À direita do poder

Carla Kreeff  (O Tempo)

Aquela história de o governo federal tentar substituir seu parceiro preferencial, dando uma afastada no PMDB e elevando o status do PSB na escala de poder, já começa a cheirar a naftalina.

E os motivos do abandono da ideia da troca de aliado “número 1” são vários. Tudo começou com o próprio desempenho do PSB nas eleições de 2012. Os socialistas conseguiram mais espaços do que o PT esperava, e o crescimento aconteceu exatamente em territórios petistas – onde o governo federal pretendia manter ou ampliar suas bases.

Mas, para além dos resultados das urnas, outros fatores interferem diretamente na impossibilidade de colocar o PSB sentado à direita do todo-poderoso governo petista, lugar ocupado atualmente pelo PMDB. É que os peemedebistas estão dando um jeito de tornar sua cadeira cativa. E estão cumprindo a meta com competência. O partido ocupa agora as presidências das Câmara e do Senado. E, ainda, conseguiu bancar o nome de Renan Calheiros.

AMARRANDO…

Em outras palavras, o PMDB está amarrando o governo em seu calcanhar. O partido faz isso com a consciência de quem pretende se manter e até estender seu peso pelas entranhas da administração do governo Dilma Rousseff. Por outro lado, o PSB se mostra uma ameaça eleitoral cada vez mais forte para a permanência do PT no mais alto cargo do país após 2014. O governador Eduardo Campos já é considerado um nome presidenciável.

A questão é que o PT, tal como o PSDB durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, não conseguiu garantir a governabilidade com independência. Dilma Rousseff pode até não precisar do PMDB no ponto de vista eleitoral, mas a realidade é bem outra em se tratando da governabilidade.

É natural, em qualquer democracia, a necessidade de se fazerem alianças. O que é complicado para qualquer partido que alcance a Presidência da República é a condição de refém. E, ainda que não assuma publicamente essa condição, o PT assim se encontra.

Nos bastidores, petistas mais otimistas afirmam que o PMDB mudou muito e já possui uma grande identidade com o governo federal. Pode ser. Fidelidade, os peemedebistas têm demonstrado. O preço pago por tudo isso é a pergunta que se faz. Entretanto, publicamente, os petistas não parecem se importar com o tamanho da fatura.

Quem não se importa com quanto precisa desembolsar pelo objeto de seu desejo é porque precisa muito comprar ou tem muito para gastar. Resta saber quanto o PT precisa mesmo do PMDB. A relação entre o Executivo e o Legislativo até o fim de 2014 deve responder essa questão e pode definir a próxima eleição.

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