A fábrica de ONGs

Sebastião Nery

RIO – Zé Baioneta, sapateiro e muito prendado lá de Remanso, à beira do São Francisco, na Bahia, bebia muito, bebia demais. Recebeu um dinheiro do cabo chefe do destacamento policial para fazer uma bota, bebeu o dinheiro, não comprou o couro, começou a se esconder do cabo.

Uma tarde, ia voltando para casa bem chumbado, encontra o cabo:

– Zé Baioneta, e minha bota?

– Vou fazer, seu cabo. Tive uns problemas mas vou fazer.

– Faça logo, urgente. Você recebeu meu dinheiro e está me deixando desmoralizado com essa bota toda estragada, toda furada. Uma vergonha.

– Nada disso, seu cabo. Pois eu vou lhe dizer uma coisa. Aqui em Remanso não tem ninguém com o prestigio do senhor. O senhor é mais importante do que o prefeito Marcelino Régis, o deputado Carlos Ribeiro.

– E do que Deus?

Zé Baioneta pensou um pouco: – Aí empata.

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PC DO B

O PCdoB jogou no lixo suas velhas glorias e entrou numa disputa mais vergonhosa do que a bota furada do cabo do destacamento de Remanso. Quer ser o partido mais corrupto do governo Dilma. Mais do que o PT,o PP. E, como sabia o sapateiro Zé Baioneta, está empatando com o PR.

Nos tempos dos bravos João Amazonas, Mauricio Grabois, Arruda Camara, o PC do B se dizia representante no Brasil de Mao Tse Tung e do Partido Comunista Chinês. Deve ter sido de lá que trouxe a ideia de montar aqui uma fabrica de ONGs para arrancar dinheiro publico dos governos.

Logo aparecem tres baianos comandando a empreitada : Renato Rabelo presidente do PC do B, Orlando Silva ministro do Esporte, Agnelo Queiroz governador de Brasília. A Bahia não merecia essa suja baianada. O Procurador Geral da Republica, Roberto Gurgel, que já os denunciou, diz que o escandalo não é só no governo e em Brasilia:-“Tem caráter nacional”

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ONGs

Em cada Estado o partido cria suas ONGs que fazem convenios com o ministério, a “capitania partidária” deles. Não têm sequer o pudor de deixar a mulher fora da maracutaia.A denuncia do “Estadâo” é devastadora:

– “Mulher de Orlando Levou Verba Publica – Empresa de Anna Petta foi contratada por ONG do PC do B que recebeu recursos”… (autorizados pelo marido, de quem tem procuração. O dinheiro sai e volta para o partido) Nesse fim de semana, a “Veja” continua com novos documentos:

-“A Coisa Fugiu do Controle – Assessores de Orlando Silva orientam sobre como enganar a fiscalização do próprio ministerio”.

E a “Veja” publica a gravação de “uma reveladora conversa entre o policial João Dias (que denunciou o escândalo) e dois assessores do ministro. Ela prova que o policial, classificado agora pelo ministro como “bandido”, gozava de inacreditaveis privilegios dentro do ministerio”

E, para completar, a revista “Época” diz tudo nas bancas com uma incendiada capa vermelha, a foice e o martelo e dez paginas sobre o “comunismo de resultados : – Como o ex-nanico PC do B instalou-se no centro do poder e tornou-se um foco de escandalos no governo Dilma”: – “PC do Bolso”.

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KADAFI

Durante quase meio século o cruel e barbaro ditador Kadafi, da Libia, ali nas barbas da Europa, prendeu, torturou e matou milhares de adversários políticos. E a Europa, a OTAN, a ONU nada disseram.

Agora, Kadafi, cercado, acuado e tentando fugir da cidade onde nasceu, numa carreata de mais de cem automoveis, foi interceptado por bombas de mísseis da OTAN e literalmente entrou pelo cano de um esgoto publico e foi arrancado lá de dentro como um rato imundo, chutado, arrastado e executado com dois tiros por um comando de jovens rebelados. Vem o hipocrita e inútil Conselho de Direitos Humanos da ONU e exige um “inquérito para apurar quem atirou em Kadafi já desarmado”.

Por que a ONU não denunciou o torturador e assassino Kadafi? Todo o mundo sabia.

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LIBIA

Em agosto de 1989, meus amigos Eliana e Brasil Helou, presidente da Fearab (Federação das Entidades Árabes) no Brasil, me convidaram para o “Congresso do Mundo Árabe” em Trípoli, na Líbia.

Brasileiros de vários Estados. De São Paulo, os deputados Aldo Rebelo, Samir Achoa, Ricardo Izar e Maluly Neto. Do Rio Grande do Sul, o deputado Amaury Muller e a slamita Samira. Do Amazonas, a deputada Bete Azize. De Alagoas, o deputado Alberico Cordeiro. De Brasília, os jornalistas Jorge Jardim e Celina, Silvestre Gorgulho e Regina, e eu.

Em doze dias, Kadafi não apareceu um sequer, com medo do mundo. Vivia enterrado nas suas tendas e bunkers no deserto. Morreu como viveu.

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