A estranha invasão do Alemão, e a caça aos chefões que não estavam lá. No sábado, quando deram ultimatum para SAÍREM ou seriam INVADIDOS, todos já estavam longe. Os bandidos são informadíssimos.

Helio Fernandes

A operação de ocupação do mais famoso Morro do Rio, foi conduzida em euforia mas com mínima competência. Os principais “chefões” sabiam nos mínimos detalhes, o que as tropas planejavam ou faziam. Não esperaram a execução, foram embora muito antes.

A TV Globo, ingenuamente (?), mostrou a vista extraordinária que se tinha lá de cima. Só que insistiam na “beleza panorâmica”, esqueceram que aquele local privilegiado, era uma das melhores fontes de informações de que dispunham. De lá viam tudo, acumulavam com o que recebiam por meio dos seus informantes infiltrados.

Assim, na quinta-feira, quando a televisão mostrou aquela surpreendente “corrida” entre bandidos e militares, uns atrapalhando os outros, e todos desorientados e sem saberem o que fazer, os chefões viam tudo sem necessidade de televisão, assistiam comodamente instalados.

E diante do aparato que não podiam desconhecer, decidiram: começaram a ir embora na quinta mesmo, ou na sexta. Dessa foram, quando as tropas deram ordens, rendam-se ou serão presos, estavam bem longe. Eram 4 os chefões, revelei com informações sobre cada um.

(Eram FB (Fabiano), Nem, Pezão e Polegar. Este, dono da casa “luxuosa”, quase não vai lá, foi chamado às pressas do seu refúgio confortável da Mangueira. A TV Globo trocou o Nem pelo Mica. Este quase não vai ao Alemão, tem pânico e pavor de FB, o mais agressivo, contundente e violento de todos).

A TV Globo quer prolongar o mais possível a cobertura da invasão. Em termos de audiência, estão certíssimos, embora se repetindo tanto, que quase ninguém se interessa. Em termos jornalísticos, fracasso por causa dos “compromissos com os dois lados”.

Um só exemplo: ontem, quinta-feira, anunciaram com estardalhaço: “VAMOS MOSTRAR COM EXCLUSIVIDADE OS SUBTERRÂNEOS (pluviais) POR ONDE OS BANDIDOS FUGIRAM”. Aí um soldado mostrava mapas não identificados e o repórter dizia: “Os chefões TALVEZ tenham FUGIDO por aí”.

Quer dizer, a EXCLUSIVIDADE se transformou num vago, incerto e nada jornalístico T-A-L-V-E-Z. Por outro lado, a TV Globo sabia tanto quanto este repórter (ou até mais, reconheço) que quando começou a invasão, não havia mais ninguém. Só que eu publicava tudo que apurava, “eles” maquiavam os fatos. Precisavam servir a “Deus e o diabo”, eu só queria publicar as informações, completá-las com opiniões.

A TV Globo é a única a “cobrir” a invasão, por dois motivos. 1 – É a mais importante, pode mobilizar centenas de profissionais. 2 – A Globo tem também exclusividade sobre tudo, há muito tempo adquiriu (?) os royalties  sobre o assunto. Por isso, a cobertura segue rumo inteiramente não-jornalístico, podiam aproveitar para esclarecer a coletividade. Só que os “compromissos” não permitem.

Desde o fracasso total do domingo, até agora quando escrevo, a TV Globo, por “orientação superior” (e não interna) se concentra em mostrar o que foi encontrado no Alemão. Motos roubadas, armamento, drogas em quantidade, até uma “bazuca” sem munição. Tudo isso não passa de 10 ou 20 por cento do que realmente existe (ainda vão descobrir muito mais) naquele vasto território.

Mas o que a população quer saber e a Globo tem informações, mas não para publicar, é o seguinte: como é que aquela MONTANHA que fica ENTULHANDO uma área enorme do Alemão, pôde ser levada lá para cima? Ninguém viu? E os policiais que faziam a cobertura, não souberam de nada? É muita coisa, são milhares de itens, das mais diversas procedências.

Para terminar por hoje, afinal isso que está acontecendo é o mínimo, se passará um longo tempo antes que as coisas possam encontrar um caminho menos hostil. Por agora, três assuntos importantíssimos.

1 – De onde vinha e subia o morro aquele armamento? O ex-secretário Nacional de Segurança Pública, coronel José Vicente da Silva, em entrevista à própria Globo, disse textualmente, com a garantia do seu nome e da sua atuação: “Só no Alemão, existem mais de 3 mil fuzis”.

2 – E a formidável quantidade de droga que está sendo apreendida (10 ou 20 por cento, conforme falei) como é que chegava ao Alemão, era estocada lá? E depois descia para ser vendida?

3 – E finalmente, o que destaquei aqui, e que a Globo poderia explicar, mas quer ficar bem longe disso. Nos morros não existe destilaria, a droga chega e precisa ser misturada, para produzir lucros mais altos.

Os bandidos-covardões não têm “status” para negociar a compra das drogas e do armamento, que vêm de outros países. Devem ser substituídos por “FIGURÕES DO ASFALTO”, que têm mais REPRESENTATIVIDADE. Por que não identificam esses FIGURÕES? Ha!Ha!Ha!

***

PS – Cuidemos de outros assuntos também importantíssimos, aqui nada acabou. E os traficantes VOLTARÃO, afinal milhares e milhares de pessoas vivem disso. Os chefões devem ser uns 50, por aí. Os subchefes, calculados em mais de mil. E os traficantes que ENTREGAM a droga, dezenas de milhares.

PS2 – A reação dos traficantes será na base da violência, é a “linguagem” que dominam desde que NASCERAM. Pode levar até meses, mas não desistirão desse tesouro maravilhoso.

PS3 – Quando falo que foi um fracasso, estou me referindo ao fato de NENHUM (ou NINGUÉM) chefão ter sido preso. Não quero desmerecer a operação, mas se os GRANDES tivessem sido capturados, que maravilha viver.

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