À espera de um inusitado

Carlos Chagas

A pergunta é se Renan Calheiros e Henrique Eduardo Alves aguentarão quase um mês de tiroteio, prazo até a realização das eleições para as presidências do Senado e da Câmara.Valerá à pena receber todos os dias saraivadas de denúncias, recriminações e acusações de malfeitos, praticados ou não pelos dois parlamentares?

 Par de ases…

A gente fica pensando por que insistem, ou melhor, por que se lançaram? Fama, riqueza e poder valem tanto assim? Afinal conhecidos já são, admirados por uns, execrados por outros. Encontram-se mais do que bem de vida, pode-se dizer ricos, sem problemas financeiros.

Sobra o poder, como meta alternativa. Presidir a Câmara ou o Senado permitirá a ambos nomear um monte de funcionários e correligionários. Ajudarão empresas e empresários amigos em suas postulações, em especial se voltadas para seus estados de origem, Alagoas e Rio Grande do Norte. Decidirão, também, sobre que projetos serão postos em votação e que outros continuarão nas gavetas. Terão influência em atos do Executivo, um pouco mais, um pouco menos, mas deixando óbvio para Dilma Rousseff a necessidade de a Oração de São Francisco ser rezada no palácio do Planalto: é dando que se recebe. Como substitutos constitucionais da presidente e do vice, quando em viagem ao exterior, incluirão em suas biografias fugazes ocupações do poder maior.

INDAGAÇÃO

Permanece, porém, a indagação: por que Renan e Henrique Eduardo se expõem tanto assim, sendo maltratados diariamente pelos jornais, televisões, rádios e pela mídia cibernética? Em nome de que, além da vaidade, admitem ter reviradas suas vidas e trajetórias políticas, aliás, em nada diferentes da grande maioria da classe política?

Trata-se de um mistério, dentro de um enigma, envolto por uma charada. Como integram o mesmo partido, o PMDB, e como provém de pequenos estados da mesma região, há quem suponha um objetivo oculto na resistência de ambos em permanecer candidatos, a um passo da escolha. Há quem suponha fazerem parte de uma trama secreta com nome e endereço no catálogo telefônico: Michel Temer, palácio do Jaburu.

Poderá surpreender-se o ingênuo que achar impossível, inviável e inadmissível a hipótese de o vice-presidente quebrar o acordo com Dilma, Lula e o PT. Dispondo de instrumentos institucionais como as presidências do Senado e da Câmara, como maior partido nacional, o PMDB não deve ser subestimado. Faltará, para essa estranha equação viabilizar-se, uma crise qualquer de grandes proporções. Um inusitado. Como eles costumam acontecer…

INDICAÇÕES OU PRESSÕES?

Em poucos dias ganhou o plano das especulações viáveis a possibilidade de pequenos reajustamentos no ministério. Como por orquestração, a mídia anda cheia de rumores sobre a ida de Gabriel Chalita e de Afif Domingos para o primeiro time da equipe do governo. Ciência e Tecnologia como Pequenas e Médias Empresas, seriam apenas duas hipóteses, entre outras. A presidente Dilma continua muda sobre mudanças capazes de marcar a segunda metade de seu primeiro mandato, mas anda conversando muito com políticos e empresários. Há algo no ar, além das pressões feitas pelos partidos da base oficial para aumentarem seus espaços de poder.

IMPOSSÍVEL NÃO É

Surpreendeu a declaração do presidente do PDT sobre seu partido julgar muito forte a tese da candidatura própria à presidência da República, em 2004, acentuando estar o processo em aberto. Desejaria o quê, o ex-ministro do Trabalho? Enfraquecer seu sucessor, Brizola Neto, contra o qual encontra-se em guerra? Mandar um recado à presidente Dilma de que o partido, se ajuda pouco, pode atrapalhar muito? Em matéria de candidatos, a safra parece pequena. Cristóvam Buarque, com o qual Lupi se desentende?

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