A ética e a espionagem

Carlos Chagas

A ética é una e  universal. Inexistem diversas éticas. O  que era ético para o troglodita, nosso ancestral, continua ético para nós e será ético para o homem cibernético, no futuro. O que existe são novas situações éticas. Por exemplo: até pouco não havia a ética do computador, porque os computadores não tinham sido inventados. Hoje, a ética condena os hackers e os vírus.

O que varia no tempo e no espaço é a moral, essa prima pobre da ética. Décadas atrás era imoral usar biquíni na praia. Hoje, aceita-se o monoquíni e até o  não-quini. Entre nós, a moral recomenda que um homem deve estar casado apenas com uma mulher, coisa que a lei veio confirmar, apesar dos casamentos gays. Mas se tomarmos um avião e descermos em Riad, na Arábia Saudita, veremos que um árabe pode estar casado com até oito mulheres, desde que as possa sustentar. A ética, no entanto, determina que lá e cá, tanto no passado quanto no presente e no futuro, a mulher deve ser respeitada. Por isso conclui-se como é difícil ser ético.

Essa introdução se faz, com todo o respeito, para contraditar o senhor Raphael Mandarino, diretor do Gabinete de Segurança Institucional da presidência da República, para quem, conforme mestre Merval Pereira, existe a ética do Estado e a ética do cidadão comum. Não é nada disso. A ética é universal e una. Para tudo e para todos.

Torna-se imoral um Estado espionar outros. Antiético, também.  Como vaticinou a presidente Dilma Rousseff em seu estrilo contra Barack Obama, dia virá em que a Humanidade irá banir a espionagem,  sobre governantes e sobre cidadãos comuns.

CONTRAESPIONAGEM

Como a espionagem veio para ficar ainda por muitos séculos, criou-se a contraespionagem, forma para trocar seis por meia dúzia. Diz-se que uma é defesa, outra agressão, apesar de  constituírem a mesma coisa, ou seja, crimes éticos.

A Abin nasceu filha espúria do SNI, por sua vez gerado pelo SFICI,  aquele que funcionava em cima da Casa da Borracha, esquina da Uruguaiana com Presidente Vargas. Tem gente sugerindo a dissolução da Abin, como outros imaginam o fim da espionagem. Bobagem, ainda que a ética pudesse  recomendar  essas cirurgias.

Para concluir: espionar é antiético. Imoral, também. Mas os nazistas espionavam, assim como os terroristas, hoje. Como combatê-los, senão com as mesmas armas?  Dentro das limitações do Estado brasileiro, fica difícil invadir o e-mail ou o telefone do presidente dos Estados Unidos, mas monitorar as andanças de funcionários da embaixada americana sempre será possível. Sendo assim, que o dr. Mandarino prossiga, ainda que trocando as bolas. Se preferível, esquecendo o comentário de que “espião até mata, se for preciso defender seu país”…

One thought on “A ética e a espionagem

  1. Estou aqui nos EUA e lendo o New York Times.
    Dona Dilma foi a primeira a chiar sobre essa historia de escuta telefonica. Mas foi logo seguida por Dona Angela Merkel, que, segundo o New York Times de ontem, nao estah apenas reclamando, mas tomando providencias efetivas em termos de database no sentido de tornar imune a qualquer espionagem toda a comunicacao gerada na Alemanha.
    Todos sabem que quando a Alemanha Unida resolve agir, as solucoes sao altamente proficionais e eficientes.
    Nao eh o que queriam quando propuseram a derrubada do muro de Berlim?
    Russia e China jah estao tomando providencias para pularem fora do chamado padrao monetario ditado pelo dollar.
    Essa historia de Imperio nao dura muito. O maior Imperio do planeta Terra foi implantado por Ghenghis Khan, sempre comparado a Alexandre O Grande. Mas hoje imperios nao prevalecem por forcar a situacao. Todos sabem disso.

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