A esperança como salvação, na poesia de Augusto dos Anjos

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O poeta paraibano Augusto dos Anjos (1884-1914) mostra que “A Esperança” é a panaceia para todos os sentimentos e momentos do viver, inclusive, na espera da morte.

A ESPERANÇA
Augusto dos Anjos

A Esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a Crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim não pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a Esperança por sentença
Este laço que ao mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da morte a me bradar: descansa!

3 thoughts on “A esperança como salvação, na poesia de Augusto dos Anjos

  1. Augusto dos Anjos, o Poeta da Morte, foi um poeta sui generis. Publicou um único livro “Eu e outras poesias”, livro muito precioso, cheio de sofrimentos e de verdades. Sobre o livro de Augusto dos Anjos disse Carlos Drummond de Andrade: “Li o Eu na adolescência e foi como se tivesse levado um soco na cara.
    “A Esperança não murcha, ela não cansa,” Para ele as pessoas são infelizes porque não têm Esperança . É preciso dar asas a esse verde sentimento. É mister sonhar para viver.
    “Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
    Sirva-te a crença de fanal bendito,
    Salve-te a glória no futuro – avança!”

    A salvação o futuro de glória está na Esperança

  2. O pé do tamarindo, em Pau d”Arco, cidade onde nasceu, está sempre presente em suas reminiscências.

    Debaixo do Tamarindo

    No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
    Como uma vela fúnebre de cera,
    Chorei bilhões de vezes com a canseira
    De inexorabilíssimos trabalhos!

    Hoje, esta árvore, de amplos agasalhos,
    Guarda, como uma caixa derradeira,
    O passado da Flora Brasileira
    E a paleontologia dos Carvalhos!

    Quando pararem todos os relógios
    De minha vida e a voz dos necrológios
    Gritar nos noticiários que eu morri,

    Voltando à pátria da homogeneidade,
    Abraçada com a própria Eternidade
    A minha sombra há de ficar aqui!

    • Uma estrofe de Vozes da Morte, presente o Tamarindo.

      “Agora, sim! Vamos morrer, reunidos,
      Tamarindo de minha desventura,
      Tu, com o envelhecimento da nervura,
      Eu, com o envelhecimento dos tecidos! “

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