A digital do PSDB, no processo do impeacment

Bernardo Mello Franco
Folha

Em entrevista recente ao UOL, o senador Aécio Neves disse ter evitado que seu partido pusesse a “digital” na eleição de Eduardo Cunha à presidência da Câmara. É verdade. O PSDB apoiou um candidato azarão e esperou a vitória do peemedebista para então formar dobradinha com ele, com o objetivo comum de desgastar o governo Dilma.

Como a impressão digital é usada em investigações policiais, presume-se que Aécio associasse a candidatura Cunha à possibilidade de crimes. A outra hipótese é de ato falho, como o que o senador cometeu quarta-feira ao dizer que foi reeleito presidente da República, e não do PSDB.

Há uma semelhança entre a atitude dos tucanos na eleição da Câmara e na discussão atual sobre impeachment. Nos dois casos, o partido parece sonhar com o bônus sem o ônus. Não quis se associar a Cunha e agora tenta se desvincular do movimento para derrubar Dilma antes do fim do mandato, em 2018.

O PSDB já tentou contestar duas vezes a eleição de 2014. Defendeu uma exótica auditoria nas urnas e pediu que o TSE diplomasse Aécio no lugar de Dilma. Só deixou a impressão de que não aceitava perder.

Agora os tucanos fazem pose de estátua enquanto torcem para que a presidente caia de maduro. No domingo, Aécio disse que o fim do governo pode ser “mais breve do que alguns imaginam”. FHC afirma que o partido “está pronto para assumir”.

O PSDB precisa decidir se quer ou não antecipar a saída de Dilma, assumindo a responsabilidade por sua escolha. Se continuar mais preocupado em preservar sua digital da cena do impeachment, o pote de ouro pode acabar no colo do PMDB.

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PS
Pró-memória: Carlos Ayres Britto, o ex-ministro do STF que diz não ver “perigo de golpe”, atuou na campanha de Aécio em 2014. Recebeu R$ 56 mil por um parecer sustentando que a obra do aeródromo de Cláudio (MG) foi legal.

3 thoughts on “A digital do PSDB, no processo do impeacment

  1. O Sr Bernardo Mello Franco é mais um paranormal, pois deve ter vindo de outra dimensão, que fica repetindo a mesma cantilena para ver se cola. O que ele escreve vai muito bem com a turma que estudou o Lullez, pois são todos analfabetos funcionais. Aliás, se o SMF tivesse estudado um pouquinho mais, teria consciência da própria ignorância, Ou ele é mau-caráter mesmo?

  2. E o que o PT fez a vida toda, atacando, denunciando, tentando derrubar, constrangendo, mentindo não foi tentativa de golpe?
    Ora, oposição faz oposição. Quando não faz, não existe. Quando faz é golpista.
    Defender clareza e transparência num processo eleitoral tão cheio de corrupção é “auditoria exótica”?
    O amor desmedido e o dinheiro mal havido, mostram quanto o homem é vulnerável e quando dominados, liquidam-se as verdades. Aqueles que deles fazem uso sem limites, perdem a noção e o bom senso.
    Mais um texto sem nexo, mas com muita paixão e adoração a pessoas/lideranças de tão poucos valores.

  3. A eleição de 2014 para presidente foi apurada em segredo, sem a presença de fiscais dos partidos, contrariamente à praxe brasileira, houve uma inversão de postos dos candidatos já no final dos votos, e foi presidida por um juiz com notórias ligações com o Partido dos Trabalhadores. Mesmo presumindo que não tenha havido fraude, não dá para chamar de “exótica” uma auditoria pedida pelo partidos que ficou em segundo lugar.

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