão, respeitemos quem pensa diferente, ainda mais querendo emprestar ao ser humano o seu devido papel na sociedade, que não é ser um pária, porém parte de nós mesmos e da humanidade!!!

      Abração.

  8. A mente das pessoas está muito obtusa, limitada, incapaz de aceitar o contraditório, o pensamento diferente.

    Nada contra o trabalho piedoso do padre, nada.
    Mas, sou contra a forma como ele vem dando de comer às pessoas!
    Por exemplo:
    ele não faz isso com todos os pobres e miseráveis de São Paulo, correto?

    Ele não as ensina a procurar trabalho, compensar o alimento recebido gratuitamente.
    O padre dá a refeição e fica por isso mesmo, aumentando o contingente de pedintes porque não lhes resta outra alternativa, a não ser clamar por um prato de comida.

    Logo, o problema não é do padre, que age caridosamente mas, além de não resolver, quer trazer para si a solução que compete ao governo, ao aspecto social negligenciado e irresponsavelmente desprezado por Bolsonaro, quanto à pobreza e miséria!!

    Outro aspecto:
    maravilhosa a atuação do sacerdote porque atenciosa ao semelhante desvalido.
    No entanto, esse costume piedoso não contribuirá para mais seres humanos trocarem a sua existência por uma refeição diária??

    Não seria muito pouco, irrelevante, o modo como a esmola resume o ser humano, que basta dar-lhe um prato de comida e mandá-lo vir no dia seguinte?
    Certamente discuto este ato de bondade como essencialmente pessoal, ou seja, próprio do padre, mas não lhe posso atribuir que seja uma atitude cristã!

    E a valorização da vida?
    Do trabalho?
    Da dignidade perdida porque pedinte?
    Não contam?
    Dar de comer e basta?

    Falei que esse sistema pode continuar, porém que fosse exigida uma contrapartida do beneficiado e, logicamente, daqueles que podem.
    Citei vários exemplos de trabalho que poderiam ser solicitados pelo padre, qual é o problema?

    Por que meia dúzia de pedras nas mãos para atirar em quem discorda?
    Ainda mais se a questão não é a caridade em si, mas a sua forma de ser praticada!

    E quanto à omissão criminosa do governo?
    Nenhuma crítica?
    Ao desprezo pelo ser humano, aceitamos sem qualquer contestação?
    O padre é que está certo mas, e quanto à sociedade, ao governo, às autoridades empenhadas neste particular, nada fazem?

    Ora, desse jeito, quem tem casa, um bom emprego ou negócio, tem mais é que juntar uma ou duas dezenas de pessoas e sustentá-las!!!
    Se a situação social brasileira atingiu patamares trágicos, e existindo solução (?!) como a desenvolvida pelo padre Lancellotti, quero saber os porquês de não imitarmos o padre??!!

    Agora, criticar quem é contra este modelo, de permitir que vidas humanas vivam por mais um tempo, apenas e tão somente por um prato de comida e mais nada, sinceramente, mas não vejo caridade desta forma, mas uma tortura, pelo fato de que o beneficiado jamais vai deixar de depender da caridade alheia, e não de si mesmo!

    Simplesmente estamos anulando uma vida que poderia nos dar tanto, caso fosse efetivamente utilizada como ser humano, e não como um traste ou pertencente à ralé!

  9. O assunto é polêmico. Entanto, depois de analisar os comentários colocados aqui na TI a respeito do tema em foco, os comentários do Francisco Bendls são mais coerentes e por isso fico com o pensamento dele.

    Precisar de tratamento psiquiátrico por descordar dos pensamentos de outros , é dose para elefante.

    Quanto a chamar determinado comentarista de nobre, é heresia.

  10. César – Fortaleza, meu amigo nordestino,

    Em nenhum momento critiquei a iniciativa do padre Lancellotti.
    Mencionei que a forma como ele distribui as refeições diariamente é que precisariam ser modificadas.

    Mesmo que o gesto do sacerdote seja magnânimo, caridoso, solidário, ele não está resolvendo o problema da fome, por incrível que pareça, mas alimentando o ócio e desvalorizando o beneficiado porque vale literalmente só o que come!!!

    Existem outros componentes que estão sendo deixados de lado, pois nem só de pão vive o homem.
    Trabalho, dignidade, utilidade, auxiliando o crescimento do país, que não podem se resumir em dar comida.

    Logo, se o padre propusesse trocar o prato de comida por uma tarefa qualquer, ele estaria sendo justo e exercendo o verdadeiro cristianismo, pois quem recebe o alimento precisa agradecer, reconhecer, dar algo em troca!
    E qual seria a única moeda que essas pessoas desvalidas possuem?
    Suas ofertas de trabalho, boa vontade, sentido de colaboração.

    Não usar tais qualidades à disposição, o sacerdote faz caridade, mas também prejudica a a pessoa por que a deixa sem valor algum, uma inútil, um paria, que só vale a refeição e olha lá!!

    Agradeço que tenhas compreendido o meu ponto de vista.

    Abração.
    Saúde e paz, parceiro.

    • Amigo Chicão, creio que desta vez vou discordar de ti. Agradecer o recebido é questão de educação, mas Cristo nos ensinou a dar a quem precisa sem esperar nada em troca. Lancelotti não tem que tomar para si o trabalho do estado e da sociedade de dar condições de vida digna aos infelizes quando não tem recursos para isso, está fazendo o fundamental e humano que é permitir que continuem vivos. Não está fomentando o ócio, está dando uma boia a quem está se afogando, já sem forças, para que possa sobreviver mais um pouco, Deixar de fazer isso seria condenar muitos deles à morte. Não vejo Janaína fazer nada para lhes restituir meios de se curar, viver e trabalhar para terem a tal dignidade, só reclamar abjetamente do homem que lhes estende a mão para segurá-los e impedir que morram enquanto a sociedade não se mobiliza para lhes dar um pouco de justiça. Por isso não reconheço a ela direito algum de criticar quem ao menos está fazendo alguma coisa. O mundo precisa de mais samaritanos como Lancelotti e menos fariseus como Janaína.
      Um abraço do teu amigo Mano

      • Mano, caríssimo amigo,

        Preciso me defender:
        NÃO SOU CONTRA a obra meritória e caridosa do padre!

        Apenas mencionei que a forma como a distribuição do alimento é feita deveria ser diferente, e expliquei as minhas razões.

        Por uma dessas situações inexplicáveis, os comentários postados estão discordando de mim, que elogiei e reconheci a boa intenção e iniciativa do padre Lancellotti, que poderia ser melhor, se também solicitasse em troca da comida uma tarefa do beneficiado.

        O meu modo de entender esta questão está diretamente vinculada à realidade.
        Pelo que se sabe, há poucos ou talvez só um padre Lancellotti no Brasil, significando que os milhões de outros seres humanos esfaimados continuarão nesta situação degradante, humilhante e injustificável!

        De certa forma, quem está usufruindo da piedade do padre é um abençoado, enquanto os demais continuarão sofrendo e padecendo por falta de atenção do governo, nossa, da sociedade, e de outros padres no país!

        Na razão inversamente proporcional da iniciativa do sacerdote, que possui um grupo de voluntários para esse tarefa, que tem sido elogiada e reconhecida merecidamente, então todos nós deveríamos fazer um “mea culpa”, pelo fato de nada fazermos para esses desvalidos!

        Vidal, meu conterrâneo, foi contra eu ter escrito que se deve dar o peixe, mas ensinar a pescá-lo, dizendo que não é função do padre ensinar a pescar!

        Uai, sô, se o representante de Deus na terra, cristão, deixa de ensinar e aplicar o que deixou dito Jesus, que função teria um padre?
        Se temos obrigações com nossos semelhantes e nada fazemos para aliviar-lhes o sofrimento, que tipo de cristão somos?
        Se o governo arrecada bilhões em impostos, onde parte deles seria para amenizar a questão social grave, que atualmente coloca o Brasil em patamares trágicos neste particular, deixaremos que o padre Lancellotti seja o agente que leva a comida para quem tem fome, e mais ninguém??!!

        Che, Mano, a minha sinceridade neste assunto é total.
        Sem eu usar de subterfúgios ou fugir do tema, penso que os que discordaram de mim porque eu gostaria que os beneficiados tivessem a obrigação de uma contrapartida não querem abordar essa questão.

        Por quê?
        Comodidade?
        Que outro faça o que não queremos?
        Que seja um religioso, pois a caridade é vinculada ao culto professado?

        Deus meu, eu só queria que as pessoas também tivessem boa vontade com aqueles que lhes alcançam a refeição diária, só isso.
        A meu ver, esse modelo de piedade alimenta o ócio, sim, afora não resolver a fome.

        Olha, meu caro amigo, a mim me parece que a caridade não é para quem precisa, mas para aquele que faz a doação. Uma espécie de necessidade de purgar a existência por razões diversas, então ela se inscreve como voluntária, e quando vai para casa se sente orgulhosa, satisfeita, alegre, aliviada, pelo fato de ter “ajudado” quem precisava.

        Enfim, Wilson, é a minha ideia.
        Agora, por favor, não sou contra a caridade liderada pelo padre Lancellotti, como alguns comentaristas devem ter entendido.

        Na minha ótica, a forma da distribuição da comida é que deveria ser modificada.

        Abração, meu caro amigo.
        Muita saúde e paz.

  11. Aplaudo o excelente artigo, de pé! Padre Lancellotti segue as pegadas do Cristo, Jesus e de Francisco de Assis.
    Clap, clap, clap!
    .

    Obs. Creio que postei indevidamente noutro artigo um comentário similar.

  12. Difícil, muito difícil eu discordar do meu amigo Bendl. até que por um momento, mesmo sem conhecer-nos, nossas vidas se cruzaram na epopeia de Brasília, em 1960 e sua história de vida tem semelhança com a minha, e nosso entendimento do mundo e seus valores andam bastante paralelos, mas neste caso, permito-me lembrar-lhe que estamos falando de valores totalmente opostos, caridade e política.
    Sendo a caridade, no meu modesto entender, o sentimento mais cristão e virtuoso do ser humano, o exercício autêntico dela, blinda seu autor de qualquer juízo à luz da política, geralmente corrompida, por muito lógicos e sólidos sejam os argumentos.
    Veja bem, Chico, estamos falando de um sacerdote, presumivelmente, virtuoso e bem intencionado na sua missão, não confundir minhas razões com as igrejas caça-níqueis, hipócritas e criminosas, dos pastores Everaldos, Malafaias e Macedos da vida.

    • Velho parceiro,

      Expliquei exaustivamente a minha posição.

      Quanto à diferença entre política e caridade, constato haver muita política em atos de caridade, e muita caridade em atos políticos, ainda mais para os correligionários, partidários, a mesma agremiação ou ideologia.

      Lembro, caro amigo, que é o ser humano quem está sendo caridoso, logo, este ato jamais terá a pureza da caridade em si, pois sempre haverão embutidos interesses e conveniências pessoais e religiosas, neste caso.

      Vou mais além:
      Lá pelas tantas, há o uso criticável do ser humano para enaltecimento de outras pessoas, que se colocam no panteão da solidariedade quando, na verdade, são elas que precisam da caridade do beneficiado.

      E vou complicar mais ainda, queres ver?
      O bom padre Lancellotti poderia, se quisesse, ampliar a sua iniciativa tão elogiável.
      Observa:
      O sacerdote e sua equipe de voluntários levam a comida aos necessitados.
      Uma vez alimentados, cada membro da equipe vai para sua casa, enquanto os alimentados continuarão dormindo nas ruas, em bancos de praça …

      Por que o padre não abre as portas da sua igreja, para acomodar os esfaimados e também sem teto?
      Uma outra equipe de voluntários se encarregaria do jantar, enquanto as pessoas que ficarão protegidas da intempérie porque dentro de um prédio conhecido como a Casa de Deus, limpariam a igreja, vidros, bancos, piso, banheiro, as imagens …

      Dar de comer, e repetir o ato dia seguinte, há um espaço imenso de tempo perdido, de gente que poderia ser útil, até mesmo ampliar esse gesto com mais voluntários e em outros bairros ou periferias.

      Enfim, não me toma como insensível, cruel, que não quero que o desvalido faça uma refeição por dia, longe disso.

      Mais um abraço.

  13. Resultado da leitura apressada: li e fiquei indignado com-apenas o título da matéria. Portanto, minha crítica é para a deputada paulista.
    Abração, Bendl.

  14. Depois de um dia de trabalho; venho aqui e vejo que fui muito bem representado por outros comentaristas, na função de contrapor com propriedade ideias absurdas.

    Quanto a pergunta : “E se o sacerdote morrer ?”

    Se ele morrer; Deus coloca outro no lugar. Igual ao fato de eu não poder estar aqui “derrubando” narrativas absurdas; que foram muito bem respondidas pelos Senhores: Jose Vidal, Jacó, Antônio Rocha. (Sem esquecer do articulista, Dr. Jorge Beja).

    Resumindo: A deputada que deveria resolver o problema da criminalidade, quer que o sacerdote faça o trabalho do poder publico.

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