A desordem mundial e o espectro da dominação total

Resultado de imagem para moniz bandeira livrosLeonardo Boff
O Tempo

O título é do último livro de Luiz Alberto Moniz Bandeira (Civilização Brasileira, 2016), nosso mais respeitado analista de política internacional. O autor teve acesso às mais seguras fontes de informação e a múltiplos arquivos, aliando tudo a um vasto conhecimento histórico. Moniz Bandeira é, antes de mais nada, um minucioso pesquisador e, ao mesmo tempo, um militante contra o imperialismo estadunidense, cujas entranhas corta com um bisturi de cirurgião. Os materiais de que dispõe lhe permitem denunciar a lógica imperial presente no subtítulo: “Guerras por Procuração, Terror, Caos e Catástrofes Humanitárias”. Quem ainda nutre admiração pela democracia norte-americana e procura se alinhar aos desígnios imperiais (como fazem neoliberais brasileiros) encontrará vasto material para reflexão crítica e dados para uma leitura do mundo mais diferenciada.

Dois motes orientam o centro do poder do Estado norte-americano com seus inumeráveis órgãos de segurança: “um mundo e um só império”, ou “um só projeto e o espectro da total dominação”. Quer dizer, a política externa norte-americana se inspira no (ilusório) “excepcionalismo” do velho “destino manifesto”, uma variante do “povo eleito por Deus, de raça superior”, chamada a difundir no mundo todo a democracia, a liberdade e os direitos e se considerar “a nação indispensável e necessária”.

MONARCAS – No século XVIII, Edmund Burke (1729-1797) e, no século XIX, o francês Alexis de Tocqueville (1805-1859) pressentiram que o presidente norte-americano detinha mais poderes que um monarca absolutista. Efetivamente, sob George W. Bush – por ocasião dos atentados às Torres Gêmeas –, se instaurou a verdadeira democracia militar, com a declaração da “guerra contra o terror” e a publicação do “Patriotic Act”, que suspendeu os direitos civis básicos, como o habeas corpus, e instaurou a permissão de torturas. Na verdade, isso configura um Estado terrorista.

Como vários cientistas norte-americanos citados por Moniz Bandeira afirmaram: “Não há mais uma democracia, mas uma dominação da elite econômica à qual se deve submeter o presidente”. As decisões são tomadas pelo complexo industrial-militar, por Wall Street, por ponderosas organizações de negócios e por um pequeno número de norte-americanos muito influentes.

Para garantir o espectro da total dominação, são mantidas 800 instalações militares pelo mundo afora e 16 agências de segurança, com 107.035 civis e militares. De 1776 a 2015, portanto, em 239 anos de existência dos EUA, 218 foram anos de guerra e apenas 21 anos de paz.

OBAMA NADA FEZ – Esperava-se que Barack Obama desse outro rumo a essa história violenta. Ilusão. Trocou apenas os nomes, mas manteve todo o espírito excepcionalista e as torturas em Guantánamo e em outros lugares fora dos Estados Unidos, como no tempo de Bush. Com certa decepção, constatou Bill Clinton, “desde 1945 os EUA não venceram nenhuma guerra”. Do Iraque fugiram em sigilo e na calada da noite.

O livro de Moniz Bandeira entra em detalhes sobre a guerra na Ucrânia, na Crimeia e contra o Estado Islâmico na Síria, dando nomes aos principais atores e datas. A conclusão é avassaladora: “Onde quer que os EUA intervieram, com o específico objetivo de ‘espalhar’ a democracia, constitui-se de bombardeios, destruição, terror, massacres, caos e catástrofes humanitárias… Entraram para defender suas necessidades e seus interesses econômicos e geopolíticos, seus interesses imperiais”.

A mola de informações arroladas sustenta essa afirmação, não obstante as limitações que sempre poderão ser apontadas.

13 thoughts on “A desordem mundial e o espectro da dominação total

  1. Assim como, depois da 1ª Guerra Mundial o Imperialismo Americano sucedeu ao Imperialismo do Império Britânico, daqui a +- 50 anos teremos a decisão entre o Imperialismo Americano e o Imperialismo Chinês, para ver quem será o “hegemônico” dali para frente.

    A nós Brasileiros, cabe fazer o máximo esforço para “secretamente” desenvolver nossas Armas de Dissuação Atômicas para termos plena SOBERANIA, e estar no campo do lado Vencedor.

  2. Não conheço o livro mas o autor é super respeitado. A obra , ao visto , deve ser na linha da ” A Doutrina do Choque ” da Naomi Klein…Vou comprar.

  3. Dos 10 melhores IDHs do mundo somente os EUA ( 5.o ) e a Alemanha ( 6.o ) participaram das duas grandes guerras e os territórios da Austrália e do Canadá em tamanho nada devem ao nosso.
    A soberania de uma nação começa no caráter de seu povo , que não transforma o seu país em mercadoria.

  4. Virgilio…vai procurar Eneida.
    Vc continua escrevendo bobagens.
    Claro que o Japão possui Exército!
    Quanta ignorancia!!!
    Apenas o nome é Força Terrestre!
    Como de resto qualquer Exército assim se denomina.
    Arma de Terra!
    Veja os links
    “sabidão”….

    1)http://www.forte.jor.br/2014/07/02/japao-aprova-mudanca-na-constituicao-e-da-mais-poder-para-o-exercito/
    2)http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/china-pede-prudencia-japao-por-lei-que-libera-exercito-em-acoes-externas.html
    3)http://www.gazetadopovo.com.br/mundo/depois-de-70-anos-exercito-japones-podera-participar-de-acoes-fora-do-pais-6315q5ae4rblfin9q2dsr474g
    4)/wiki/Força_Terrestre_de_Autodefesa_do_Japão

    • História[editar | editar código-fonte]

      Militares japoneses e americanos durante um exercício em conjunto.
      Com a derrota na Segunda Guerra Mundial o Japão abriu mão incondicionalmente de todas as forças armadas japonesas. A atual Constituição proíbe o Japão do pós-guerra de manter as forças militares e de levar a guerra para resolver disputas internacionais.[3]

      Apesar da cláusula anti-guerra, a Polícia Nacional Reserva foi criada em 1950 durante a ocupação do Japão pelos Aliados (1945-1952) para substituir as tropas americanas que foram enviadas para a Guerra da Coréia. A Polícia Nacional foi transformada em Forças de Autodefesa do Japão pelo governo japonês em 1954.[3]

  5. Concordo com tudo, mas ainda aguardo uma palavra sobre o enriquecimento da família do Lula , de Belo Monte, dos roubos nas empresas públicas durante os governos do PT. Será que o autor do livro e seletivo como o missivista?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *