A diversão dos cartolas

Sebastião Nery

Régis Pacheco, médico, PSD, pai e mãe e dos pobres de Vitória da Conquista, foi eleito governador da Bahia em 1950, derrotando Juracy Magalhães, da UDN. Uma noite, tarde da noite, ele chegava ao Palácio de Ondina, residência do governador, e o chefe da guarita de entrada não abriu o portão.

O chefe da Casa Militar, coronel Isidro, desceu do carro e foi lá ver o que havia. Voltou indignado:

– Governador, ele está demitido. Está ali naquele apertadinho com uma mulher e nem me viu me aproximar. Vou tirar os dois de lá.

– Calma, coronel. Sente-se aí. Vamos esperar um pouco. O governo sempre pode esperar. O amor, não. O amor não é coisa que se interrompa. Deixe o homem se divertir um pouco. Deve ser a única diversão dele.

E esperou um tempo em silêncio, cochilando.

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MÁFIA RUSSA

O escândalo da máfia russa que comprou o Corinthians explodiu também na Argentina. O consagrado jornalista Daniel Santoro, que denunciou a compra de armas, por Menem, para a Croácia e o Equador, confirmou no El Clarín, a historia toda da “lavagem de dinheiro”.

1. A DGI, serviço secreto, e a UFI (Unidade de Informação Financeira), do governo da Argentina, apuraram que o time argentino Boca Juniors “vendeu” o jogador Tevez ao Corinthians por US$ 16 milhões e não por US$ 19,5 milhões, como o então dono do time paulista, o iraniano Kia Joorabchian, e a direção do Corinthians disseram.

2. A operação foi toda mafiosa, clandestina: o pagamento foi feito ao Boca Juniors por uma conta que o Royal Bank of Canada, de Toronto, tem no banco JP Morgan Chase, de Nova York, em nome de uma firma de Joorabchian com sede no paraíso fiscal das Ilhas Virgens e “de uma entidade financeira ou empresa com nome estrangeiro”.

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NEM ARGENTINA NEM BRASIL

A Argentina logo descobriu que o dinheiro não passava nem por lá nem pelo Brasil. Mas não foi só a operação-Tevez. Foram 105 transferências nebulosas em apenas 14 meses, por mais de US$ 60 milhões. Só com o Corinthians foram R$ 113,95 milhões: Tevez, do Boca Juniors, R$ 52,65 milhões; Mascherano, do River Plate, R$ 39 milhões; Roger, do Benfica, R$ 7,8 milhões; Gustavo Néri, do Werder Bremen, R$ 5,1 milhões; Carlos Alberto, do Porto, R$ 2,7 milhões; e Seba, do Newells Old Boys, R$ 6,7 milhões”. Estes eram os valores dos craques, em 2004, 2005.

Se continuasse assim, o Corinthians ia ter de mudar de camisa: em vez de preto e branco, laranja. Um time de laranjas. São triangulações com outros times, também dominados ou infiltrados pela máfia russa, para lavagem de dinheiro. Desses milhões, quanto fica para os jogadores? Tevez diz que “cedeu ao Boca Juniors US$ 1,5 milhão, 15% do passe”.

Hoje, no futebol, a verdadeira jogada de mestre é comprar e vender jogador. É a única diversão dos cartolas. E atualmente os passes custam muito mais caros.

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