A economia brasileira vai bem, muito bem, mas a Bovespa vai mal, muito mal, numa situação que nem Freud explicaria.

Carlos Newton

Parece brincadeira, mas a agência de classificação de risco Moody’s anuncia ter elevado o “rating” (nota de risco de crédito) da dívida soberana brasileira de “Baa3” para “Baa2”, com perspectiva positiva.

Isso significa que o Brasil já é considerado um país “grau de investimento”, isto é, mais seguro para investidores, e a nova nota melhora a cotação. A perspectiva positiva significa que, na próxima avaliação, a tendência é de que o “rating” do país melhore ainda mais.

Os economistas da Moody’s apontam a expectativa de que a relação dívida pública sobre PIB mantenha uma tendência declinante. Essa relação é uma medida consagrada para constatar a “saúde financeira” de um país, isto é, sua capacidade de saldar os compromissos financeiros.  Por exemplo: alguns dos países da Europa mais problemáticos devem mais de 100% de seu PIB, e um deles é a Itália, que ainda não quebrou, mas um dia chega lá. No Brasil, essa relação ainda está abaixo de 50%, no sistema governamental de calcular a dívida interna, mas há controvérsias, como os comentaristas e leitores da Tribuna estão cansados de saber.

Ao mesmo tempo, a previsão para inflação caiu pela sétima semana consecutiva, segundo informações do boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Assim, a expectativa para a inflação oficial este ano passou de 6,19% para 6,18%, enquanto as estimativas para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2011 e 2012 também foram mantidas em, respectivamente, 3,96% e 4,10%.

Nada mal, num mundo em crise. Mas é interessante notar que, ao mesmo tempo, a Bolsa de Valores brasileira atravessa uma fase terrível. A economia do país vai bem, muito bem, mas o mercado de ações, de novembro para cá, já caiu praticamente 12 mil pontos. Uma verdadeira tragédia, fazendo com que a relação entre o valor das ações e o lucro das empresas seja uma das menores do mundo.

Traduzindo: um investidor esperto hipoteticamente poderia adquirir uma empresa brasileira, comprando as ações dela na Bovespa, por um preço que na verdade equivaleria à apenas metade do valor real. Isso significa que nem Freud conseguiria explicar a situação da economia brasileira. Quanto mais os economistas que servem ao governo, que não sabem nada mesmo.

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