A estratégia criativa do governo é pedir dinheiro emprestado ao Banco Mundial para aumentar o valor da Bolsa Família. E o Senado aprova a operação.

Carlos Newton

É até difícil de acreditar, mas o que fazer? Em votação realizada em plenário na última terça-feira, o Senado autorizou o governo federal a contrair um empréstimo de até R$ 333 milhões (US$ 200 milhões) junto ao Bird (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, mais conhecido como Banco Mundial, um braço do FMI), para custear o projeto de consolidação do programa Bolsa Família.

A mensagem presidencial com o pedido de empréstimo havia chegado ao Senado em dezembro do ano passado, ao tempo do presidente Lula da Silva. A proposta, que já tinha sido votada na Comissão de Assuntos Econômicos, seguiu agora para promulgação.

Os recursos serão destinados ao Projeto Consolidação do Programa Bolsa Família e Apoio ao Compromisso Nacional pelo Desenvolvimento Social, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A iniciativa inclui seis frentes. Uma delas envolve a aplicação de até R$ 308 milhões (US$ 185 milhões) na transferência de renda às famílias assistidas. Traduzindo: no aumento do valor da Bolsa Família, pois no caso não há outra forma de transferir renda.

Outros R$ 50 milhões (US$ 30 milhões) dizem respeito a despesas com melhorias de gestão do programa, além de aperfeiçoamentos no Sistema de Cadastro Único, usado para catalogar os beneficiários do Bolsa Família. Nesse caso, metade dos gastos será coberto com o dinheiro do empréstimo.

No início do mês, a presidente Dilma Rousseff anunciou o reajuste dos benefícios pagos por meio do Bolsa Família. O aumento médio foi de 19,4%, podendo chegar a 45,5% para a faixa etária de até 15 anos de idade. O valor ajustado representa, em média, um aumento real de 8,7% acima da inflação do período de setembro de 2009 a março de 2011. Com isso, o benefício médio atual, de R$ 96, subiu para R$ 115. Os valores pagos passaram a variar entre R$ 32 e R$ 242.

De acordo com dados oficiais, 93% dos usuários do cartão do programa são mulheres. O Bolsa Família, que atende mais de 12 milhões de famílias, havia sido reajustado pela última vez em setembro de 2009.

Bem, ajudar os carentes, seja através do Bolsa Família ou se qualquer outro programa, é medida a ser saudada entusiasticamente. Mas, cá entre nós, aumentar a dívida externa para elevar o valor do benefício é uma iniciativa que merecia ser examinada mais profundamente. O governo deve operar dentro de seu Orçamento, que é aprovado no Congresso. Aumentar a dívida – seja interna ou externa – só deveria acontecer em situação desesperadora. Mas o que vemos é uma irresponsabilidade gritante no que diz respeito às dívidas. Até quando?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *